O caminho para a 3ª Guerra Mundial

“Que tipo de psicopata está disposto a provocar intencionalmente um conflito global que levaria a milhões de mortes só para proteger o valor de uma moeda de papel? Quem puxa os cordelinhos? Muitas vezes, a melhor resposta para perguntas como esta encontra-se colocando outra pergunta: Quem se beneficia?”

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Emigrei e agora tenho este fascista a olhar para mim

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POR PEDRO RIBEIRO | 7 DE AGOSTO DE 2013

A saudade não é o único problema para quem decide emigrar, nem que seja para a melhor cidade do mundo

Um em cada quatro portugueses tem vontade de emigrar. Com a crise, todos os anos há cem mil pessoas, um por cento da população, que emigram mesmo. Em Janeiro foi a minha vez. Não me arrependo. Mas há obstáculos que talvez não ocorram aos 25% que sonham libertar-se da crise e deixar Portugal para trás. Por exemplo, agora tenho aquele fascista da foto ali em cima a olhar para mim.

Emigrei para a Áustria, para a cidade com “a melhor qualidade de vida no mundo”. Não sei se o referido estudo da Mercer tem mesmo razão, mas vive-se de facto muito bem em Viena. A minha família de quatro mora num bairro perto do centro, e no nosso quarteirão há um supermercado onde vamos quase todos os dias. Em frente ao supermercado há um placard publicitário com propaganda política (a Áustria tem eleições legislativas a 29 de Setembro). No cartaz vê-se um indivíduo de meia-idade com um sorriso Pepsodent, ladeado de um par de jovens também sorridentes. Em alemão, promete “Mit ihm gibt’s echte Chance für unsere eigene Jugend!” O que significa mais ou menos “com ele haverá oportunidades a sério para os nossos jovens!”

À primeira vista, o cartaz é inócuo. Mais um político com sorrisos de plástico acompanhado por figurantes de agência e um ‘slogan’ estereotipado.

Só que o indivíduo promete “oportunidades a sério” apenas para “os nossos jovens” – não para os imigrantes que constituem quase um quarto da população de Viena. Bastaria dizer que era só os “nossos” (“unsere”) jovens, mas o cartaz faz questão de frisar que são os “nossos próprios” (“unsere eigene”), para que não restem dúvidas sobre quem está ou não incluído.

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Esta não é uma interpretação abusiva. O fulano do cartaz chama-se Heinz Christian Strache, e é o líder do FPO, o partido da extrema-direita austríaca. Talvez o nome FPO lhe diga alguma coisa; é a sigla em alemão de “Partido da Liberdade”, e tornou-se famoso em toda a Europa no ano 2000, quando foi o partido mais votado nas eleições austríacas e chegou ao Governo.

O líder do FPO na altura era Jörg Haider, um sujeito truculento com uma retórica antiemigração e um gosto por gestos criptonazis – ou apenas nazis, sem o “cripto”, como ir a um jantar de antigos membros das Waffen SS (as tropas de elite do regime nazi) e dizer que os participantes eram patriotas e boas pessoas.

A União Europeia, que na altura não tratava só de questões de crise e austeridade, impôs sanções a Viena. Na curiosa terminologia da época, estendeu um “cordão sanitário” à volta da Áustria. As sanções não eram nada de extraordinário: essencialmente, o Governo austríaco não seria convidado para algumas reuniões e conferências comunitárias.

O FPO manteve-se no Governo austríaco mas Haider ficou de fora e prometeu, basicamente, não se portar muito mal.

 A situação acalmou, o FPO acabou por sair do Governo, e a estrela de Haider apagou-se.  Nos anos seguintes, foi notícia fora da Áustria sobretudo graças à sua  amizade próxima com um dos filhos de Muammar Kadhafi.  Em 2008, morreu num acidente de viação. A sua morte foi notícia em parte pelas circunstâncias: estava bêbedo, e vinha de um clube gay. Para a maior parte dos austríacos, a homossexualidade de Haider era um segredo de polichinelo; a imprensa internacional deu mesmo assim muita atenção às declarações do seu sucessor político e amante, que confirmou que Haider era “o homem da sua vida”.

Por essa altura, Haider já não era líder do FPO. Tinha abandonado o partido em 2005, juntamente com membros de uma fação mais moderada, numa cisão ideológica com a linha dura do “Partido da Liberdade”.

Ora, para não perdermos o fio à meada, Haider, o neonazi amigo dos Kadhafis, tão de direita que a Europa boicotou a Áustria quando ele chegou ao Governo, representava a ala moderada do FPO. Este moderado foi empurrado do partido por Heinz Christian Strache, técnico de higiene dentária por profissão (o tal sorriso Pepsodent não é por acaso).

Sou indesejado por um quinto dos austríacos

Há alguns anos, Strache processou uma revista austríaca por ter escrito que ele mantinha “contactos com neonazis”. O tribunal decidiu a favor da revista, considerando que havia “uma base factual adequada para demonstrar uma certa proximidade com ideias nacional-socialistas”. Embora Strache vire a sua hostilidade sobretudo contra imigrantes muçulmanos, também consegue ser antisemita.

Chamar-lhe fascista é um pouco indelicado, mas não é exagero. A imprensa costuma tratá-lo por etiquetas mais brandas como “populista” ou “nacionalista”. São esses eufemismos que normalmente se reserva em Portugal ao Partido Nacional Renovador, o PNR, que, em 2007, espetou no centro de Lisboa um cartaz com o slogan “Basta de emigração”. Lembra-se do cartaz, com o aviãozinho a partir e a legenda “façam boa viagem”? Talvez se recorde da resposta genial dos Gato Fedorento.

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Na altura, a polémica parecia-me meramente ridícula. Agora que faço parte do grupo fico a pensar no que sentiriam os imigrantes brasileiros, africanos, ucranianos, romenos a quem o PNR dizia “boa viagem”.

O cartaz de Strache não é tão boçalmente agressivo como o do PNR. Mas o FPO também não é nenhuma excrescência eleitoral como o PNR (que nunca ameaçou chegar sequer perto de um por cento dos votos). O FPO de Strache deverá ter perto de 20% nas eleições de setembro. No ano passado, chegou até a estar à frente nas sondagens, à frente dos dois partidos que constituem a coligação do tipo “bloco central” que agora governa a Áustria.

As sondagens também confirmam que, para os eleitores do FPO, o tema mais importante é a imigração. Apoiam Strache precisamente porque ele faz voz grossa contra os imigrantes.

Ou seja, um quinto dos eleitores no país onde eu agora vivo considera-me indesejável. Esta constatação não é saudável para mentalidades paranóicas. O funcionário que me tratou mal na repartição das finanças foi antipático de propósito? Este fulano está a olhar de esguelha para nós por nos ouvir a falar em estrangeiro? Se calhar não era para nós que o fulano estava a olhar. E se calhar o funcionário das finanças é antipático com toda a gente. Quase todos os austríacos que encontrei até agora foram no mínimo cordiais.

A Áustria é um país bastante generoso para os estrangeiros. Para quem ultrapassar a barreira da língua, há muitas oportunidades. O estereótipo que nós temos deles – ordeiros, eficientes, diligentes – é essencialmente verdadeiro. E desconfio que, apesar de nós nos considerarmos um povo acolhedor e fraterno, não tratamos os imigrantes melhor do que eles, antes pelo contrário.

Mas receio nunca vir a sentir-me completamente à-vontade na Áustria. Neste país tão avançado, tão eficiente, tão próspero, hei-de sempre sentir-me como um convidado, sobretudo quando o tipo da foto estiver ali a recordar-me que, para ele e para os outros como ele, eu não sou bem-vindo.

Uma casa portuguesa

Talvez eu é que tivesse expectativas exageradas. Julgava que, sendo de um país da União Europeia, ir viver para outro país da Europa seria como ir para uma cidade que fica só um bocadinho mais longe e onde se fala uma língua diferente.  Não é. Com excepção da burocracia (e isso já é muito), um português na Áustria é tão ou mais estrangeiro que um russo ou um turco. Na linguagem dos eurocratas, ainda não há uma “cidadania europeia”.

Contudo, este desconforto não me é completamente novo. Muitos anos antes de vir para Viena, vivi três anos nos Estados Unidos. Gostava de lá estar mas, para minha surpresa, ao fim de três anos já tinha saudades de casa. Não só da família e dos amigos, mas da sensação de estar em casa.

Julgava-me acima disso – um cidadão do mundo, capaz de ultrapassar os laços da nacionalidade, de me sentir confortável em qualquer lado. Hoje em dia há Skype, há Web, tem-se notícias das pessoas e pode ver-se o futebol na televisão. Não pode custar assim tanto deixar para trás a nossa terra? Bem, afinal custa.

Ora, isto não é bem a mesma coisa que ter saudades especificamente de Portugal.

Não tenho saudades do Cavaco e do Passos, da austeridade e dos impostos, das ruas com buracos e dos carros estacionados em cima do passeio, das filas na loja do cidadão e nas finanças, dos prédios degradados e dos subúrbios feios, da sensação de tudo fica na mesma tirando o que fica pior.

E a experiência de viver no estrangeiro é boa. Conhecer outros sítios, outra gente, perceber como o nosso país é só uma parte pequenina do mundo. Faz-nos bem sair do conforto da nossa terra – tão distante e isolada.

Vir para longe de Portugal não me faz sentir que a minha terra é melhor do que as outras. Pelo contrário: viver lá fora dá-nos uma nova perspetiva sobre os defeitos do nosso país. Mas ser convidado, mesmo do melhor dos anfitriões, nunca é tão bom como estar em casa. E esse, oh 25% dos portugueses que sonham com emigrar, é o vosso consolo: estão em casa.

Publicado em http://www.carrosselmag.com

O triunfo dos porcos (gordos)

Um perfeito imbecil
Miguel Relvas, o verdadeiro primeiro-ministro do governo do senhor Coelho, em entrevista à TVI, deu a entender que o corte dos subsídios de Natal e de férias pode ser estendido ao sector privado e vigorar, não por dois anos, mas para sempre. Adiantou que “muitos países da União Europeia só têm doze vencimentos”, e deu como exemplo a Holanda, a Inglaterra e a Noruega.
O senhor Relvas, ou é estúpido, ou quis fazer de nós estúpidos: ganhando 14 meses, o salário mínimo em Portugal rende anualmente 6.790 Euros; ganhando os tais 12 meses, em Inglaterra rende 11.692 Libras (13.296 Euros), e na Holanda 16.783 Euros (fonte: Wikipedia); na Noruega não há salário mínimo, os salários são fixados por negociações entre patrões e sindicatos, mas a remuneração média mínima era em 2010 de 354 mil Coroas, aproximadamente 46.138 Euros (Fonte: Statistisk sentralbyrå).
É de gente deste jaez que o governo da nação é servido. Não sabem do que falam, não sabem do que tratam, mas decidem. Sempre a favor dos negócios que os lá levaram, mesmo que isso signifique deixar os seus concidadãos na maior das misérias.
De alguém que não sei quem…

A TAXA CAMARAE DO PAPA LEÃO X

UM DOS PONTOS CULMINANTES DA CORRUPÇÃO HUMANA

A Taxa Camarae é um tarifário promulgado, em 1517, pelo papa Leão X (1513-1521) destinado a vender indulgências, ou seja, o perdão dos pecados, a todos quantos pudessem pagar umas boas libras ao pontífice. Como veremos na transcrição que se segue, não havia delito, por mais horrível que fosse, que não pudesse ser perdoado a troco de dinheiro. Leão X declarou aberto o céu para todos aqueles, fossem clérigos ou leigos, que tivessem violado crianças e adultos, assassinado uma ou várias pessoas, abortado… desde que se manifestassem generosos com os cofres papais.

Vejamos o seus trinta e cinco artigos:

1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas, seja, por fim, com outra mulher qualquer, será absolvido, mediante o pagamento de 67 libras, 12 soldos.
2. Se o eclesiástico, além do pecado de fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou de bestialidade, deve pagar 219 libras, 15 soldos. Mas se tiver apenas cometido pecado contra a natureza com meninos ou com animais e não com mulheres, somente pagará 131 libras, 15 soldos.
3. O sacerdote que desflorar uma virgem, pagará 2 libras, 8 soldos.
4. A religiosa que quiser alcançar a dignidade de abadessa depois de se ter entregue a um ou mais homens simultânea ou sucessivamente, quer dentro, quer fora do seu convento, pagará 131 libras, 15 soldos.
5. Os sacerdotes que quiserem viver maritalmente com parentes, pagarão 76 libras e 1 soldo.
6. Para todos os pecados de luxúria cometido por um leigo, a absolvição custará 27 libras e 1 soldo; no caso de incesto, acrescentar-se-ão em consciência 4 libras.
7. A mulher adúltera que queira ser absolvida para estar livre de todo e qualquer processo e obter uma ampla dispensa para prosseguir as suas relações ilícitas, pagará ao Papa 87 libras e 3 soldos. Em idêntica situação, o marido pagará a mesma soma; se tiverem cometido incesto com os seus filhos acrescentarão em consciência 6 libras.
8. A absolvição e a certeza de não serem perseguidos por crimes de rapina, roubo ou incêndio, custará aos culpados 131 libras e 7 soldos.
9. A absolvição de um simples assassínio cometido na pessoa de um leigo é fixada em 15 libras, 4 soldos e 3 dinheiros.
10. Se o assassino tiver morto a dois ou mais homens no mesmo dia, pagará como se tivesse apenas assassinado um.
11. O marido que tiver dado maus tratos à sua mulher, pagará aos cofres da chancelaria 3 libras e 4 soldos; se a tiver morto, pagará 17 libras, 15 soldos; se o tiver feito com a intenção de casar com outra, pagará um suplemento de 32 libras e 9 soldos. Se o marido tiver tido ajuda para cometer o crime, cada um dos seus ajudantes será absolvido mediante o pagamento de 2 libras.
12. Quem afogar o seu próprio filho pagará 17 libras e 15 soldos [ou seja, mais duas libras do que por matar um desconhecido (observação do autor do livro)]; caso matem o próprio filho, por mútuo consentimento, o pai e a mãe pagarão 27 libras e 1 soldo pela absolvição.
13. A mulher que destruir o filho que traz nas entranhas, assim como o pai que tiver contribuído para a perpetração do crime, pagarão cada um 17 libras e 15 soldos. Quem facilitar o aborto de uma criatura que não seja seu filho pagará menos 1 libra.
14. Pelo assassinato de um irmão, de uma irmã, de uma mãe ou de um pai, pagar-se-á 17 libras e 5 soldos.
15. Quem matar um bispo ou um prelado de hierarquia superior terá de pagar 131 libras, 14 soldos e y6 dinheiros.
16. O assassino que tiver morto mais de um sacerdote, sem ser de uma só vez, pagará 137 libras e 6 soldos pelo primeiro, e metade pelos restantes.
17. O bispo ou abade que cometa homicídio põe emboscada, por acidente ou por necessidade, terá de pagar, para obter a absolvição, 179 libras e 14 soldos.
18. Quem quiser comprar antecipadamente a absolvição, por todo e qualquer homicídio acidental que venha a cometer no futuro, terá de pagar 168 libras, 15 soldos.
19. O herege que se converta pagará pela sua absolvição 269 libras. O filho de um herege queimado, enforcado ou de qualquer outro modo justiçado, só poderá reabilitar-se mediante o pagamento de 218 libras, 16 soldos, 9 dinheiros.
20. O eclesiástico que, não podendo saldar as suas dívidas, não quiser ver-se processado pelos seus credores, entregará ao pontífice 17 libras, 8 soldos e 6 dinheiros, e a dívida ser-lhe-á perdoada.
21. A licença para instalar pontos de venda de vários géneros, sob o pórtico das igrejas, será concedida mediante o pagamento de 45 libras, 19 soldos e 3 dinheiros.
22. O delito de contrabando e as fraudes relativas aos direitos do príncipe contarão 87 libras e 3 dinheiros.
23. A cidade que quiser obter para os seus habitantes ou para os seus sacerdotes, frades ou monjas autorização de comer carne e lacticínios nas épocas em que está vedado fazê-lo, pagará 781 libras e 10 soldos.
24. O convento que quiser mudar de regra e viver com menos abstinência do que a que estava prescrita, pagará 146 libras e 5 soldos.
25. O frade que para sua maior conveniência, ou gosto, quiser passar a vida numa ermida com uma mulher, entregará ao tesouro pontifício 45 libras e 19 soldos.
26. O apóstata vagabundo que quiser viver sem travas pagará o mesmo montante pela absolvição.
27. O mesmo montante terá de pagar o religioso, regular ou secular, que pretenda viajar vestido de leigo.
28. O filho bastardo de um prior que queira herdar a cura de seu pai, terá de pagar 27 libras e 1 soldo.
29. O bastardo que pretenda receber ordens sacras e usufruir de benefícios pagará 15 libras, 18 soldos e 6 dinheiros.
30. O filho de pais incógnitos que pretenda entrar nas ordens pagará ao tesouro pontifício 27 libras e 1 soldo.
31. Os leigos com defeitos físicos ou disformes, que pretendam receber ordens sacras e usufruir de benefícios pagarão à chancelaria apostólica 58 libras e 2 soldos.
32. Igual soma pagará o cego da vista direita, mas o cego da vista esquerda pagará ao Papa 10 libras e 7 soldos. Os vesgos pagarão 45 libras e 3 soldos.
33. Os eunucos que quiserem entrar nas ordens, pagarão a quantia de 310 libras e 15 soldos.
34. Quem por simonia quiser adquirir um ou mais benefícios deve dirigir-se aos tesoureiros do Papa que lhos venderão por um preço moderado.
35. Quem por ter quebrado um juramento quiser evitar qualquer perseguição e ver-se livre de qualquer marca de infâmia, pagará ao Papa 131 libras e15 soldos. Pagará ainda por cada um dos seus fiadores a quantia de 3 libras.
No entanto, para a historiografia católica, o Papa Leão X, autor de um exemplo de corrupção tão grande como o que acabamos de ler, passa por ser o protagonista da «história do pontificado mais brilhante e talvez o mais perigoso da história da Igreja».
(Fonte: Rodríguez, Pepe (1997). Mentiras fundamentais da Igreja católica.
Terramar – Editores, Distribuidores e Livreiros –
(1.ª edição portuguesa, Terramar, Outubro de 2001 – Anexo, pp. 345-348)
NOTA: Esta é a primeira vez que a Taxa Camarae do papa Leão X aparece na NET em português.

INJECTAR MILHARES DE MILHÕES NA BANCA QUE ESBANJOU LUCROS FABULOSOS


Na verdade não se vê sinais de se inverter a situação económica em nos encontramos, e os senhores do poder e do capital continuam a brincar com o Zé Pagode, até um dia….


A “Crise Soberana”, os lucros pornográficos dos banqueiros e a colaboração cúmplice dos políticos. Porque não os matamos a todos e acabamos com isto de vez?


Em Dezembro de 1963 começou na cidade alemã de Frankfurt o chamado Julgamento de Auschwitz. Vinte e dois homens das SS do campo de concentração de Auschwitz foram julgados por cumplicidade ou homicídio. Durante o julgamento, na sequência dos horrores descritos por testemunhas sobreviventes, uma senhora que assistia ao julgamento teve o seguinte desabafo que todo o tribunal ouviu:



– Porque não os matam a todos [os réus] e acabam com isto!



Vem isto a propósito dos 78 mil milhões de euros que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional vão emprestar a Portugal a juros agiotas (vão ser pagos durante 13 anos a uma taxa igual ou superior a 6% = 4% de juros + 2% de spreads= 6%).



Destes 78 mil milhões de euros, 12 mil milhões de euros vão servir para a recapitalização dos bancos e, dos 66 mil milhões restantes, o Estado oferece, “acomoda”, 35 mil milhões de euros em garantias à Banca para que esta possa emitir dívida para se “financiar”… Ou seja, o Estado vai oferecer de mão beijada à Banca 47 mil milhões de euros à custa dos contribuintes.

Os restantes 31 milhões de euros vão servir para pagar os juros dos empréstimos aos bancos pelas obras faraónicas e inúteis com que os serviçais políticos (a soldo da Banca) endividaram o país.



Presidentes dos Bancos Nacionais, respectivamente:

BCP – CGD – BPI – TOTTA – BES



Políticos a soldo:

Sócrates, Teixeira dos Santos, Passos Coelho, Vítor Gaspar e Paulo Portas



**************************************



E assim, os contribuintes portugueses vão injectar directamente 47 mil milhões de euros numa Banca que, como os números comprovam, atravessa “enormes dificuldades”:



Banco Espírito Santo

Lucros em 2006 = 420 milhões de euros

Lucros em 2007 = 607 milhões de euros

Lucros em 2008 = 402,3 milhões de euros

Lucros em 2009 = 522 milhões de euros

Lucros em 2010 = 510,5 milhões de euros

Banco Millennium bcp



Lucros em 2006 = 780 milhões de euros

Lucros em 2007 = 563 milhões de euros

Lucros em 2008 = 201,2 milhões de euros

Lucros em 2009 = 225 milhões de euros

Lucros em 2010 = 301,6 milhões de euros

BPI – Banco Português de Investimento

Lucros em 2006 = 308,8 milhões de euros

Lucros em 2007 = 355 milhões de euros

Lucros em 2008 = 150,3 milhões de euros

Lucros em 2009 = 175 milhões de euros

Lucros em 2010 = 184,8 milhões de euros

Banco Santander Totta

Lucros em 2006 = 425 milhões de euros

Lucros em 2007 = 510 milhões de euros

Lucros em 2008 = 517,7 milhões de euros

Lucros em 2009 = 523 milhões de euros

Lucros em 2010 = 434,7 milhões de euros



Em suma



Como é que ficámos a dever tanto dinheiro aos bancos portugueses e estrangeiros?


A resposta é simples: o Banco Central Europeu empresta dinheiro aos bancos mas não pode, estatutariamente, emprestar dinheiro aos Estados e, assim, os Governos são obrigados a negociar com os bancos (nacionais e internacionais) para se poderem financiar.



Visto que os bancos privados se financiam junto do BCE a taxas de juro de cerca de 1% e exigem juros muito superiores para comprarem dívida dos países (Portugal tem andado a a endividar-se a taxas de juro de 6, 7, 8, 9 e 10%), resulta que a banca privada, incluindo a nacional, tem feito fortunas a comprar dinheiro barato na UE e a vender caro cá.


E quem é que paga este enriquecimento da banca privada? Essa resposta é ainda mais simples: somos todos nós. É através dos impostos, dos cortes nos salários e nas pensões, que vamos
pagando aquilo que os bancos vão ganhando.



Como explicou linearmente o jornalista Fernando Madrinha no Jornal Expresso de 1/9/2007:



«Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. […] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais.»



O crime destes políticos venais a soldo de agiotas assassinos, ao destruir um país e enviando milhões de pessoas para a miséria – um crime de altíssima traição – deve ser imperativa e rapidamente punido com a morte. E terá de ser o povo a executar a sentença, já que o sistema que deveria tratar disso está podre de alto a baixo.


De alguém, que não sei quem

Obama tem razão. Por uma vez


Os EUA não são a Grécia nem Portugal, diz ele! Realmente.

Nos EUA 1/5 dos negros estão na cadeia.

Nos EUA 50% da população não tem assistência médica e 25% nem consegue tratar-se em qualquer hospital

Nos EUA a dívida pública atingiu um valor impossível de ser pago em várias gerações e já ultrapassou as centenas de milhares de US$ por família.

Nos EUA condenam-se a prisão perpétua crianças de 12 anos, por roubo de uma bicicleta.

Nos EUA 6% da população sobrevive com uma refeição diária de comida enlatada …para animais…

A Escola Pública é completamente inútil e caminha para a extinção.

Nos EUA há mais de 450 organizações policiais e o sistema judicial não é independente do poder executivo: É nomeado por ele!

Nos EUA as duas maiores indústrias são o armamento e a pornografia.

Nos EUA vende-se mais produtos para animais do que para bébés…

Nos EUA 1% da população controla e recebe cerca de 90% do PIB nacional

Nos EUA a produção de carne e de ovos utiliza legalmente promotores químicos de crescimento.

Nos EUA não há ordenado mínimo e o trabalho indiferenciado é pago a 4 euros/hora…

Os EUA estão envolvidos em dezenas de conflitos militares de caracter sujo e para levar a cabo golpes de estado favoráveis aos seus interesses e aos de Israel.

Os EUA angariam em todo o mundo os melhores cérebros para a sua indústria de armamento e obrigam os seus “aliados” a comprá-las…

Os EUA são o maior mercado mundial de drogas pesadas e um dos maiores produtores de anfetaminas e de outros químicos dopantes…

Os EUA imprimem papel moeda e através de tratados com as suas colónias árabes transformaram o US$ no meio de pagamento internacional em substituição do ouro…

Obama tem toda a razão: Nada disto de passa em Portugal. Estamos muito atrasados e não sei se algum dia lá chegaremos…

Só um detalhe: os EUA estão completamente falidos e mais de 10% da população já vive em acampamentos sem saneamento ou serviços públicos básicos…

Nós não somos os EUA! Thanks God!


Sermão do bom ladrão

por César Príncipe [*]

Corria e decorria o período quaresmal do Ano da Graça de 1655 em Lisboa. Na Igreja da Misericórdia, postavam-se, em solene recolhimento, Dom João IV, o rei, os seus ministros, os seus conselheiros e os seus magistrados. Com uma lacerante concepção do mundo, da história, do Estado, da Sociedade e do Evangelho, levanta-se António Vieira, o pregador. Começou por advertir Sua Majestade e os seus próximos de que a prédica mais se adequaria à Capela Real, já que incidiria sobre questões de poder e corrupção, opulência e indigência, adulação e mistificação. Mas quiseram as circunstâncias que a Palavra da Luz se fizesse ouvir na Conceição Velha. Corre e decorre o Ano da Graça de 2011 e o sermão mantém-se pertinente, bastando substituir a Índia por União Europeia, o rei por presidente, os ministros por ministros, os conselheiros por assessores, os magistrados por magistrados.

Vamos falar, hoje, do Público e do Privado, do Mal e do Bem.

Na verdade, tudo o que é público é tido por vergonhoso: um roubo sem ornatos de benemerência, o incesto badalado na vox populi, as lamúrias nas filas de espera dos hospícios.
Já o Privado é prenhe de virtudes: enriquece preferentemente em silêncio (e o enriquecimento lícito é mais chocante e pernicioso do que o ilícito), destaca anjos da guarda para operações criminosas, socorre donzelas em maus lençóis e maleitas brasonadas em clínicas discretas.
Voltemos, no entanto, à missão profética e à iniciação ética dos Governos.
Vossa Majestade deverá distanciar-se dos desmandos que se cometem em Vosso Nome e deverá recusar prendas bajulatórias, já que VM jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, vertida, nas Cortes Gerais, em defesa das classes desfavorecidas e pervertida, nas aplicações correntes, pelas classes favorecidas.
Quero valer-me desta quadra que, embora pós-quaresmal, não deixa de ser de jejum e penitência, de luto imposto pelos argentários, para aconselhar os seus ministros, os seus assessores e os seus magistrados a fornecerem a VM os Relatórios da Fazenda Pública, do Tribunal de Contas e dos Ouvidores das Praças.
Neles consta que o maldito défice público se transformou em bendito superávite privado. Verá, com seus próprios olhos, que, mui patentemnente desde 1986, se desvaneceu a linha que separa a administração da usurpação.
Não haveria, hoje, este abalo nas Finanças e esta perda de independência e sobretudo este clamor social se milhares de milhões em impostos não tivessem prescrito, se milhares de milhões não houvessem contornado o Estado na economia paralela, se milhares de milhões não se tivessem injustificado em aditamentos de adjudicações, se milhares de milhões não houvessem sido aplicados em vasos de guerra em vez de indústrias da paz, se milhares de milhões não tivessem esquecido as necessidades primárias e lembrado as sumptuárias, se milhares de milhões se houvessem acautelado nas privatizações, se milhares de milhões vindos da Europa tivessem merecido acompanhamento cívico e judiciário, se milhares de milhões não se tivessem evadido para paraísos infiscalizáveis.
O confirmará nas auditorias se houver alguma verticalidade na coluna do Reynno e alguma decência nas vestes da Corte.

Entretanto, o Bom Ladrão Privado esforça-se por convencer assalariados, pensionistas, desempregados, consumidores, contribuintes, eleitores e sobretudo os pobres em Ciências do Ter & do Poder de que o Público é a raiz do mal, apesar de tão grande Riqueza Privada não existir sem tamanha Pobreza Pública.

Por isso, não estranhe VM a campanha dos Boletins & dos Cornetins: o Estado não tem vocação para administrar, cabendo-lhe transferir o Orçamento para os Privados, estabelecer parcerias em que aceite perder para gerir bem.
Clamam ainda as trombetas de Jericó, a começar pelos corneteiros de El’Rei, que o Estado é mau pagador. Dramatiza-se – Céus! – o Calendário de Incumprimento da Administração Central e da Administração Local: seis meses em média.
Chegam a acusar o Estado como causador-mor das insolvências particulares. Não estão, porém, Majestade, empenhados em mostrar o que empresas e privados devem ao Estado, tornando-o insolvente.
Também não os preocupa quanto os privados devem entre si, bem como o respectivo Calendário de Incumprimento e os Anexos de Incobráveis.
Majestade, quem emite milhares e milhares de cheques sem provisão neste país onde a Palavra nada abona nem a barba nada cauciona?
Quem não honra milhões de contratos?
Inúmeros empreendedores.
Também a Iniciativa Privada fecha milhares de portas, numa rotunda manifestação de superioridade do privado sobre o público. Todos os anos, no Dia dos Fiéis Defuntos, Vossa Majestade inauguraria o maior cemitério da Grei se as empresas e as famílias que tombam por incapacidade da gerência ou lógica trucidante dos mercados coubessem nas sepulturas e as suas contas num epitáfio.
É o Privado – creia Majestade – que ostenta a Coroa da Glória a defraudar o Estado e o Privado, que reduz e atrasa salários, que fecha empresas por SMS e arregimenta esquadrões da Guarda Real e da Segurança Privada para cortar o passo ao desespero dos espoliados e à indig(nação) dos ludibriados. Mas os Boletins & os Cornetins açulam as almas.
Reflecti: traçam cenários de falência do Serviço Nacional de Saúde. Apontam alguns casos e escondem outros casos. Manejam o método dos sofistas: a ADSE não é expedita a pagar aos hospitais e os hospitais não honram os compromissos com os fornecedores. Senhores ministros, assessores e magistrados, mas as Seguradoras Privadas deixam arrastar as dívidas aos hospitais e os arautos da insustentabilidade não pedem ou sugerem a nacionalização dos Seguros.

Noto pelo sobrolho de Vossa Majestade e pela rigidez de porte – o Infalível o saberá – algum enfado. Espero que seja postura de protocolo: na sua infinita misericórdia, o Altíssimo convidou-Vos, abrindo a Casa do Poder Intemporal ao Poder Temporal.

Mas temendo ser pouco cerimonioso e parcimonioso não alongarei a pregação. Rematarei o Verbo com uma ocorrência que não se situa no antanho mas caberia nos tombos das rotas das Índias e do Brasil, dos desfalques e das especiarias, dos ferros dos escravos e dos metais preciosos. Ouviu VM alguma murmuração sobre o BPN, entidade com alvará de 1993, lavrado por seu egrégio Governo. Foi um covil de ladrões.
O erário público já sangrou mais do que Cristo no Calvário para pagar e apagar malfeitorias, algumas com inovação nas artes de furtar. Corria e decorria um domingo do Ano da Graça de 2008 e o banco foi nacionalizado. Os lucros ficaram nas mãos dos delinquentes e os prejuízos nas mãos do Estado.
Corria e decorria um domingo do Ano da Graça de 2011 e o banco foi reprivatizado. O facto dos agentes do Estado actuarem pela calada, no dia que Deus destinou ao repouso, é matéria de suspeita, a apurar no Juízo Final. De momento, cumpre-me alertar VM para os obscuros negócios da pátria, ilustrados por esta fábula de colarinho branco: foi o BPN constituído e gerido por um elenco em boa parte saído de seus Governos. Houve uma tentativa frustrada de reparo dos rombos, empreendida também por um Vosso ex-ministro, mas apenas levou consigo 10 milhões pelo intento de reparação.
A Caixa Geral de Depósitos, do Estado Português, com autorização dos ministros e assessores do Reynno e presta e digna assinatura régia, perdeu milhares de milhões de euros neste naufrágio das Novas Índias. Presidia à Caixa um Vosso ex-ministro. Agora, também um Vosso ex-ministro encabeça a compra dos despojos da embarcação, declarando que o Estado fez um interessante acordo, apesar de existir uma contraproposta de 100 milhões, que não previa saneamentos de funcionários nem encerramentos de balcões. Majestade, ministros, assessores, magistrados, assevera o último ex-ministro em cena que os contribuintes poderão respirar: o BPN sairá da órbita do Estado. A que preço?
Por 40 milhões de euros: menos de metade do estádio de futebol de Braga, cidade de igrejas e mesquitas.
Mas como garantir descanso aos contribuintes se está em curso uma recapitalização de 550 milhões, se as eventuais rescisões serão suportadas pelo Estado, se os subsídios de desemprego e a interrupção das contribuições em sede de Segurança Social e IRS afectarão os cofres do Reynno e engrossarão as falanges dos inactivos? Só metade dos marinheiros é arrojada às vagas apregoa o recém-graduado capitão, com ar humanitário, a boca rendilhada de espuma.
Não espanta: o mar está embravecido e ele, animoso, manobra da casa das máquinas à coberta. Apanha com as vagas em cheio. Gagueja mas não larga o leme. Insufla ânimo aos marujos apavorados e aos clientes espavoridos.
O BIC lançará coletes de salvação a 750 marinheiros que provem nadar de bruços entre o Cais da Ribeira e a Baía de Luanda.
Salvar-se-ão os tripulantes mais vigorosos e destros. Já assim era na selecção de negros para as plantações e minas de ouro. Os restantes 800 serão timbrados como excedentes e incompetentes, inadaptados às lides do corso e às cutiladas dos fortins: baixas de ciladas, escorbutos, enjoos, vilezas e rumores.
Em contrapartida, os capitães da finança luso-angolana, pela voz de Mira Diogo Cão Amaral, enaltecem a credibilidade e a capacidade do grupo investidor-saldador, dando como beneplácito a figura do homem mais rico de Portugal: Amé(rico) Amorim. Majestade, não conheceis este Amé(rico) das ligações à Corte? Como vós é Rei, embora da cortiça. Como vós é soberano, mas do petróleo. E que mais recordareis?
Há anos integrou uma delegação de eminências capitalistas que foi demonstrar ardor pátrio junto da Corte, apelando às corporações para que mantivessem a direcção e o controlo accionista em Portugal. Amé(rico) não demoraria a passar para controlo espanhol o BNCI/Banco Nacional de Crédito Imobiliário. Patriotismo nunca faltou aos grupos de pressão e da abdicação: anteriormente já Amé(rico) havia vendido a espanhóis a posição no BCP.
Não escasseiam elementos retratísticos. Aqui há anos envolveu-se num colossal processo de desvio de fundos europeus, sendo bafejado pelas prateleiras da morosidade com a prescrição. Não vai há séculos que ordenou o despedimento preventivo de dezenas de súbditos, estribado em apreensões sobre o futuro das rolhas e de outros artigos de sobro. Mas os resultados surpreenderam o Rei de Santa Maria da Feira. Sempre a crescer. Sempre a enriquecer. Principalmente à medida que a miséria alastra e o Estado não só privatiza empresas e serviços como se encontra refém dos privatizadores. Senhor, Portugal deve muito aos ricos ou serão os ricos que devem muito a Portugal?

Majestade, vou terminar com Vossa licença. A Nação jaz guarnecida de panos roxos da Paixão, à mercê dos passos e compassos da Troika, aparentemente rendida a moedeiros autóctones e internacionais, à capitulação das fidalguias, às vénias das criadagens. Não abusarei da tortura da verdade. Deus se compadeça da Vossa visão e da Vossa audição, hoje, na qualidade de 19.º chefe de Estado da República, ontem, como 21.º chefe de Estado da Monarquia, a fim de que os olhos de todos os seres que Francisco de Assis amou forneçam clareza ao Vosso olhar e o troar dos canhões e dos carrilhões Vos faça entender que, mais tarde ou mais cedo, não há bom ladrão que se exima à justiça nem rei que escape à peste.

E a peste será a cólera dos justos. Vós e os ministros, assessores e magistrados a fomentaram. Vorazes e altivos agora. Cabisbaixos Vos sentireis depois. Cercados pelo alvoroço das arraias de Fernão Lopes. Envergareis as túnicas do opróbrio. Devolvereis as dezenas de BPN’s que levaram Portugal a contrair dívidas para liquidar dívidas, a ditar a carência colectiva em favor da ostentação da Corte e dos cortesãos.
Senhor, por que continuais de sobrolho carregado? D. João IV faleceu um ano após o meu sermão. Não vos fixeis nos adejos do infausto. Porventura estareis a rever-Vos no destino dos príncipes de Israel que sofreram o cativeiro por abandonarem o povo de Deus aos lobos?

Principes ejus in medio illius, quasi lupi rapientes praedam (Ezequiel, 22, 27).

[*] Escritor/Jornalista.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

A hipocrisia dos Alemães


O Lidl aplicando a táctica de fazer desconto em produtos, no qual o preço original é por eles estipulado, táctica essa que já tem “teias de aranha”;

Atendendo que a publicidade deste suposto desconto leva as pessoas a deslocarem-se a esse supermercado, comprando o produto em causa assim como outros produtos diversos. A pessoa que já foi mentalizada para o “baixo” preço de um determinado produto, na maioria dos casos, já não está com a verdadeira consciência do que está a comprar e qual o preço.

Mas o essencial da questão não está neste aspecto…

O Lidl com a desculpa, da “pena” (acho que eles também vendem galinhas) que têm do corte que os trabalhadores vão sofrer no subsidio de natal, dizem que vão fazer descontos proporcionais, em alguns produtos, a esse corte.

Que hipocrisia…

Antes de mais a publicidade que a comunicação social deu a estes supermercados, custa mais de 100 vezes do que os supostos descontos;

O Lidl trata os seus trabalhadores como criados para todo o serviço, e quando querem.

Obrigam os trabalhadores a levantar com os seus bracinhos, litros e litros de agua para cima dos tapetes das caixas; Pois é obrigatório que toda a mercadoria seja posta no tapete, de forma cega e muda, mesmo que dentro dos carros estejam 50 garrafões (iguais) de 5 litros agua. Como o cliente não tem que se sujeitar a esta regra estúpida, lá vai a rapariga da caixa transportar 250 quilos.

E como quem implementou esta regra, foi alguém que é bem pago pelo Lidl para sujeitar os outros à escravidão, essa regra é impreterível.

Em relação aos trabalhadores do Lidl, podem-se contar pelos dedos das mãos o número de trabalhadores que possuem contrato sem termo, essa contagem não é por loja é por Distrito.

Quanto ao salário, nem precisa do corte dos 50% para ser miserável; Os trabalhadores não estão classificados, nem recebem o equivalente ao que o seu CCT estipula para as suas funções. Mas as funções também são duvidosas, pois ao abrigo da polivalência estes trabalhadores tanto estão nas caixas de pagamento, a repor artigos, a carregar mercadoria e a fazer a limpeza.

Assim qual é o problema de pagarem, à maioria, como de trabalhadores de limpeza se tratassem?

Isto é tal como acontece em certas casas;

O marido bate e maltrata a esposa e os filhos, sai para fora de casa e é só sorrisos e beijinhos com as mulheres dos outros e os filhos dos outros…

A Ironia é que este grupo vem tentar passar uma mensagem de “pena” dos trabalhadores, quando este grupo pertence a um País que é um dos verdadeiros culpados pela situação actual. Aliás são os verdadeiros patrões da troika e companhia.

Pais que tem-se sustentado à conta da miséria dos outros, são uns verdadeiros parasitas…