Um dia, mais tarde ou mais cedo, vai saber-se que a crise actual foi decidida num dos muitos centros de poder oculto espalhados pelo mundo.

Um dia, alguém tem acesso a documentos de uma reunião de um clube privado tipo Bilderberg, a uma inconfidência por parte de uma fonte género Trilateral, a uma acta redigida e assinada por mãos invisíveis, e lá virá a lume a criação e implantação de uma estratégia da crise para acabar de vez com os direitos conquistados pelos assalariados desde a revolução industrial, para exterminar os direitos humanos de cariz social.

Porque quanto a esta crise as informações mais recentes revelam que a par da extinção de milhões de empregos e postos de trabalho, do aumento brutal do desemprego e da precariedade, do congelamento ou mesmo da redução de salários e pensões, do extermínio de subsídios sociais, do empobrecimento geral das classes média e média baixa, a par de toda esta desolação que se abateu sobre o mundo, “o que os mercados e a economia destruíram em 2008 foi reconstruído em 2009”. E assim, nos termos do relatório mundial de riqueza, elaborado pelo Merrill Lynch e pela Capgemini, não só passou a haver mais ricos no mundo, como as fortunas dos mais ricos dispararam em plena crise. E desse modo, o número de particulares com grandes fortunas aumentou 17,1%, para dez milhões de pessoas, em 2009 face ao ano anterior. E a riqueza das dez milhões de pessoas com mais de um milhão de dólares para investir subiu 18,9% para os 39 biliões de dólares em 2009.

Um dia, mais cedo ou mais tarde, alguém vai desvendar o mistério. Resta saber se a descoberta ainda virá a tempo da época da liberdade de expressão e de imprensa, ou se esse tipo de direitos também já terá sido arrastado na enxurrada da “mudança dos tempos”.

joaopaulo.guerra@economico.pt

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