Recordando

“O golpe de Estado termina e a revolução ainda não começou: os meses que seguem  são uma pausa. Mas antes, principalmente em Lisboa e no Porto, o povo vai finalmente dar-se conta de que desta vez alguma coisa mudou, e o 1° de Maio de 1974 é uma impressionante e comovedora manifestação de alívio; os cravos vermelhos, o novo símbolo, presentes em toda a parte, mesmo no cano das armas; é o momento em que a fraternidade parece possível. Dias antes, a chegada de Mário Soares a Lisboa tinha sido comovente e triunfal, uma enorme multidão esperava-o em lágrimas, sorrindo, e aos brados de vitória.. Logo a seguir Álvaro Cunhal, para os não comunistas um desconhecido, o homem que vinha dos longos anos de prisão – catorze no total e oito em encerramento solitário – que escapara em 1961 da prisão de Peniche e cuja vida, desde então, tinha sido um mistério.

Álvaro Cunhal desembarca no aeroporto e os portugueses têm dificuldade em acreditar no que vêem: a foice e o martelo são o pano de fundo. A recepção é triunfal também, mas mais sóbria, os punhos erguidos mostram uma determinação disciplinada, contida, só algumas vozes se embargam quando milhares entoam o que tinha sido o hino da clandestinidade comunista:

“Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz.
Avante, camarada avante,
O sol brilhará p’ra todos nós”.

Um detalhe não escapa àqueles que, atentamente, seguem os acontecimentos: os militares, que não esperaram Soares, vão esperar Cunhal. Sobre um carro blindado, acompanhado por soldados que erguem o punho, rodeado de uma multidão que, pela primeira vez em mais de cinquenta anos pode confessar livremente o credo comunista, o secretário-geral do PCP entra em Lisboa.

Um slogan anda em todas as bocas: “O povo unido, jamais será vencido!”Mas o povo, a falar verdade, ainda mal sabe o que se passa, e por enquanto não se encontra unido a ninguém, nem a coisa nenhuma. Às vilas da província, às aldeias, mal chegam ecos do que se passou em Lisboa. Os emigrantes, num reflexo de defesa – mudança é sempre insegurança – suspendem as remessas de dinheiro e ordenam às família que levantem quanto dinheiro têm no banco, “pois dizem que os comunistas nos vão tirar tudo”.

É a triste ignorância dos pobres, a qual se mede ainda melhor quando se sabe que durante meses, de aldeia para aldeia, corre e é tomado a sério, o boato de que o governo dos comunistas irá confiscar as panelas de pressão.”
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in “Portugal, a Flor e a Foice” – inédito; edição neerlandesa: “Portugal, de Bloem en de Sikkel” – Arbeiderspers, Amsterdam, Novembro 1975.

Nova habilitação profissional: O Engraxanço e o Culambismo Português

Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.

Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.

Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc… Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.

Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador.
Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo.
(…) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.
Miguel Esteves Cardoso, in ‘Último Volume’

A Crise do capitalismo e a perspectiva revolucionária na Hungria

Dr. Gyula THÜRMER,

Presidente do Partido Comunista Operário Húngaro

Tanto na Europa como na Hungria, as forças capitalistas realizam enormes esforços para ocultar o fato de que o capitalismo contemporâneo está em uma profunda crise. Não podem negar a existência de sérios problemas do capitalismo, mas tentam demonstrar que todos esses problemas podem ser solucionados dentro do próprio capitalismo e através de reformas capitalistas. A verdade é que a importante crise interna do capitalismo não pode ser solucionada através de reformas capitalistas tradicionais. Torna-se cada vez mais real a perspectiva revolucionária para solucionar os problemas do capitalismo.

A Hungria é um dos elementos mais frágeis do capitalismo europeu contemporâneo. O capitalismo húngaro está numa profunda crise, independentemente da crise mundial. Mas esta crise está se intensificando em virtude da crise geral do capitalismo. A crise está longe de ser resolvida, e ninguém pode prever suas consequências. Sob essas condições, não só devemos criticar o sistema, mas também devemos, ao mesmo tempo, demonstrar ao povo a possibilidade real de criar um novo mundo. Devemos demonstrar que o socialismo é uma alternativa real ao capitalismo existente.

Isto significa que, na Hungria, o movimento comunista deve entrar numa nova situação, o que representa o surgimento de novas possibilidades e novas tarefas.

A Crise do Capitalismo Húngaro

O capitalismo húngaro está em crise, e a crise geral do capitalismo faz com que a crise húngara seja ainda mais profunda. A crise do capitalismo húngaro contemporâneo pode ser explicada pelos seguintes fatores:

1. A imensa maioria dos setores da economia, tais como a indústria, o sistema financeiro, o comércio e os serviços húngaros foram vendidos para o capital estrangeiro.

A Hungria foi o primeiro país da Europa Central e Oriental a abrir sua economia para investidores estrangeiros em 1989. Conforme as estatísticas da organização da ONU encarregada dos investimentos estrangeiros (UNCTAD), no final dos anos 90 o investimento estrangeiro direto (IED) na Hungria somava 1,7% do PIB. Hoje esta proporção chega a mais de 70%. Na União Européia esta proporção é de apenas de 40,9%, e na Romênia é de 36,7%.

Quase 100% dos bancos pertencem ao capital estrangeiro. 80% da produção industrial procede de companhias multinacionais. A economia húngara depende muito mais do capital estrangeiro que qualquer outro país da Europa. Depois de 2011, existe o perigo real de que a superfície agrícola húngara possa ser comprada pelo capital estrangeiro.

O papel decisivo do capital estrangeiro é uma das características do capitalismo húngaro. Faz 20 anos, a contrarrevolução capitalista foi resultado da atividade do capitalismo internacional, da traição interna das forças revisionistas do partido comunista no poder e da atividade da oposição burguesa.

Não havia uma classe dominante húngara forte. A nova classe foi criada, de certa forma, a partir de elementos da antiga elite governante do sistema socialista, aqueles que utilizaram sua política para tomar parte ativa na privatização da propriedade estatal, assim como, de certa forma, a partir de intelectuais e empresários do período socialista e, em parte, também, por novas gerações que apareceram em cena nas últimas décadas.

O extraordinariamente importante papel do capital multinacional é resultado de diferentes momentos. Em primeiro lugar, as forças capitalistas eram conscientes do fato de que o período de socialismo havia sido um período exitoso na história húngara e que as forças sociais da sociedade socialista, a classe operária e os trabalhadores rurais cooperativistas, eram muito fortes. As forças capitalistas estavam interessadas em liquidar estas classes e grupos sociais. Só viram um caminho: engajar-se ao capital internacional. Em segundo lugar, os intelectuais liberais sempre foram voltados para os Estados Unidos, Israel e para as forças capitalistas multinacionais e sempre consideraram o importante papel do capital estrangeiro como algo absolutamente normal.

Todos os governos húngaros apoiaram os investimentos estrangeiros, ao dar subvenções recomendadas por decisões governamentais, promover isenções de impostos, conceder subvenções para a formação e a criação de empregos, etc.

A classe capitalista húngara está formada por diferentes grupos. Em primeiro lugar, um pequeno, porém, influente grupo de grandes capitalistas que têm posição na área financeira, no comércio e nos serviços. Estão vinculados estreitamente ao capital multinacional. Em segundo lugar, centenas de milhares de micro, pequenos e médios empresários nos âmbitos da indústria e do comércio. Sua posição é muito frágil. Estão sob a pressão do capital da UE e do capital chinês. Sem um grande apoio estatal, estão condenados à morte.

Estes fatos, agora que o sistema capitalista está em crise, têm importantes consequências. Em primeiro lugar, o capital estrangeiro controla as áreas básicas da economia húngara. Tem poder absoluto na área financeira e controla a área mais sensível, o comércio interno. Já que não há uma forte produção nacional, há poucas possibilidades de que a Hungria se defenda por seus próprios meios. Pode-se ver claramente que as companhias multinacionais, ao tentar resolver seus próprios problemas, reduzem a produção e fecham suas fábricas na Hungria, o que contribui para o crescimento do desemprego.

2. A brecha entre ricos e pobres na sociedade ficou enorme. Esta é a outra razão da crise do capitalismo húngaro. A acumulação primitiva de capital fez com que o povo fosse privado de seus recursos. É resultado da política de inflação, da política fiscal e da política de crédito dos governos capitalistas dos últimos 20 anos.

A Hungria tem uma população de 10 milhões de habitantes, 9 milhões dos quais podem ser considerados como pessoas que vivem em condições de vida muito precárias ou, inclusive, em condições de pobreza, e somente um milhão deles podem se considerar beneficiados com as mudanças sociais, com a entrada na UE, etc.

Como mostram as seguintes cifras, o número dos desesperadamente pobres, de quem vive abaixo do umbral da pobreza, aumentou drasticamente nos últimos anos. (O umbral de pobreza é a soma dos rendimentos de uma família que permite a seus membros alimentar-se e vestir-se, e pagar por calefação e eletricidade). Em 1993, segundo estatísticas confiáveis, 27% da população húngara vivia abaixo do umbral de pobreza. Na Hungria havia aproximadamente um milhão de pobres em 1980. Hoje, seu número excede os 2,5 milhões. A décima parte mais rica da sociedade faz 7,3 vezes mais dinheiro que a décima parte mais pobre. Talvez sejam as crianças as que estejam em situação mais difícil, pois quase a metade da população com menos de 18 anos vive numa família que se encontra abaixo do umbral de pobreza. Nos últimos anos, em 53% dos lares o salário real baixou. Isto significa que, nestas famílias, o aumento dos rendimentos foi menor que o aumento dos preços.

Está aumentando o número dos chamados pobres de longo prazo. Os pobres de longo prazo na Hungria provêm de distintos grupos sociais: os sem-teto, a população rural, especialmente os que vivem em micro-comunidades, os desempregados ou expulsos do mercado de trabalho, os lares com mais de três crianças, as famílias com apenas um dos genitores, as anciãs solteiras e a população cigana. Um terço dos pobres de longo prazo é de etnia cigana, embora este grupo só represente 5% da população húngara.

Nos primeiros meses de 2009, a renda média na Hungria foi de 402 euros. Os trabalhadores manuais percebem 295 euros; os intelectuais, 511 euros. O salário mínimo é de 250 euros. Temos que levar em conta que os preços de consumo são praticamente iguais aos da UE.

Nos últimos 20 anos, a classe operária perdeu suas economias obtidas na época socialista. Agora os trabalhadores utilizam suas últimas reservas, e muitos deles já não têm mais reservas. Pode-se dizer o mesmo dos intelectuais, dos professores e dos trabalhadores da área da saúde. A maioria da classe operária e os intelectuais se endividaram amplamente para comprar um apartamento, um carro, uma televisão ou simplesmente para cobrir os custos da vida diária. Esses grupos sociais não podem mobilizar novos recursos para fazer frente às consequências da atual crise.

3. A terceira razão e elemento característico da crise no capitalismo húngaro é o extraordinário alto nível de corrupção.

A Hungria é o número 39 na lista de 179 países relacionados no índice de Corrupção da Transparência Internacional, em 2007. Apesar das leis anticorrupção, a falta de transparência cria contínuos rumores sobre casos de corrupção na gestão do governo.

As razões destes fenômenos estão vinculadas ao próprio capitalismo húngaro. Em primeiro lugar, a privatização da propriedade estatal foi praticamente um roubo livre. Agora, os diferentes círculos políticos e econômicos lutam por uma maior participação no dinheiro da UE, nas ordens estatais e nos investimentos centrais. Em segundo lugar, o sistema legal é muito confuso, o que beneficia aos que atuam na economia informal. Hoje em dia, aproximadamente 30% do PIB é produzido na economia informal. Em terceiro lugar, o atual sistema político e legal é o resultado de acordos entre diferentes grupos da classe capitalista realizados há 20 anos. Muitos de seus elementos já perderam sua validez. Como resultado dessa situação, o Estado capitalista não pode cumprir algumas funções básicas, incluindo o trabalho policial, a administração local, etc.

Possíveis vias de desenvolvimento

O desenvolvimento futuro do capitalismo húngaro depende do desenvolvimento capitalista internacional e dos processos que envolvem os diferentes grupos sociais da Hungria.

1. As forças capitalistas internacionais não querem perder a Hungria. A Hungria foi um dos primeiros países a trocar o socialismo pelo capitalismo, e serviu como exemplo para a política dos Estados Unidos e da Alemanha, como uma forma de contrarrevolução pacífica. Esta é uma razão. A segunda é que o capital internacional investiu grandes somas de dinheiro na Hungria. Atualmente, as dívidas da Hungria chegam a 97% do PIB do país. As forças capitalistas internacionais querem recuperar seu dinheiro e por isso estão dispostas a ajudar. Em 2009, a Hungria recebeu 20 bilhões de euros como créditos stand-by.

O FMI e as forças capitalistas internacionais querem uma situação política mais ou menos estável na Hungria, para o que pedem a repressão a qualquer movimento anticapitalista, mas utilizando meios “de acordo com as normas da UE”. A administração Obama parece entender, melhor que os países da UE, que o colapso do capitalismo húngaro pode conduzir a uma série de colapsos na região. Mas ainda não conseguiu convencer seus sócios da UE a investir muito mais dinheiro na consolidação do capitalismo húngaro.

Para os Estados Unidos é indiferente que grupo da classe capitalista governe politicamente a Hungria. De qualquer governo húngaro é exigida absoluta fidelidade aos Estados Unidos e à OTAN, assim como a participação nas missões militares da OTAN. Na política interna, a administração dos Estados Unidos espera uma luta consequente e exemplar contra o antissemitismo e as forças comunistas.

Os países dirigentes da UE não expressam especial preocupação com a situação dos capitalistas húngaros. Estão convencidos, a partir de sua própria experiência, de que, numa Hungria pertencente à UE e à OTAN, não pode haver revoluções sociais, nem sequer levantes sociais de grande envergadura. Os diferentes grupos políticos da UE expressam sua simpatia por diferentes partidos políticos da Hungria. Parece que tanto a Alemanha quanto a França não estão satisfeitos com a atuação do partido Socialista Húngaro e não se oporiam a uma mudança de governo.

2. A classe capitalista húngara está formada por diferentes grupos. O Partido Socialista Húngaro (MSZP) e a Aliança de Democratas Livres (SZDSZ) representam o grande capital que está estreitamente relacionado com o capital multinacional. Tradicionalmente, estão voltados política e economicamente para os Estados Unidos e Israel.

A coalizão dos socialistas e liberais foi uma ótima solução para as forças capitalistas internacionais durante muito tempo. A Hungria participa ativamente em todas as ações militares iniciadas pelos Estados Unidos e pela OTAN, de Kosovo ao Afeganistão. A maior parte da economia húngara foi privatizada e vendida, em primeiro lugar, para o capital estrangeiro durante os governos desses partidos, entre 1994 e 1998, e desde 2002 até agora. O governo encabeçado pelo Partido Socialista Húngaro foi capaz de dividir os sindicatos que lutavam contra o governo e de garantir a “paz social”. Os socialistas foram capazes de subordinar ao MSZP todas as organizações políticas e civis de esquerda, com exceção do Partido Comunista Operário Húngaro. A coalizão dos socialistas e dos liberais declarou guerra ao antissemitismo e garantiu excelentes possibilidades de desenvolvimento para os que pertencem à comunidade judaica na Hungria. Segundo as estatísticas de diferentes organizações judaicas, na Hungria vivem entre 50.000 e 200.000 judeus. A taxa de casamentos entre judeus está em torno de 60%.

O governo MSZP-SZDSZ faz grandes esforços, entre outras coisas, para mudar a constituição e tornar ilegais “a negação do Holocausto e a incitação pública ao ódio racial”. O governo, preocupado pelo fato de a Hungria ter sido o lugar da Europa onde aconteceram alguns dos piores incidentes neonazistas dos últimos meses, planejou a reforma em resposta à indignação pública por estas provocações.

Apesar de todos esses acontecimentos, as forças capitalistas internacionais não estão satisfeitas com a atual atuação da coalizão socialista-liberal. A política econômica neoliberal levou a uma importante piora das condições de vida. Milhões de pessoas estão insatisfeitas e começam a expressar, de diferentes formas, sua atitude antigovernamental e, inclusive, anticapitalista. A piora das condições de vida fortaleceu duas tendências na Hungria: o antissemitismo e as ações contra os ciganos.

A Fidesz – União Cívica Húngara – representa, em grande parte, os pequenos e médios capitalistas, embora não rejeite o grande capital. Está mais direcionada à Europa e à UE, de um modo geral. A Fedesz, que foi originalmente um partido liberal, é hoje um partido que tenta unificar todas as forças conservadoras e nacionalistas. Coopera, estreitamente, com o Partido Popular Cristão-Democrata (KDNP).

Durante seu governo, entre 1998 e 2002, a Fidesz basicamente cumpriu as expectativas do capital internacional. A Hungria participou ativamente da guerra contra a Iugoslávia e o “processo de democratização” da Europa Oriental. A política do governo da Fidesz, de apoiar as demandas de autonomia nacional das minorias húngaras na Romênia, Eslováquia e outros países, fez com que recebesse críticas de alguns países da UE. Os círculos políticos dos Estados Unidos criticaram a Fidesz porque, segundo suas análises, não lutavam o suficiente contra o antissemitismo. A Fidesz, enquanto apoiava o capital multinacional, levou a cabo muitas medidas de apoio ao capital húngaro, principalmente aos capitalistas médios.

Desde 2002, a Fidesz demonstrou que é o maior partido da oposição e que é capaz de influenciar nos processos políticos na Hungria. Organizou as grandes manifestações antigovernamentais em 2005-2006 e impulsionou um referendo sobre assuntos básicos de política educativa e sanitária do governo MSZP-SZDSZ. O congresso da Fidesz declarou que é necessário criar uma “nova maioria”, incluindo não somente os aliados tradicionais da Fidesz, mas também outras forças políticas e também sindicatos e organizações civis.

Ao mesmo tempo, a Fidesz demonstrou que não quer exceder o marco da democracia parlamentar ou violar as normas gerais de comportamento político da UE. A Fidesz não apoiou as grandes manifestações sociais de 2007-2009, embora isso pudesse ter-lhes trazido bons resultados. A ideia de uma nova maioria não se concretizou, e a Fidesz não se abriu de forma clara a outros partidos.

Os dois grupos da classe capitalista húngara, representados pelos partidos políticos principais, têm interesses comuns e distintos. Todos eles estão interessados em manter o sistema capitalista. Não querem mudar o sistema político existente. Por isso, não se modificará o limite de 5% para entrar no parlamento. Todos os grupos da classe capitalista lutam para conseguir uma melhor posição nas privatizações, em obter dinheiro da UE e nos grandes investimentos estatais. Ao mesmo tempo, todos eles sabem que sua luta interna não pode ameaçar o interesse comum da classe capitalista. O MSZP quer manter o poder, e a Fidesz quer alcançá-lo. Ambos entendem que a União Europeia só permite utilizar métodos parlamentaristas.

O MSZP utiliza diferentes métodos para conservar o poder. Em primeiro lugar, interessa-lhes a atividade do Movimento por uma Hungria Melhor (Jobbik). O Jobbik é a força de choque da classe capitalista, desempenhando um papel similar ao que previamente desempenhou o MIÉP. O Jobbik cumpre diferentes funções. Ao utilizar os sentimentos nacionais e slogans radicais anticapitalistas, busca manipular as pessoas, sendo capaz, assim, de obter votos da Fidesz. Ao mesmo tempo utiliza outras “armas” não usadas por outros capitalistas: o anticapitalismo, o antissemitismo e as consignas contra os ciganos. Pode tirar votos também das forças comunistas. O Jobbik registrou a Magyar Gárda, o movimento extremista paramilitar Guarda Húngara, em junho de 2007, como “organização cultural” para “preparar a juventude, espiritual e fisicamente, para situações extraordinárias quando for necessário mobilizar o povo”. Conforme disse o Instituto Progressista em um relatório, há uma maior receptividade hoje na Hungria aos movimentos extremistas devido à pobreza e à perda de empregos resultantes da atual crise econômica.

Em segundo lugar, os socialistas tentam obter todos os votos de esquerda. Não puderam subordinar o Partido Comunista Operário Húngaro ao MSZP, mas foram capazes de criar, em 2006, o “Partido Operário Húngaro de 2006”, partido revisionista, que critica verbalmente o capitalismo, mas apóia o governo socialista-liberal;

Em terceiro lugar, ajudaram no nascimento de novas organizações como o partido “Pode haver outra política”, o qual, juntamente com o Partido Humanista, visa criar uma alternativa aos liberais.

3. Nestas condições, há duas vias básicas por onde pode transitar a sociedade húngara: a via do capitalismo e a via da revolução socialista.

Do ponto de vista da alternativa capitalista, é de decisiva importância o fato de que o campo de atuação do capitalismo húngaro esteja, principalmente, determinado pela enorme influência do capital multinacional na economia húngara, pela dependência política, militar e ideológica da Hungria com relação aos Estados Unidos, à OTAN e à UE.

Dentro do desenvolvimento capitalista – insistimos, dentro do capitalismo e não como alternativa ao mesmo – há diferentes rumos possíveis. Um deles é uma maior subordinação da Hungria ao FMI, à UE e a outros centros capitalistas. Os governos húngaros servirão aos interesses do capital multinacional liberando completamente todas as áreas do mercado húngaro, liquidando os restos das empresas húngaras e reprimindo qualquer forma de protesto das classes trabalhadoras. É a via de abandono pleno da soberania nacional da Hungria, a via de limitação e opressão dos direitos democráticos.

Esta política será mantida, se os socialistas continuarem no poder. Assim o declaram abertamente, manifestando seu acordo com a política atual.

Não temos ilusões e nem podemos tê-las. Esta política pode se manter de uma forma ou de outra, inclusive, se a Fidesz alcançar o poder. A Fidesz também é um partido do grande capital, como o MSZP. A única diferença, entre ambos, é que na base social da Fidesz há muito mais representantes da pequena e média burguesia.

Os comunistas húngaros não devem apoiar esta via, como de fato jamais o faremos. Os comunistas devem saber que a via neoliberal, pró-FMI, piorará as condições do povo e pode levar a uma maior radicalização das massas. Os comunistas devem estar preparados para esta situação. Devemos lutar contra tal sucesso, que conduziria a uma virada radical direitista na política. Não há verdadeiro perigo de que as forças fascistas ou, inclusive, de direita radical cheguem ao poder. As atuais forças extremistas não são suficientemente fortes, e tal fato conduziria a uma imediata intervenção da UE, como pudemos ver na Áustria há alguns anos. Mas existe a ameaça real de que as forças capitalistas utilizem a crise na Hungria e o fortalecimento das forças extremistas de direita para estabelecer uma “ditadura democrática” dirigida a “salvar a democracia”.

No marco da via capitalista de desenvolvimento, também podemos imaginar um rumo que dê mais oportunidades ao capital nacional, às pequenas e médias empresas húngaras. Tampouco podemos descartar a possibilidade de que, para evitar o ressentimento das massas e a aparição de conflitos sociais em grande escala, o capital faça algumas concessões às massas e tente mitigar os problemas econômicos e sociais do povo. Quanto à política exterior, também pode ocorrer que a Hungria siga um rumo mais equilibrado enquanto mantém seu compromisso com a UE e a OTAN. Por exemplo: pode desenvolver relações mais estreitas com países árabes ou latino-americanos. Podemos observar o desenvolvimento de uma alternativa similar dentro do sistema capitalista em muitos países da América Latina.

Essa via é possível nas condições do capitalismo. O atual governo e o Partido Socialista Húngaro se opõem a isto. O principal partido da oposição, Fidesz, que representa os interesses dos capitalistas médios húngaros, expressa sua disposição em pôr limites ao capital multinacional, a apoiar os empresários húngaros e a limitar os rendimentos do grande capital e dar mais às massas. A questão é: se a Fidesz – ao chegar ao poder – realmente levará a cabo tais pretensões ou buscará um acordo com o capital internacional.

Esta via não satisfaz plenamente os interesses da classe operária e as melhorias são unicamente temporárias. Mas esta via oferece algumas vantagens para as massas trabalhadoras. Permite ao PCOH cooperar com a pequena e média burguesia sobre a base da luta comum contra o capital multinacional, os grandes mercados e a exploração estrangeira.

Este rumo terá êxito se formos capazes de transformar o ressentimento popular em força organizada e, assim, forçarmos os governos capitalistas a pôr restrições ao capital. O partido Comunista Operário Húngaro participa da luta sindical, do movimento contra as demissões, nas ações civis para aumentar a influência dos comunistas e instituir as forças do ressentimento das massas.

Lênin escreveu em Duas táticas da socialdemocracia na Revolução democrática: “O proletariado deve levar a cabo a revolução democrática, atraindo a massa do campesinato, para esmagar, pela força, a resistência da autocracia e paralisar a instabilidade da burguesia. O proletariado deve realizar a revolução socialista, atraindo a massa dos elementos semiproletários da população, para destroçar, pela força, a resistência da burguesia e paralisar a instabilidade do campesinato e da pequena burguesia”.

Outra via é a da revolução socialista. Está claro que os problemas básicos da classe operária só podem ser resolvidos na via da revolução socialista que supere o capitalismo. Os comunistas húngaros sempre mantiveram esta posição, mas desde a contrarrevolução de 1989-1990 não havíamos falado da possibilidade da revolução socialista. Agora devemos fazê-lo!

“A atual crise é uma expressão de uma crise mais profunda, intrínseca ao sistema capitalista, que demonstra os limites históricos do capitalismo e a necessidade da sua derrocada revolucionária”. Isto pode ser lido na declaração conjunta dos partidos comunistas e operários em São Paulo. Nossos partidos também declararam: “Ao enfatizar que a bancarrota neoliberal representa não só o fracasso de uma política de gestão do capitalismo, mas o fracasso do próprio capitalismo, e confiantes na superioridade dos ideais e do projeto comunista, afirmamos que a resposta às aspirações emancipatórias dos trabalhadores e dos povos só pode ser achada na ruptura com o poder do grande capital, com os blocos e alianças imperialistas e por meio de profundas transformações de caráter libertador e antimonopolista… Convencidos da possibilidade de outro mundo, um mundo livre da exploração de classe e da opressão do capital, declaramos nosso compromisso com a continuação do caminho histórico de construção de uma nova sociedade livre de exploração de classe e opressão, ou seja, o Socialismo”.

O Partido Comunista Operário Húngaro seguirá a via da revolução socialista. Agora consideramos que nossa tarefa básica e mais importante é demonstrar ao povo húngaro que o capitalismo não é a única forma de vida. Devemos demonstrar que o capitalismo nunca nos dará uma vida melhor, nunca nos dará um lugar nos parlamentos. Devemos obtê-los por meio da luta consequente e séria. Esta via é realista e podemos criar um novo mundo, o socialismo.

Naturalmente, recordamos as palavras de Lênin: “Toda revolução traz uma mudança brusca nas vidas de muitas pessoas. A menos que o momento esteja maduro para tal mudança, nenhuma revolução real pode acontecer”. Agora mesmo não podemos falar de uma situação revolucionária na Hungria, mas podemos falar da possibilidade de que o desenvolvimento geral da crise do capitalismo internacional e suas consequências na Hungria possam levar ao surgimento de uma situação revolucionária.

Consideramos que nossa tarefa principal é preparar o Partido Comunista para tal situação. Fortalecemos nossa formação marxista-leninista. Os membros e ativistas do partido devem entender a atual situação e o verdadeiro significado da via revolucionária.

Estudamos a experiência histórica das revoluções socialistas na Hungria com o objetivo de utilizar as experiências que possam ser aplicadas hoje.

Estudamos a experiência de partidos comunistas da Grécia, Portugal, Brasil, Venezuela e outros países na busca da organização de uma maior atividade das massas.

O partido organiza seus dirigentes sobre novas bases. Estamos criando “centros locais revolucionários” com o equipamento de informática necessário.

Criamos “grupos de combate” móveis que possam participar em diferentes manifestações, ações de rua e atos solidários.

Construímos uma nova organização juvenil com jovens profundamente dedicados à ideia da revolução.

Vamos indo diretamente às fábricas para falar com os trabalhadores. As experiências são muito positivas. Estamos abertos a toda iniciativa anticapitalista e antimonopolista, e participaremos de toda ação social voltada à luta contra os grandes mercados, contra a política de moradia neoliberal, contra os cortes de quem não pode pagar o gás ou a eletricidade.

Criamos um sistema mais efetivo de meios alternativos, utilizando o jornal semanal Szabadsag, a internet e outros meios. Criamos um amplo sistema de páginas web de organizações locais, utilizando a tecnologia do Youtube e outras novas tecnologias da internet.

Lutamos por uma cooperação mais efetiva de forças comunistas no âmbito internacional. O PCOH abandonou o PEE (Partido da Esquerda Europeia) porque não está de acordo com a política revisionista e oportunista do PEE. Temos certeza de que não precisaremos de uma “nova cultura política europeia”, mas sim de uma luta consequente contra o capitalismo, pelos direitos das massas trabalhadoras. Não devemos somente criticar o capitalismo, mas organizar a luta diária dos trabalhadores. Queremos acabar com o capitalismo. A Esquerda Européia quer melhorá-lo. Baseamo-nos no marxismo-leninismo, na teoria e na prática da luta de classes e nos princípios do internacionalismo proletário. A Esquerda Europeia, desgraçadamente, baseia-se no reformismo. A Esquerda Europeia luta contra o capitalismo apenas verbalmente, mas na prática ajuda a fortalecer a imagem “democrática” de uma União Europeia, do Parlamento Europeu e do sistema capitalista em geral.

Lênin disse: “Não se pode predizer o momento e nem o rumo da revolução. Esta é governada por suas próprias leis, mais ou menos misteriosas, mas quando chega é irresistível”. Devemos estar preparados.

http://pcb.org.br/portal/index.php


Professora, até ontem

O meu nome é Sónia Mano, até ontem era professora de Matemática na escola E.B. 2,3 de S. Torcato, em Guimarães (onde me encontrava a trabalhar com contrato a termo incerto). Hoje de manhã, por volta das 9h, recebi um telefonema da Secretaria da referida escola a informar-me de que o meu contrato de trabalho cessara no dia anterior.

Até aqui, poderá pensar-se… é uma coisa natural, mais uma professora dispensada do serviço após mais de seis meses de trabalho árduo com alunos oriundos de meios socioeconómicos muito desfavorecidos: Até eu estava já preparada para a eventualidade de receber a notícia nestes moldes. Mas e o que é feito do prazo legal de três dias para avisar um empregado de que o seu contrato vai terminar? Eu sou apenas mais uma das vítimas do Estado e da actual conjuntura que o país atravessa.

Mas o porquê do meu e-mail vai muito para além das queixas para com o sistema. É mais um grito, uma tentativa de que dêem algum tipo de atenção a certas situações que estão a acontecer neste país. Como eu, fo- mos várias as pessoas dispensadas hoje de manhã, ou melhor, informadas hoje de manhã de que o nosso contrato terminara no dia anterior. Não será isto mais uma vergonha do nosso país? Não há qualquer respeito pelos profissionais, nem pelo seu trabalho e esforço.

Mais acrescento, neste meu desabafo, que iniciei, a meio da semana passada, a correcção de EXAMES NACIONAIS do 9.º Ano! Este trabalho, não está concluído! Termina apenas amanhã, dia 8 de Julho. Entretanto, já amanhã, tenho uma reunião para aferição de critérios de avaliação, reu- nião essa de carácter obrigatório. E agora eu pergunto: O MEU CONTRATO DE TRABALHO E A MINHA LIGAÇÃO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO TERMINOU ONTEM. Como vão os alunos ter avaliação no referido exame? Quem vai suportar as despesas de deslocação de Vila Verde (minha residência oficial) até Guimarães?!

Hoje a minha vontade é não entregar os Exames, mas mais forte do que essa vontade é a necessidade de nunca prejudicar os alunos por causa de mais um erro do nosso sistema de ensino. Amanhã, eu irei suportar despesas de deslocação e voltarei a fazê-lo na sexta para entrega dos Exames. Durante esses dois dias, vou fazer uma aplicação criteriosa dos critérios de classificação. Mas precisava de fazer este desabafo: parem de chamar incompetentes aos professores portugueses, aqueles que lutam todos os dias por melhores condições numa escola cada vez mais pobre em valores, tais como a entre-ajuda e a solidariedade. Ajudem-nos a ajudar os vossos/nossos filhos a crescerem como cidadãos e, por favor, na luta pelos meus direitos enquanto trabalhadora/professora/EDUCADORA. Ajudem- -me a divulgar este caso que é apenas mais uma das vergonhas em que o nosso Estado está envolvido!

Tenho provas e documentos oficiais que comprovam cada uma das afirmações que estou a divulgar. Não sei mais onde me dirigir: é preciso que os portugueses saibam o que se está a passar numa escola pública de Portugal.

Sónia Mano

Diário do Minho

QUINTA-FEIRA 7 de Julho de 2011 Ano XCII N.º 29 277

Moodys

Esta e outras só existem, porque pagam-lhes para existirem. Só dos bolsos dos contribuintes Portugueses sairam milhões para pagarem a este tipo de empresas. Logo quem devia ser responsabilizados são todos os que contribuem para a existência de algo, que já se sabia os interesses que serviam desde a sua criação. O problema é que até agora serviu-lhes os intentos, de repente os fazedores de opinião começaram a dizer mal, do que antigamente diziam bem… O Cavaco Silva foi um entre muitos.


Mas quando esta Agência diz que não é com a politica da troika que o Pais vai conseguir sair da crise tem razão… e é esta razão que estes fazedores de opinião e politiqueiros querem disfarçar.


A politica da troika só vai servir para, ainda mais, roubar salários e direitos aos trabalhadores, e engordar os banqueiros e amigos; assim como o sistema implementado e idealizado por estes.


Desculpem lá, mas já sabemos os interesses que estas Agências têm… mas que agora saiu-lhes uma verdade da boca, isso saiu.


E verdades destas os Cavacos e outros vassalos dos agiotas não querem. Se esta agência tivesse afirmado que tinhaam que reduzir os salários, o valor das reformas, aumentar as taxas e impostos aos trabalhadores;


Privatizar tudo de forma a que quem queira comprar, e não tem dinheiro (estes compradores nunca têm), peça emprestimos ao banco para o banco pedir ao outro, etc… e depois emprestar ao interessado. Posteriormente será quem precisa destes serviços privatizados, que vão pagar os juros destes emprestimos e os lucros do comprador, através do pagamento destes serviços essenciais a quem trabalha; Nomeadamente os transortes públicos, a Àgua, os serviços de correios…


Aumentar o IVA, e deste modo aumentar os bens e serviços que os trabalhadores necessitam, nomeadamente aumentar o valor dos transportes públicos em mais de 15%…


Se a Agência dissesse que era preciso reduzir no pagamento da segurança social, e IRS pago pelos patrões… e que era preciso acabar com os serviços de saúde públios, as escolas públicas, etc…;


Assim como a manuenção da “isençao” dos impostos sobre os imóveis que estas empresas possuem, nomeadamente o sector financeiro, nem que para isso fosse preciso aumentar os impostos que o trabalhadores pagam pela sua “barraquinha”;


Apoiarem as isenções, que se mantêm actualmente, das mais mais valias realizadas pelos agiotas


Ai sim, estava bem e ainda aumentavam-lhes as avenças…


Ainda se queixam, quando cada vez que aumentam os juros da divida pública quem ganha e bem com isso são os compradores desta divida, nomeadamente o sector financeiro… sim que os banqueiros lucram com a desgraça dos outros.


Agora dizerem mal dos bancos deles é que não… ainda por cima estão a usufruir de garantias bancárias pagas pelo estado, com o dinheiro dos nossos imposto. Assim como uma grande fatia do empréstimo da troika vai direitinho para os bancos.


Mas trabalhadores não fiquem tristes, porque os juros desses financiamentos vão ser pagos com os nossos imposto…


Quem votou na troika com pena dos banqueiros, não fique triste… eles recebem e nós pagamos as despesas.

O trabalhador não se importa com o salário, quer é trabalhar…

Cada vez mais ouvem-se os patrões, quando questionados “amigavelmente” sobre os baixos vencimentos dos trabalhadores, a dizerem que o povo quer é trabalhar e que não estão importados com os aumentos dos salários, nomeadamente com o salário mínimo nacional.
Entre muitos, ainda não há muito tempo (uns dias antes das ultimas eleições legislativas), o Sr. Belmiro Azevedo que estava “escondido” foi a um jornal nacional dizer isto mesmo. Ou seja, resumindo, disse: venha lá a troika ajudar a explorar, ainda mais, os trabalhadores porque é preciso que o valor do trabalho seja reduzido. Quem trabalha não precisa de ganhar mais do que o suficiente para não morrer à fome, e para poder ir trabalhar.
O povo fez-lhe a vontade…
Recentemente um Sr. que intitularam presidente da confederação dos proprietários da industria hoteleira, após ter sido recebido pelo novo ministro da economia e do trabalho (subjugado aos interesses dos lucros dos patrões)… veio com esta mesma conversa.
Que o salário mínimo nacional não podia ser aumentado, e que este não era o problema dos trabalhadores, o problema dos trabalhadores era terem trabalho.
Resumindo, trabalho… trabalho… mas sem direitos.
Estes pensamentos levam-nos a lembrar tempos passados, tempos da escravatura; Tempos em que havia muito trabalho, mas não existiam direitos.
Estamos quase lá, e já naquele tempo haviam escravos que adoravam ser escravos.
Este Sr. Presidente que fez-me lembrar “os vendedores da cobra” disse qualquer coisa como, reduzindo os direitos dos trabalhadores, aumenta o número de postos de trabalho.
Deve ser… os patrões que tudo fazem para aumentar os horários de trabalho, através de diversos artefactos obrigam os trabalhadores a trabalharem muitas horas após o seu horário de trabalho (trabalho não remunerado, é claro); Agora é que iam contratar mais trabalhadores.
O Sr. Presidente da dita confederação (não sei se também representa os donos das bancadas de artesanato, e etc…) devia era estar preocupado com a fuga aos impostos que existe na hotelaria, mas claro ainda existe gente honesta.
Declaram ordenados mínimos dos seus trabalhadores; a maioria dos patrões nunca recebe mais do que € 500,00; as empresas é que pagam as casas, os carros e as creches dos filhos destes ditos proprietários; cobram o IVA ao cliente mas depois o declarado é bastante inferior; Escravizam muitos trabalhadores em situação ilegal, enfim… tudo bons rapazes, e este Sr. representa estes bons rapazes, logo é melhor do que eles.
Quanto ao Sr. Belmiro Azevedo é “umas mãos largas”;
Tem um jornal que dá, sucessivamente, muitos prejuízos… mas continua como se nada fosse, pois se acabasse com o jornal deixava de ter um órgão para influenciar o povo naquilo que lhe interessa, e se gasta é porque tem…
O problema é ter à custa da exploração;
Os seus centros de distribuição têm ao seu serviço, maioritariamente, trabalhadores precários que têm muito trabalho mas os direitos ficaram para o patrão, e para os seus vassalos que o substituem na tarefa de exploração destes trabalhadores.
Vassalos que cumprem criteriosamente as suas delegações de competência, e ainda inventam mais uns trabalhinhos forçados para estes trabalhadores, para quem até o direito de ir à casa de banho tornou-se numa regalia.
Cuidado, não engravidem… isto de engravidar não está em consonância com os interesses nacionais do patrão. Isto é coisa de burguês…
Os trabalhadores destes centros de distribuição chegam a trabalhar mais de doze horas por dia, sendo que têm que estar ao dispor do patrão ainda mais horas do que as “trabalhadas”.
Os horários são feitos de acordo com o interesse nacional do patrão, havendo interrupções nesses horários de longas horas, nas quais o trabalhador ou trabalha (de borla, é claro) ou tem que fazer tempo para regressar ao trabalho após umas horas de pausa, mas à sua própria conta.
Deste modo o trabalhador não está disponível para a sua família, nem para si próprio durante longas horas… vá lá ainda têm a possibilidade de irem dormir a casa.
Se estes trabalhadores barafustam são “convidados” a irem procurar emprego, pois se eles não estão dispostos a serem explorados existem muitos outros que estão.
Por estes e muitos outros motivos, é que estes Srs que cometem ilegalidades aguardaram e sempre obtiveram a ajuda dos sucessivos governos, para legalizarem as ilegalidades cometidas por eles.
Veja-se o caso dos recibos verdes…
Recibos que são utilizados na maioria dos casos por trabalhadores que prestam um trabalho regular e não são independentes. Que estão submetidos a um suposto horário de trabalho, estando dependentes hierarquicamente das chefias.
Estes trabalhadores obrigatoriamente deviam ser do quadro dessa empresa, mas não…
Quem perde? O trabalhador e o estado… eu escrevi o estado e não o governo.
Os trabalhadores precários e a recibos verdes são óptimos “chouriços” para os patrões triturarem.
Pois têm que trabalhar, trabalhar, e não contestar…
Têm que fazer tudo o que lhe mandam, não interessa a função. Se o patrão precisar, ele têm que lhe ir levar o cafezinho, limpar a secretária, levar os filhos do patrão à escola, dormir no trabalho se for preciso.
Quanto a doenças, é melhor não as ter senão nem dinheiro para os medicamentos vai ter, e quando regressar ao trabalho pode já estar ocupado.
Se o trabalhador não aceitar este pacto de interesse nacional do patrão, vai-se embora no dia seguinte. O que não falta é quem “queira trabalhar”.
Quanto ao trabalhador é lixo, serviu para os fins e agora o patrão deita fora.
Isto é ilegal…. Mas eles gostam muito da legalidade e por isso estão a aguardar. Mas atenção, não têm tempo a perder e já vão mais à frente.
A Constituição incomoda muito o interesse nacional do patrão.
Existem trabalhadores que dizem que é pratica comum, por isso têm que aceitar… logo a lei deve mudar.
Esses trabalhadores se gostam de “levar na tromba” é com eles, mas “deixem em paz” a lei para aqueles que não se vergam e procuram justiça…
Que raio de mania dos “cobardes” quererem que todos os outros sejam cobardes…

Creches ilegais

A SIC transmitiu há dias uma reportagem chocante sobre maus-tratos a crianças por parte de uma ama ilegal em Lisboa.
A reportagem, baseada em imagens gravadas pelo telemóvel do vizinho da frente e por uma câmara oculta da SIC, gerou natural indignação e uma discussão mais ou menos académica sobre a legitimidade da divulgação deste tipo de imagens.
A generalidade dos comentários passaram no entanto à margem da questão essencial:
A razão pela qual os pais destas 14 crianças as entregaram aos «cuidados» desta «ama». Aliás, a comunicação social divulgou a propósito a informação de que um terço das crianças portuguesas estão em creches ilegais.
Na raiz desta realidade está a evidente falta de uma rede pública de creches que responda às necessidades das crianças e das suas famílias. Estas são demasiadas vezes confrontadas com dificuldades dramáticas para arranjar vaga em instituições com mensalidades que os orçamentos familiares comportem, perto de casa ou do emprego dos pais.
Em tempos em que se choram lágrimas de crocodilo pela baixa taxa de natalidade dos portugueses, seria justo reconhecer igualmente que ter onde deixar as crianças em condições de segurança e em locais pedagogicamente adequados seria um importante contributo para que mais casais decidissem ter mais filhos.
A ama ilegal da reportagem da SIC afirmava ainda, promovendo os seus serviços, que os pais podiam deixar as crianças das 10 às 3 da manhã na «creche». E isto levanta outra questão, brutal:
Os efeitos nas crianças, nas suas condições de vida, na saúde e no seu desenvolvimento integral, da desregulação dos horários de trabalho do seu agregado familiar e do aumento dos níveis de exploração a que os SEUS PAIS estão sujeitos.
As medidas que o acordo da troika estrangeira com a troika portuguesa prevê na área dos direitos laborais e das condições de vida em geral das famílias, a serem aplicadas, só serviriam para empurrar ainda mais crianças para situações de pobreza, risco e exclusão.
De alguém, que não sei quem…