Império dos comentadores da TV

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«O império dos comentadores onde quem manda são os políticos» foi o título de um artigo publicado em 12.05.2013, no Público, que contém alguns números estonteantes.

Para começar este: «Se aos quatro canais generalistas se juntarem os canais de informação portugueses no cabo (RTP Informação, SIC Notícias e TVI24), é possível assistir a 69 horas de comentário político por semana. O equivalente a quase três dias completos em frente à televisão.» Que ninguém se queixe de falta de interesse das televisões pela política: mais do que isto só futebol!

Dos 97 comentadores com presença semanal na televisão, 60 são actuais ou ex-políticos. Sem espanto, em termos de número de comentadores, o primeiro lugar do pódio é ocupado pelo PSD, seguido pelo PS e pelo CDS. E embora o PCP tenha mais deputados na Assembleia da República do que o Bloco, este está quantitativamente melhor representado.

Mas os números de facto impressionantes, se verdadeiros, são alguns (poucos) que são divulgados quanto à maquia que estes senhores levam para casa. E se não me suscita qualquer aplauso o facto de José Sócrates ter querido falar pro bono na RTP, considero um verdadeiro escândalo que Marcelo Rebelo de Sousa ganhe 10.000 euros / mês (mais do que 20 salários mínimos por pouco mais de meia hora por semana a dizer umas lérias), Manuela Ferreira Leite metade disso e que Marques Mendes tenha preferido passar para a SIC por esta estação ter subido a parada da TVI que só lhe propunha 7.000. Claro que estamos a falar de estações privadas, em guerras de concorrência. Mas algo de muito estranho e esquizofrénico se passa num país quando o valor de mercado destes senhores é deste calibre. Estaremos em crise, mas comentá-la compensa e recompensa – e de que maneira!

AINDA HÁ MAIS

Os programas desportivos (trio de ataque, o dia seguinte, prolongamento, contra golpe, etc ) têm comentadores que defendem interesses instalados e não fazem análises honestas e isentas.

A maioria dos comentadores estrategicamente colocados são medíocres, intelectualmente desonestos e incompetentes.

Pasme-se auferem uma média de 1250 euros por programa de uma hora, ou seja, 5000 euros por mês.

No entanto a maioria destes opinadores, diariamente, com uma leve crítica defende este sistema e de que não existe alternativa; ou fazendo-se de grandes apolíticos metem todos os partidos políticos no mesmo saco, algo que o regime democrático do capital agradece. Pois aqueles que falam, falam… protestam, protestam… não causam estragos, os estragos só podem ser feitos com organização e em prol de um ideal colectivo, sendo que os ideais individuais são óptimos para distrair.

Esta distracção é muito útil, é muito útil o povo ser induzido de ideias e fazendo destas as suas ideias, mesmo sem as questionarem “intelectualmente”, nem sequer perceberem o que está em causa. Depois o povinho pega nos dizeres dos outros, e faz seus esses dizeres… querendo demonstrarem-se muito “sabedores”, sabedoria essa que mais não é do que palavras e ideias formadas para estupeficar o povinho e para que estes continuem a estupeficar o resto do povinho.

Depois muda-se as caras, e o povinho lá vai todo contente…

Veja-se o caso da UGT que andou a vender os direitos dos trabalhadores, mas muitos achavam que não… que estavam a defender os trabalhadores (nestes casos dá jeito o rosto do capital serem trabalhadores, sim que os patrões são trabalhadores). Quando já havia “gatos” a mais e a percentagem do povinho que já estava descrente aumentava drasticamente… lá se arranja outro secretário-geral, e que só por acaso parecia que nada tinham a haver com o que se tinha passado anteriormente.

Como agora acontece com o PSD e CDS falam como se tivessem nascido agora; e que aquele que destruiu a maioria do sector produtivo de Portugal (pescas, agricultura, industria,…) nada tivesse a haver com eles.

Nisto só se safa o Presidente da República que antes de ser eleito para PR tinha acabado de ser descongelado, e nunca teve oportunidade de ver como um tal Cavaco Silva deu cabo do que tínhamos, e entregou os lucros do nosso tecido produtivo aos trabalhadores capitalistas e agiotas.

Mas isto não interessa, o que o povinho precisa é de futebol, telenovelas e muitos opinadores para que estes possam-lhes poupar a massa cinzenta, sim que ver a realidade e pensar cansa, e muito… Somos tão felizes quando não vemos.

É preciso ter muita fé, e ouvir as palavras dos Bispos… pois esses é que sabem com controlar o rebanho.

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Nova habilitação profissional: O Engraxanço e o Culambismo Português

Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.

Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.

Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc… Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.

Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador.
Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo.
(…) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.
Miguel Esteves Cardoso, in ‘Último Volume’

Aluno do vídeo dos ‘universitários ignorantes’ ameaça processar a Sábado

É um sucesso na internet, mas um dos alunos visados no vídeo ‘A ignorância dos nossos universitários’ acusa a revista Sábado de manipulação e ameaça com acção legal.

Qual é a capital dos Estados Unidos? «Inglaterra», responde uma aluna universitária inquirida pela revista Sábado num vídeo que faz sucesso na internet. Quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo? «Moisés», responde outro estudante. Quem pintou o tecto da Capela Sistina? «Miguel Arcanjo», respondeu João Ladeiras.

Agora, dezenas de milhares de visualizações e centenas de comentários jocosos depois, João veio explicar a gafe e condenar a jornalista autora do vídeo do momento.

«A verdade é que me fizeram dez perguntas e só mostraram a que eu errei que, como podem comprovar os que se encontravam presentes, acabei por corrigir e responder, então, Miguel Ângelo. Em todo o caso, a minha resposta deveu-se ao simples facto de ter frequentado o Externato São Miguel Arcanjo e, ao mesmo tempo, com a pressão da própria entrevista, dei essa mesma gafe – corrigindo-a assim que [me] apercebi», escreve João numa nota no Facebook.

«Para além de ter sido humilhado como nunca tinha sido até à data, ficou em causa o bom nome da instituição que eu frequento, o ISPA […]. Acabei por ser vilipendiado em praça pública, sentindo-me completamente desolado», acrescenta o estudante.

Após a publicação do vídeo, que complementa uma reportagem da edição impressa da Sábado sobre o nível de cultura geral dos jovens portugueses, João terá tentado contactar por duas a jornalista daquela publicação, em vão. No Facebook, partilha uma das mensagens enviadas: «’A ignorância dos nossos universitários’, se se sentir bem com o trabalho que realizou, digo-lhe, com tristeza, que você e os restantes colegas são ignóbeis. Vou ainda dirigir-me às autoridades competentes para apresentar uma queixa formal sobre o uso indevido da minha entrevista, sabendo você qual a razão dessa mesma denúncia/queixa».

Na sua edição online, a Sábado esclarece que o vídeo resultou de um teste de 20 perguntas, divididas por dois questionários de dificuldade mínima, realizado junto de uma centena de alunos de várias universidades de Lisboa.

Questões como «Quem é Manoel de Oliveira?», «Qual é a capital de Itália?» ou «Qual o maior mamífero do mundo?»ficam sem resposta, ou são retribuídas com palpites insólitos – «É um maestro», «Florença» ou «O elefante em África e o mamute na Antárctida», responderam respectivamente alguns dos inquiridos.

É ainda revelado que há quem pense que o símbolo químico da água é «PH», que «Bush» ainda é Presidente dos Estados Unidos, que «Leonardo Di Caprio» pintou a Mona Lisa, que a Comissão Europeia é presidida por «um francês» e que O Padrinho foi protagonizado por… «Vasco Santana».

SOL

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=34082

A hipocrisia dos Alemães


O Lidl aplicando a táctica de fazer desconto em produtos, no qual o preço original é por eles estipulado, táctica essa que já tem “teias de aranha”;

Atendendo que a publicidade deste suposto desconto leva as pessoas a deslocarem-se a esse supermercado, comprando o produto em causa assim como outros produtos diversos. A pessoa que já foi mentalizada para o “baixo” preço de um determinado produto, na maioria dos casos, já não está com a verdadeira consciência do que está a comprar e qual o preço.

Mas o essencial da questão não está neste aspecto…

O Lidl com a desculpa, da “pena” (acho que eles também vendem galinhas) que têm do corte que os trabalhadores vão sofrer no subsidio de natal, dizem que vão fazer descontos proporcionais, em alguns produtos, a esse corte.

Que hipocrisia…

Antes de mais a publicidade que a comunicação social deu a estes supermercados, custa mais de 100 vezes do que os supostos descontos;

O Lidl trata os seus trabalhadores como criados para todo o serviço, e quando querem.

Obrigam os trabalhadores a levantar com os seus bracinhos, litros e litros de agua para cima dos tapetes das caixas; Pois é obrigatório que toda a mercadoria seja posta no tapete, de forma cega e muda, mesmo que dentro dos carros estejam 50 garrafões (iguais) de 5 litros agua. Como o cliente não tem que se sujeitar a esta regra estúpida, lá vai a rapariga da caixa transportar 250 quilos.

E como quem implementou esta regra, foi alguém que é bem pago pelo Lidl para sujeitar os outros à escravidão, essa regra é impreterível.

Em relação aos trabalhadores do Lidl, podem-se contar pelos dedos das mãos o número de trabalhadores que possuem contrato sem termo, essa contagem não é por loja é por Distrito.

Quanto ao salário, nem precisa do corte dos 50% para ser miserável; Os trabalhadores não estão classificados, nem recebem o equivalente ao que o seu CCT estipula para as suas funções. Mas as funções também são duvidosas, pois ao abrigo da polivalência estes trabalhadores tanto estão nas caixas de pagamento, a repor artigos, a carregar mercadoria e a fazer a limpeza.

Assim qual é o problema de pagarem, à maioria, como de trabalhadores de limpeza se tratassem?

Isto é tal como acontece em certas casas;

O marido bate e maltrata a esposa e os filhos, sai para fora de casa e é só sorrisos e beijinhos com as mulheres dos outros e os filhos dos outros…

A Ironia é que este grupo vem tentar passar uma mensagem de “pena” dos trabalhadores, quando este grupo pertence a um País que é um dos verdadeiros culpados pela situação actual. Aliás são os verdadeiros patrões da troika e companhia.

Pais que tem-se sustentado à conta da miséria dos outros, são uns verdadeiros parasitas…

São os lucros e não os salários!


No dia seguinte ao chumbo pelo PS, PSD e CDS da proposta do PCP na Assembleia da República que visava a tributação dos dividendos dos grupos económicos, cuja distribuição estes decidiram antecipar de 2011 para 2010 – roubando assim umas centenas de milhões de euros ao Estado –, surgiu com grande estrondo nos principais meios de comunicação social a notícia de que, nos Açores, os salários dos trabalhadores da administração pública regional não seriam alvo de cortes.

As reacções foram as que se esperavam. Na tentativa de fazer esquecer a vergonhosa recusa da proposta do PCP sobre a taxação dos dividendos e de recentrar o debate ideológico no corte nos salários, sucederam-se declarações durante toda a semana.

Desde logo do próprio Presidente da República (e também candidato), que tinha ficado calado perante a golpada dada pelos grupos económicos com a antecipação da distribuição dos dividendos mas que, em relação aos cortes salariais, até a Constituição da República decidiu invocar para exigir a penalização de todos os trabalhadores. Uma declaração, aliás, coerente com uma vida de ataque aos salários quer como primeiro-ministro, quer como Presidente.

Manuel Alegre, também ele candidato à PR, no seu contorcionismo habitual, nuns dias criticou a decisão dos Açores, noutros considerou-a legítima. Enfim, o costume de quem quer andar à chuva sem se molhar.

E no meio desta erupção mediática, onde medram cálculos e oportunismos vários, registe-se ainda a dupla face de BE e CDS. Quem ouviu a deputada do CDS condenar o Governo por permitir a «excepção» aos cortes nos salários não imaginaria que o seu partido se tinha afinal abstido em relação a esta proposta nos Açores. E quem viu os deputados do BE a votar contra esta decisão na Assembleia Legislativa Regional nunca imaginaria que dias depois Francisco Louçã haveria de a defender com tamanha convicção.

Enfim, sobra o claro posicionamento de classe e a respectiva coerência de argumentos do PCP. Que não só esteve contra o corte nos salários como propôs e votou a favor de um apoio compensatório aos funcionários públicos nos Açores. E que não só denunciou a inaceitável manobra dos grupos económicos de fuga o fisco como apresentou uma proposta concreta para impedir tal golpada. Pois sabemos que é nos lucros escandalosos dos grupos económicos e não nos salários que se encontram as razões de tantas injustiças

Vasco Cardoso

EUA suspendem retirada de feridos graves do Haiti


O Exército norte-americano suspendeu hoje os voos de retirada de feridos graves haitianos, à espera de uma decisão sobre quem paga os seus cuidados médicos.


“Temporariamente suspendemos os voos de evacuação dos haitianos, mas temos meios de os retomar”, disse o capitão Kevin Aandahl, porta-voz da Transcom, unidade de gestão dos transportes do Pentágono, num comunicado enviado à France Presse.

“Aparentemente, alguns Estados (norte-americanos) recusam-se a aceitar no seu território pacientes haitianos que precisam de cuidados pós-operatórios, e nós não podemos transportar se não nos deixam aterrar”, prossegue no mesmo texto.

Alguns Estados, como a Florida, declinam o encargo dos custos dos cuidados prestados aos haitianos feridos na sequência do sismo de 12 de janeiro.

O governador da Florida, Charlie Crist, pediu já oficialmente ao Governo Federal que participe nos custos dos cuidados prestados aos haitianos.