É vão 10…

JOÃO MIGUEL TAVARES
Publico
01/03/2013 – 00:00
Com a ida do jornalista Licínio Lima para a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, elevam-se para 10 – convém repetir este número: dez – os jornalistas que transitaram da redacção do Diário de Notícias para cargos de nomeação directa do Governo de Pedro Passos Coelho. Por ordem alfabética: Carla Aguiar é assessora do ministro da Administração Interna, Eva Cabral é assessora do primeiro-ministro, Francisco Almeida Leite é vogal da administração do Instituto Camões, João Baptista é assessor do ministro da Economia, Licínio Lima foi nomeado para director-geral adjunto de Reinserção, Luís Naves é assessor de Miguel Relvas, Maria de Lurdes Vale é administradora do Turismo de Portugal, Paula Cordeiro é assessora do ministro das Finanças, Pedro Correia é assessor de Miguel Relvas e Rudolfo Rebelo é assessor de Pedro Passos Coelho. Espero não me estar a esquecer de ninguém.
Entre estas pessoas há, como é óbvio, de tudo: gente inteligente e competente, gente inteligente mas pouco competente, e gente pouco inteligente e muito incompetente. Eu sei disso porque trabalhei durante vários anos com quase todos na redacção do Diário de Notícias. No meio dos dez há inclusivamente uma amiga minha, e se trago para aqui esta lista com nomes concretos não é para acusar ninguém de se ter andado a vender ao Governo enquanto jornalista (embora, a bem da verdade, não ponha as mãos no fogo por todos) e muito menos para acusar o Diário de Notícias de ser um viveiro de “laranjinhas” – até porque na altura de José Sócrates o jornal era acusado de andar a fazer fretes ao PS. Se exponho isto publicamente é, isso sim, porque a minha consciência me obriga a denunciar, com mais do que palavras vagas, a extrema hipocrisia do Governo de Passos Coelho, que anda por aí a pregar um novo Portugal e uma nova forma de fazer política, e depois continua a encher gabinetes e administrações de jornalistas.
O problema, aliás, não é só encher os gabinetes e as administrações – é também a forma como os enche. Quase todos os jornalistas que vão para cargos de nomeação directa saem com requisições de serviço, como se estivessem a ser convocados pelo Governo para ir para a guerra. Ou seja, o lugar no quadro fica assegurado. E as administrações, que recusam com frequência licenças sem vencimento a jornalistas que querem tirar mestrados e valorizar-se profissionalmente, usando o argumento de que são indispensáveis ao funcionamento do jornal, mostram-se depois disponíveis para aceitar estas saídas para o Governo, mesmo que às tantas elas já representem 10 ou 15% da redacção, como é o caso do DN. E mostram-se disponíveis porquê? Não é porque concordem, nem porque não lhes desse jeito aliviar o quadro. É porque não querem chatices com os Miguéis Relvas desta vida.
Caído o Governo, corrido o pessoal dos gabinetes e das administrações, esses jornalistas regressam então alegremente às redacções de origem, como se aquele período às ordens dos políticos, passado a praticar spin, fosse um curso de formação profissional – que, com sorte e boa capacidade argumentativa, até os vai habilitar a exercer melhor a sua actividade no futuro. Querem uma explicação para o estado em que Portugal se encontra? Têm aqui mais uma.
Enquanto os portugueses são espremidos de segunda a domingo, e Pedro Passos Coelho utiliza discursos comoventes sobre a necessidade de modificar a mentalidade da pátria, o que se vê nas estruturas do Estado é o mesmo de sempre – ou até um bocadinho pior, porque saltarem dez jornalistas de uma única redacção deve ser algo inédito na história da democracia portuguesa. Pela boca morre o peixe, e pela boca há-de morrer este Governo, que é incapaz de manter a elevação ética necessária para impor os níveis gigantescos de sacrifícios que os portugueses estão a suportar. Promulgam-se novas leis laborais, exige-se a perda de velhos hábitos, tudo se quer flexibilizar, mas o círculo dos protegidos, esse continua ao abrigo de todas as tempestades.
Com as empresas de media a atravessarem extremas dificuldades, com cortes salariais constantes e falta de perspectivas na profissão, qualquer lugar num gabinete de imprensa é uma atracção irresistível para um jornalista que começa a ver a sua vida a andar para trás. Só que tudo isto mina de forma indelével a imagem de políticos e de jornalistas, duas classes essenciais para nos tirarem do pântano onde nos encontramos, mas que todos os dias, de forma suicida, se vão afundando um bocadinho mais. Até porque se dá esta suprema ironia – cereja em cima do bolo da incompetência – de quantos mais jornalistas se contratam mais desgraçada parece ser a comunicação do Governo. E diante disto, até eu, que votei no PSD, fico cheio de vontade de cantar a Grândola. É uma vergonha, senhores.
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Verdadeiro jornalismo

O rapaz que anda a governar Portugal com um livro do seu ídolo. Já estivemos mais perto do seu tempo !!!
O repórter fotográfico Luís Carregã fez publicar na primeira página do diário As Beiras, uma foto que é uma peça de verdadeiro jornalismo.
Nela se vê que Pedro Passos Coelho anda a ler o livro “A diplomacia de Salazar”, em que Bernardo Futscher Pereira evoca a vertente externa da política de outro governante (entre a ascensão do Presidente do Conselho ao cargo, em 1932, e a adesão de Portugal à NATO, volvidos 17 anos). 
O instantâneo captado por Carregã, em Coimbra, corresponde ao que aos manuais definem como autêntica obra de fotojornalismo, na medida em que comporta informação dificilmente alcançável por outra forma. 

A foto mostra Passos Coelho no interior da sua viatura, em cujo banco traseiro sobressai “A diplomacia de Salazar”. Só espero que não venha um(a) qualquer fundamentalista da privacidade do primeiro-ministro alegar que ela foi violada pela perspicácia do repórter.

Mais do crápula

O crápula sabujo Mário Crespo escreveu achando que a cunha do seu amigo Miguel Relvas seria seguríssima, como foi rejeitado o seu veneno manifesta-se todas as noites denegrindo a imagem da RTP informando milhões de custo e/ou prejuizo (não é verdade, pois este ano dará lucro) e depois despede-se imitando o filme do Geoge Clooney “Good Night and Good Luck”…ridículo,  vejam:



Caiu a máscara de um crápula

O texto vem de Moçambique que ao que parece têm em fraca conta o jornalista Mário Crespo.
O sujeito que observo neste texto é aquele que diariamente fecha o telejornal  da SIC dizendo que a RTP gasta,  diariamente, não sei quantos milhões e que dá pelo nome de Mário Crespo.

Este sujeito foi meu colega de liceu salazar, em Lourenço Marques, hoje Maputo. Sempre foi mau estudante, mas cheio de truques e boas amizades, sobretudo com a Mocidade Portuguesa.
Á custa das amizades, supõe-se, fez a “guerra” como relações públicas do Gen Kaúlza de Arriaga,  Comandante Chefe, em Moçambique.
Com o fim da guerra tornou-se no “papagaio” da rádio do apartheid na África do Sul, a SABC.
Com os estertor do regime sul africano, esperto como é, resolveu mudar de ares. Como era bem falante em inglês,e certamente com bons contactos nos protectores do apartheid (USA), veio para Portugal onde logo lhe ofereceram um bom tacho na RTP- correspondente em Washington. Trabalhava pouco, o que parece ser mal de nascença, mas gastava muito do dinheiro de todos nós, em cartões de crédito, ajudas de custo, festas, whisky etc. Foi devolvido, por má figura, para Lisboa. Infelizmente, em vez de ser despedido, foi colocado na prateleira onde a SIC o foi buscar.
Imaginem quem o repatriou de Washington para Portugal. Um governo do PS! Está explicado o posicionamento político do crápula.
Os jornais revelaram que o seu amigo Relvas apadrinhava o regresso do Crespo à RTP. O Presidente da RTP, e bem, recusou.
Foi demitido.

PS- Para que se saiba.Quando durante o governo de José Sócrates, este já farto do aproveitamento da posição de pivot na SIC Notícias, Mário Crespo fazia em directo uma campanha sem fundamento e contra o governo, José Sócrates então declarou num restaurante a um amigo que almoçava com ele, que era preciso afastar o Mário Crespo. Esta frase de desabafo foi ouvida numa mesa ao lado onde se sentava um amigo do Mário Crespo que lhe foi dizer, atiçando-o e dando origem a uma série de atitudes de aproveitamento político que envolveram a Assembleia da Republica onde o Mário Crespo também foi depor, fazendo então uma cena ridícula com uma Tshirt. Ora, quem era o amigo do Mário Crespo que ouviu o desabafo de José Sócrates….foi o “dr” Miguel Relvas.
Pertencem ambos ao mesmo conjunto de pessoas-tipo.

De alguém que não sei quem…

Iluminados no escuro…

A Comunicação Social é dominada pelo poder económico que em defesa dos seus interesses apregoa e mentaliza os trabalhadores de que só existe um caminho, e esse caminho é aquele idealizado para aumentar os lucros do poder financeiro.

Nesse caminho vale tudo, desde que não se vá contra os interesses de quem domina.

Os dominadores, serve-se de gentalha que deixa-se ser usada em troca de um status social e de uns trocos que fazem parte de grandes fortunas obtidas através do trabalho de trabalhadores, que são obrigados a aceitar trabalho, por meia dúzia de tostões.

Tostões que não chegam para sobreviverem, quanto mais para viverem decentemente.

A Comunicação Social, detida pelos detentores, ou devedores, do capital financeiro constroem os seus “impérios” dando voz, somente, aqueles que apregoam os caminhos delineados por esses detentores ou devedores.

Por isso é que diariamente vemos nas televisões os Marcelos, Angelos Correias, Sousas Tavares, Barretos e amigos… os pseudo constituicionalistas Mirandas e companhias…

Quem limita-se a ver a Televisão e os Jornais alinhados, fica limitado no seu pensamento e raciocínio, e dali não sai. Estes, diariamente, apregoam o inevitável e as teorias alinhavadas pelos “poderosos dominantes”.

Estes “limitados” quando se deparam com uma pessoa que fala de coisas e meios diferentes, dos já absorvidos, limitam-se a dizer que não é assim, e debitam o que lhes formataram…

Perante contradições e argumentos objectivos estes limitados, limitam-se a dizer “é tudo igual…” pois foi mais uma forma dos mentalizarem, que em caso de duvida não devem raciocinar mas deitarem-se e dormirem… ou irem à bola e lerem um jornal desportivo.

Os seus “donos” é que sabem e todos os outros ou são burros, ignorantes, ou são comunas…

Como já estão formatados em relação aos comunas, mantêm o pensamento dominante e vão ver o futebol.

Durante muitos anos, e no presente, o povo foi doutrinado sobre tudo o que era diferente da doutrina, se não está dentro da doutrina é satânico… e eles querem ir para o céu, logo fogem do diabo a sete pés.

O diabo é mau, o diabo come criancinhas, nacionaliza galinheiros… logo os doutrinados que são “gente iluminada e cheia de fé” têm que fugir.

Antigamente os “iluminados” denunciavam à PIDE… agora só resta-lhes fugir.

Os iluminados estão cientes de que devem sofrer na terra para atingirem o céu…

Logo, serem explorados pelo patrão; trabalharem e o fruto do seu trabalho não ser suficiente para sobreviverem, quanto mais para viverem, faz parte da fé, e a fé diz que isto é que está certo…

Isto mais não é do que uma prova na terra para alcançarem o céu. Seguindo a lógica, devem deixar o prazer na terra para aqueles que os exploram.

Mas até os “iluminados” fraquejam, para isso precisam de serem acompanhados por quem tem o poder de os absolver na terra, para conquistarem o céu.

No entanto, para quem não é iluminado, é necessário e urgente conquistar uma sociedade justa…

Uma sociedade que atribua um valor justo ao trabalho, e que seja solidário com quem precisa e quando precisa…

Mas esmolas não… as esmolas fazem parte da fé para expurgar os pecados na terra…

Ainda Mário Crespo…

Que a liberdade de expressar o pensamento, através da comunicação social generalista, já não existe à muito tempo, não é novidade nenhuma…

Para ser jornalista, nesta comunicação social, é necessário seguir o alinhamento do pensamento em que se pode rosnar, mas não morder.

Isto é possível porque só são admitidos jornalistas após triagem de “linha do pensamento”, se o pensamento evoluir para outro lado é fácil, pois a precariedade no jornalismo dá jeito para muitas coisas, nomeadamente para limitar as ideias de quem tem a obrigação de explanar e informar a verdade que nos rodeia…

Mas para informar, também, é preciso saber e ter conhecimentos suficientes para reflectir sobre o que está em causa, o que não acontece, na maioria dos casos, pois cada vez mais sabe-se menos.

Quando houve a aprovação do Código de Trabalho, em que só houve dois partidos a votarem contra, pouco ou nada se discutiu de verdadeiro sobre o que estava em causa, perdeu-se tempo a discutir o sexo dos anjos, enquanto estava em causa situações gravíssimas, como já pudemos sentir na pele e outras que são camufladas, mas existem em beneficio de quem tem mais poder, contra quem trabalha para viver.

Isto para dizer, é preciso deixar a discussão do sexo dos anjos e discutir o que realmente anda a matar a nossa sociedade, e a desgraçar as famílias do nosso País.