Greves justas no Metro


Firmeza na luta e mobilização dos utentes
 
Na terceira terça-feira de greve parcial, os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa realizaram ainda um plenário, na Praça Luís de Camões, onde aprovaram uma campanha de esclarecimento dos passageiros.
 
«A adesão foi esmagadora, apesar das diversas tentativas da administração de, a todo o custo, colocar comboios a circular», informava a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, ao fim da manhã de anteontem, dando conta do resultado da greve que requereu, mais uma vez, o encerramento das estações até cerca das 10.30 horas.


A Fectrans/CGTP-IN lembrou que os trabalhadores lutam pela negociação colectiva, que não é respeitada, e pelo cumprimento do Acordo de Empresa, mas também por «uma empresa melhor, com um serviço de qualidade e seguro, onde utentes e trabalhadores sejam respeitados por aqueles que são nomeados para administrar, mas que não andam de transporte público, porque têm grandes privilégios, tais como salários elevados (aumentados recentemente), automóvel, despesas com gasolina para uso de serviço e privado, pagamento de telemóvel, motorista, etc.».


A nota de imprensa retomava assim a resposta que tinha sido dada no dia 23, em carta-aberta de quatro organizações sindicais, à missiva que o presidente do conselho de administração enviou ao pessoal no dia 21, véspera da segunda greve de quatro horas. A resposta foi retomada na moção que anteontem sintetizou as conclusões do plenário, proposta igualmente pelo STRUP (da Fectrans) e pelos sindicatos STTM, Sindem e Sitra.


Depois de referirem o contexto em que travam esta luta, os trabalhadores do Metro recordam que o AE foi livremente acordado (em 2009 e revisto em 2010), entre sindicatos e administração, para valer até ao final de 2015.


Desde Dezembro de 2010, por força dos OE de 2011, 2012 e 2013, os trabalhadores estão a ser roubados (congelamento de carreiras e anuidades, «comparticipação solidária» no OE de 2011, roubo dos subsídios de férias e de Natal, em 2012, mais a brutal carga fiscal em 2013, mas também a retirada do direito a transporte dos trabalhadores no activo e reformados).


Apesar destes cortes, a dívida do Metropolitano continuou a aumentar, destacando os trabalhadores que juros e «engenharias financeiras» (contratos swap) custaram à empresa, em 2012, 400 milhões de euros, o que representa mais do que oito anos de salários de todo o pessoal do Metro.


Na moção, exige-se do Governo «o mesmo respeito pela contratação colectiva que tem mostrado pelos contratos assinados com os especuladores que estão a sangrar o nosso povo».


Os trabalhadores declaram-se dispostos a «participar activamente em todas as formas de luta, pela urgente interrupção desta política, a demissão deste Governo e a devolução ao povo do poder de decisão sobre as opções políticas». As organizações representativas ficaram mandatadas para, com as das demais empresas do sector, «promoverem a mais ampla unidade possível, para uma resposta colectiva à ofensiva em curso».


Ficou decidido «dinamizar uma quinzena de esclarecimento e mobilização dos utentes, trazendo-os mais activamente para uma luta que também é sua».

Encontro dia 6

As organizações de trabalhadores do sector de transportes decidiram realizar um «Encontro de representantes dos trabalhadores dos transportes e reformados», em Lisboa, no dia 6 de Fevereiro.
As comissões de trabalhadores da CP, da EMEF, da Refer, da TAP e da Vimeca; a Fectrans e o SNTSF e STRUP, da CGTP-IN; e os sindicatos Fentcop, SFRCI, Sinafe, Sindem, Sinfa, Sinfb, Siofa, Sitra e STTM, reunidos no dia 23, defenderam «uma resposta conjunta» à actual ofensiva.
Entenderam ser «necessário lançar o debate com todas as estruturas representativas e trabalhadores do sector, no sentido da realização de uma jornada de luta comum e convergente, sem prejuízos das lutas em desenvolvimento ou das dinâmicas em cada empresa».

 

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Metropolitano de Lisboa

Hoje estava a iniciar a minha viagem sossegada e sem percalços no metro (sossegada e descansada, devido a que estando o metro cheio não corremos o risco de cair, temos sempre um corpo para amparar o nosso), e deparo-me com uma informação, afixada na parede, emitida pelos digníssimos “comandantes” do metropolitano.
Por momentos tive um espasmo cerebral, ao imaginar que a digníssima administração do metropolitano estaria a pedir desculpa por ter sistematicamente as escadas rolantes paradas, por avaria ou por opção própria.
Ou que estariam a informar que iam repor, pelo menos, o numero de metropolitanos a circular nas horas de ponte.
Ou que estariam a pedir desculpa pelo preço que cobram pelas viagens. Que iriam diminuir os privilégios que os membros da administração possuem, assim como o valor dos juros que pagam à banca, para aproximarem o preço das viagens de valores mais justos e em conformidade com os vencimentos que os Portugueses usufruem.
Por fim, disse para mim…
Na… eles estão a agradecer aos trabalhadores do metro pelo excelente trabalho que fazem, e que só devido a isso é que o metropolitano funciona e presta um verdadeiro serviço público, exceptuando o preço que custa, aos trabalhadores portugueses, cada viagem e o passe mensal.
De repente o meu espasmo cerebral terminou, e li a informação…
Informação que pedia desculpa aos utentes pelas sucessivas greves que têm afectado o serviço; Greves essas, segundo estes “patrões”, que eram culpa dos sindicatos que com estes actos queriam destruir o excelente serviço que prestam (deviam estar-se a referir ao trabalho dos administradores, pois se querem roubar os trabalhadores é porque eles não merecem o que ganham).
Enfim…
Estes Senhores deviam explicar aos utentes deste serviço público,
porque é que temos idosos, pessoas grávidas e pessoas com crianças ao colo, a subirem dezenas de degraus…
porque temos das viagens mais caras, na Europa…
porque pagam em juros, por volta do triplo do que pagam em salários aos trabalhadores do metro…
porque as sucessivas administrações, nomeadas pelos sucessivos governos PS, PSD e CDS têm gasto milhões em obras, que poderiam ser feitas com milhares…
porque…
Trabalhadores do metropolitano,
por mim podem e devem continuar a vossa luta contra os roubos que vos têm feito, e que querem continuar a fazer…
Por mim,
não me importo de andar a pé, em solidariedade com a vossa luta.
Não vou gastar parte do meu salário, diário, para apanhar um táxi… quando chegar cheguei…
Não liguem àqueles revoltados que falam, falam… e estão sempre dispostos a servirem de capachos aos patrões… que não têm “disponibilidade financeira para fazerem greves”, mas que têm para gastar em táxis para irem trabalhar…
Não liguem…
Pois estamos, como estamos… porque muitos destes apologistas da “critica burrica” votaram e colaboraram para estes sucessivos governos que têm roubado os nossos direitos…
Muitos destes andam de fato e gravata, mas os filhos passam fome por terem pais cobardes, que abdicaram de lutar pelos seus direitos…
Boa luta…
que eu vou entretendo-me a passear na nossa Lisboa, enquanto dirijo-me para o trabalho.