Vivendo a realidade do direito à saúde

saude publicapor Antonio Lains Galamba | 15.01.2014

Uma dor nas costas (fruta da época!) levou-me a ligar ontem, pelas 20h, para o número Saúde 24. Estamos bem ensinados e entupir as urgências com males menores deve ser evitado. Atendido com extrema simpatia e profissionalismo foi sublinhado que seguiria fax para o centro de saúde da minha área de residência e que, logo pelas oito da manhã de hoje, seria para me apresentar – referindo o fax – e que teria a devida consulta.
Cinco minutos para as oito e a primeira bofetada! Uma coisa é vermos na televisão ou ouvirmos falar. Outra, bem diferente, é ver homens e mulheres, velhos, jovens, crianças de colo, ao frio, mal resguardados da chuva, com o peso da doença e da bruta condição que acarretamos, à espera da abertura do Centro de Saúde e, com sorte, de uma consulta! mais de cinquenta pessoas. Apenas uma dúzia de senhas (ouro?) para garantir a «vistoria» médica. para a maioria o regresso a casa, para voltar a tentar amanhã.Hoje foram às cinco? Amanhã chegarão mais cedo.
Lá dentro o desalento. Testa de ferro do Sistema Nacional de Saúde (do que dele resta além dos interesses dos privados) três funcionários esclarecem o melhor que podem da sua impossibilidade. Entre o choro de uma criança de colo (materializando a dor da mãe?) e o desalento dos olhos de um velho é-me dito:
– Não chegou nenhum fax.
Também já não é preciso. A dor nas costas foi engolida. Não tomei nenhum analgésico. Foi a realidade que me quebrou todos os ossos que me pudessem doer! Vendo a revolta calada dos meus iguais. Apenas olhos tristes como se tudo isto fosse inevitável!
Escrevi num livro estúpido a que ninguém liga! Mais seguiram o exemplo! Fiz um comício! Chorei o ABRIL que nos roubaram! A educação que os meus pais me ensinaram não permitiu concluir – perante aquela gente que merece respeito – com a frase que diria aos passos portas se os encontrasse.
Como diria Jorge Amado, que o Pedro Namora me ensinou:
– um dia a gente muda o destino dos pobres. Um dia a gente muda sim!

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António Borges da Goldman Sachs — Mas o que é isto? E os tótós todos andam a ver passar os ciclistas?????


COINCIDÊNCIAS?.! 

Veja-se esta sequência de acontecimentos: 

1) A TROIKA sugere no “memorandum” a VENDA do Negócio da SAÚDE da CGD; 

2) O Governo nomeia António Borges para CONSULTOR para as VENDAS dos negócios Públicos; 

3) A Jerónimo Martins (Grupo Soares dos Santos) CONTRATA o mesmo António Borges para Administrador (mantendo as suas funções de VENDEDOR dos negócios públicos); 

4) O Grupo Soares dos Santos (Jerónimo Martins) anuncia a criação de um novo negócio: a SAÚDE (no início DESTA SEMANA); 

5) A TROIKA exige a VENDA URGENTE do negócio da SAÚDE da CGD já este mês (notícia de 19/07). 

Tudo coincidências….

Existe algo que está aqui ao contrário…

Quando se defende e reivindica-se para que os médicos possam passar na privada exames comparticipados, existe algo que está aqui ao contrário…
O que se devia reivindicar era o direito a ter-se assistência médica publica para todos, e quando é preciso.
Devia-se exigir que houvesse condições nos hospitais públicos, nos postos de saúde, etc… para terem médicos suficientes, e pagos devidamente para os Portugueses possuírem condições de acesso a um bem fundamental que é a saúde…
Quando se diz que os hospitais públicos gastam mais meios do estado, do que meter os Portugueses a recorrerem aos ditos hospitais semi-públicos e privados, é uma burla…
Basta ver os subsídios que o estado paga a esses hospitais, basta ver o que o estado paga de contribuições a esses hospitais pelo atendimento dos Portugueses, basta ver o que a ADSE paga a esses hospitais, e muito mais…
Por algum motivo, quando os hospitais, clínicas e outros privados não possuem acordos com o estado, estão às moscas… Ou seja existem privados, mas só existe porque o estado paga para eles existirem, e bem…
Vejamos a ADSE, porque é que um utente da ADSE se for a um privado paga uma média de € 3,00 por consulta, mas se esse mesmo utente for a uma consulta de um hospital público paga € 6,00? É mesmo para afugentar estes e outros utentes para o privado…
O que se deve exigir é meios para os utentes serem tratados devidamente, nos hospitais públicos… pois o estado poupa muito dinheiro.
O que se está a passar é deixar a “casa a apodrecer” para depois acabar com ela dizendo que não existem condições de habitabilidade.
Por algum motivo, quando alguém entra com alguma doença grave em um “hospital privado”, a seguir é logo transferido para um publico… pois as capacidades de tratamento são muito mais eficazes e tratamentos caros “nos hospitais privados” é para esquecer… pois estes existem para ganhar dinheiro, e não para “obra social”.
Se acabarem os hospitais públicos, para onde enviam estes doentes? Para o cemitério de certeza…