A Minha Querida Pátria

Os troikistas, desde os anteriores e actuais governantes até aos comentadores e economistas de serviço, não esquecendo o grande líder da “União” Europeia, fizeram a sua propaganda para subjugar o país à condição de bom aluno, tomaram e apoiaram medidas para, como disseram, acalmar os “mercados”, e agora, com o seu patriotismo retardado, sentem-se atraiçoados, queixam-se em uníssono, derramam lágrimas de crocodilo e clamam que as agências de rating são terroristas. Mas ainda não explicaram como é que o país, com uma economia cada vez mais recessiva, pagará a dívida e os juros fixados nos prazos estabelecidos.

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A Minha Querida Pátria


a pátria
os camões
os aviões
e os gagos-coutinhos
coitadinhos

a pátria
e os mesmos
aldrabões
recém-chegados
à democracia social
era fatal

a pátria
novos camões
na governança
liderando
as mesmas
confusões
continuando
mesmo assim
as velhas traduções
de mau latim
da Eneida

enfim
sabem que mais?
pois
vou da peida

Mário-Henrique Leiria

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QUINO E A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Quino, cartoonista argentino autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartoon o seu sentimento:









A genialidade do artista faz uma das melhores críticas sobre a criação de filhos (e educação) nos tempos actuais.


Vida terrena…

Enquanto as populações passam necessidades, os representantes dos interesses de meia dúzia endividam, ainda mais, as câmaras para comprarem estádios e para satisfazerem os interesses de uma minoria que têm como único objectivo acumular riqueza e ceder o pagamento dos “danos”ao estado.

Não existe dinheiro para a saúde, educação, nem para sermos solidários nos momentos de necessidade, de quem precisa. Mas quando é necessário salvar o negócio de alguém, lá vem um “pau mandado” roubar às populações para proteger os interesses do “pau mandante”.

Todos nós sabemos que o futebol, junto com a religião é o ópio do povo, por muito que custe a muitos “crentes” aceitar tal facto.

Mas gostar de futebol ou ser religioso não é o problema, o problema é quando o futebol e a religião se tornam em algo que sobrepõem-se aos interesses da nossa casa, família, colegas de trabalho, e vizinhos, etc…

No que respeita ao futebol, durante 90 minutos podemos esquecer o que nos rodeia, agora não se compreende que passem uma semana a falar do mesmo jogo, das supostas grandes penalidades que não foram assinaladas, da suposta falta que não foi marcada, da suposta falta marcada que não era falta… enfim o povo sente-se arbitro, treinador e jogador durante toda a semana, mesmo quando nunca leu o livro das leis do jogo e das “tácticas”…

Mas ouvem e vêm com muita atenção os programas dos “fazedores de opinião” , fazedores pagos a “peso de ouro” para falarem do que, na maioria das vezes, não percebem e simplesmente tiram a camisa do clube da gaveta para irem doutrinar nos programas que a comunicação social “oferece” aos árbitros, treinadores e jogadores de bancada… mas de alguma forma conseguem boas audiências, assim como somos o único pais que edita diariamente três jornais desportivos…

O sistema agradece, pois enquanto o povo anda entretido com discussões futebolísticas, não ganham sensibilidade para os problemas económicos e sociais que alastram pelo Pais… já era assim no tempo do fascismo…

A religião nunca fez mal a ninguém, antes pelo contrário… se os crentes lerem e entenderem a base da sua religião que são as “escrituras sagradas”, e usarem o seu poder de entendimento e raciocínio irão perceber que as estruturas impostas, monarquicamente, nas suas igrejas não respeitam o ser humano.

Essas estruturas subjugam-se ao poder financeiro, convivendo diariamente com estes e subjugados a eles.
Restando para os verdadeiros crentes, somente a fé…

Enquanto as monarquias religiosas instaladas, em harmonioso convívio com o poder financeiro, vão adormecendo os seus crentes no mundo terreno, dando como caminho o sofrimento na terra, para a paz no céu; Os “monarcas” instalados usam o poder da igreja para terem papel activo na sociedade, não na defesa do povo, mas sim na defesa de grupos que se propagam em todas as estruturas estatais e privadas. Grupos esses que alcançam benefícios para meia dúzia…

Restando para os crentes de fé, umas migalhas que vão distribuindo através da “sopa dos pobres”…

Não interessa a estes “monarcas” a transformação da sociedade, numa sociedade mais justa… onde os rendimentos sejam distribuídos com justiça, e que remunere o trabalho com o seu devido valor. Não lhes interessa ter um sistema social, no qual os doentes e desempregados, tenham com que contar nos momentos difíceis e nos quais mais precisam. Não lhes interessa ter um sistema de educação com o qual “os Homens de amanhã” possam contar, para serem formados intelectualmente e socialmente, a fim de estarem preparados para fazer parte e construir uma sociedade na qual a solidariedade e progresso sejam uma constante.

Antes pelo contrário, interessa-lhes o poder económico e financeiro, para tal como nas monarquias, de modo a ser distribuído entre o “rei, clero e nobreza”, restando ao povo a fé… e umas instituições que vão dando caridade, caridade essa paga pelo estado, com o cognome de solidariedade prestada pelas diversas instituições religiosas.

Em conclusão:

No dia que os crentes do desporto e da religião, ganharem consciência da sua condição e da situação, e na que a maioria da sociedade se encontra… continuaram crentes, mas vão optar por um caminho que vá de encontro ao bem-estar da sociedade em geral, e não de meia dúzia…

Após acabar o jogo, vão usar as suas forças e espírito de colectivo para intervirem na sociedade de forma a mudar o rumo da distribuição da riqueza, e deste modo formaram um clube muito maior… não do fanatismo, mas o clube da verdadeira solidariedade para com a sua família, vizinhos, colegas de trabalho… um clube que vai defender o direito ao trabalho, com direitos e consequentemente uma maior distribuição da riqueza.

Chegará o dia em que os trabalhadores olharão para os seus sindicatos de classe, e irão ver organizações que são essenciais na evolução da sociedade com direitos…

Será o dia em que compreendem,

Organizados têm muita força, enquanto sozinhos resta-lhes curvarem-se perante o patronato e os interesses financeiros de meia dúzia, e rezarem para que o sistema implementado não lhes roubem muito desta vez, e que deixem qualquer coisinha para roubarem na próxima…

ESTÁ TUDO BEM…

Hoje em dia diz-se mal de muita coisa, mas sem que seja dito onde reside o verdadeiro problema…
Sendo que este dizer mal, e a forma como é feito só vem beneficiar aqueles de que se diz mal e o aparelho implementado, que implementou aquilo de que se diz mal…

Podemos dar um exemplo concreto:
O regime implementado deixa que durante anos e anos uma determinada escola vá apodrecendo…
Este mal dizentes, limitam-se a dizer que a escola está a cair e que é perigoso, etc… etc…
Estes mal dizentes, deviam, era, denunciar que estão a deixar apodrecer determinada escola, para a seguir terem um pretexto para a fechar, pois irão alegar que essa escola não tem condições de segurança e que é preciso fechar…
E que este é “um meio de acabarem” com a educação pública….
Mas estes ditos “mal dizentes” ficam contentes só porque tanto alarido fizeram que a escola encerrou, pensam eles é claro, enquanto o sistema implementado esfrega as mãos de contente, pois fecharam uma escola, e assim sobra-lhes, ainda mais, dinheiro para o estado financiar os privados, e “os mal dizentes” deixaram de dizer mal, calaram-se… pois não lhes restam mais reivindicações, atendendo a que a única reivindicação era a escola estava a apodrecer… e se fechou para eles o problema ficou resolvido.
Enquanto aqueles que reivindicam que este sistema só está a dar cabo da educação pública, através do encerramento das escolas, escamoteados através de diversos pretextos, passam a ser os estúpidos…. Pois não havia razão para deixar-se uma escola apodrecida aberta; Fazer obras agora não compensa, pois ficariam muito caras…
Sendo que a definição de caro ficaria ao critério do sistema implementado, é claro.
Isto não acontece só com a educação, acontece com a saúde, a justiça, etc…
No que diz respeito à justiça:
Esses tais mal dizentes nem falam, pois acham muito inovador e de uma inteligência sobrenatural, andarem a construir edifícios para serem instalados os tribunais, em terrenos públicos. Pois a construção é feita à conta dos “bonzinhos” dos grupos económicos, ligados à construção civil…
Sim, à conta dos “bonzinhos”.
São estes grupos económicos que financiam e oferecem a construção dos edifícios nesses terrenos públicos.
Ai está porque são, cada vez mais, considerados grupos económicos com boas práticas para a sociedade, e merecedores de medalhas de grandes benfeitores para a sociedade Portuguesa.
E o que lucram com isto tudo, não é quase nada…
Ao longo vários anos recebem umas rendinhas mensais que oscilam entre 600 mil euros a um milhão, e após o prazo de por volta de 30 anos, ainda fazem o sacrifício de ficarem proprietários do edifício em causa e dos terrenos que eram públicos; Que eram um encargo muito grande manter como públicos, sim um encargo enorme…
Pois é, ainda por cima, ficam com um edifício que sofreu obras e manutenção feitas por eles, ou alguém familiar, e que foram pagas simbolicamente pelo estado, segundo os critérios do sistema implementado, e com acessória destes grupos “bonzinhos”.
Ainda dizem que não existem boas práticas e solidariedade em Portugal…
Desde que o dinheiro do estado não seja gasto na educação publica, na saúde publica, no apoio a quem mais precisa (através da segurança social), na verdadeira justiça… e seja gasto a financiar os negócios privados de quem mais lucra…

ESTÁ TUDO BEM

A democracia do sistema

O sistema está oleado e quando o óleo falta volta-se a olear até que o pretendido seja alcançado.
Um grande exemplo é o tratado de Lisboa que hoje, novamente, está a ser sujeito a aprovação na Irlanda; O sistema é formatar as mentes; Mas de vez em quando essa formatação falha e tem que se arranjar solução para essa falha, e assim é, no que diz respeito ao tratado de Lisboa, a solução é ir a votos as vezes necessárias até que se obtenha o sim, outras o povo não tem direito a opinar sobre algo que irá influenciar, e em muito, a sua vida; Para a grande maioria só vai trazer, ainda, mais dificuldades à vida, em oposição aos que já muito têm e que com a aprovação deste tratado, muito mais vão ter.
Outro tipo de formatação é lançar boatos, como quando Portugal entrou para a União Europeia (sem que os portugueses tivessem direito a opinar, demonstrando a sua vontade), o boato mais corrente e que fez com que as ovelhas andassem felizes e contentes, era que os Portugueses iriam ter os seus salário ao nível dos restantes europeus…
Mas nada de grave, não ficamos com os salários iguais, mas ficamos com o preço dos bens necessários à nossa sobrevivência iguaizinhos, e por vezes mais altos… do que a média europeia.
É como aqueles que acreditaram, e ainda hoje acreditam, no que durante anos e anos andaram-lhes a dizer sobre os comunistas… “…comem criancinhas…”; “…dão injecções aos idosos…”
É só rir, para não chorar… com tanta falta de cultura e inteligência, por quem segue os outros como de uma simples ovelha se tratasse.