Mais despedimentos….

Infelizmente isto já não é noticia… desemprego a crescer, o problema são sempre os lucros nunca as pessoas.

Noticia publicada no Jornal Público, em 12.02.2013

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Breve história dos Resgates Financeiros: Miséria e a Saida das Crises pela Resistência

O esquema imperialista de saque de impostos para financiar o centro capitalista nem sequer é novo. Serviu por mais de cem anos para extorquir rendimentos ao chamado Terceiro Mundo. Actualmente o esquema obrigacionista de todos os cidadãos pagarem um tributo ao Império chegou à Europa pela emissão de “dividas soberanas”, isto é, os gerentes do Euro reforçam a sua aliança com os emissores de Dólares, a moeda global cuja emissão só por si já é a emissão de um imposto global.
Fala-se de resgates de muitos milhões de euros, de acções de risco, dívida bancária, défices por contas correntes, etc. porém raramente se analisam em profundidade as consequências sociais que essas “ajudas” acarretam nem dos processos de luta que se desencadeiam antes, durante e depois.
 
“Quando instituições do tipo do FMI, Banco Mundial ou o BCE falam de resgates, na realidade o que querem dizer é um financiamento das dívidas privadas mediante a destruição dos serviços públicos, ataques às condições laborais, redução das pensões e deteriorização social e ambiental. Neste sentido é importante entender que a intenção de fundo do 1% dos que governam o mundo é conseguirem ficar ainda mais ricos depois da crise, ainda que alguns deles caiam. 
A partir daí, entende-se facilmente que os chamados resgates, anteriormente chamados “planos de ajuste estrutural”, só agravam as crises dos países saqueados, desencadeando no entanto um processo de polarização social e fortes lutas.
Nos finais dos anos 70 o ciclo económico de expansão que se seguiu à Segunda Guerra Mundial chegou ao fim. Durante este período a economia armamentista permanente – a produção massiva de armas – e a reconstrução da Europa haviam permitido o desenvolvimento económico capitalista sob as directrizes do keynesianismo (militar). 
 Quer dizer, foi mediante politicas de aumento da procura que se pretendia desenvolver a economia. Teorizava-se então que os salários relativamente altos permitiam o aumento do consumo e, portanto, a expansão da economia. Sem dúvida, estas politicas não foram capazes de travar a deterioração económica dos anos 70 e princípios de 80, uma vez que, fruto da sua irracionalidade, o capitalismo tende irremediavelmente para a crise crónica.
Nesse momento, os agora chamados Neoliberais, encabeçados por Milton Friedman, tiveram a sua opor- tunidade. No livro de Naomi Klein, “A Doutrina de Choque”, descreve-se como os “Chicago Boys” (discípulos de Friedman) aproveitaram os golpes-de-estado na América Latina para poder experimentar as suas teorias económicas. 
Assim, os generais golpistas argentinos assassinaram 30.000 militantes de partidos de esquerda para aplicar um “pacote financeiro”, que era como se chamavam os “resgates” naquela época. 
Em toda a América Latina e em grande parte de África impuseram-se ditaduras apoiadas pela CIA e assessoradas pelos Chicago Boys. As condições são as mesmas que hoje são sobejamente conhecidas (particularmente na Europa onde recentemente chegou a obrigação de pagar a crise do Império): cortes nos défices mediante privatizações de serviços públicos, enorme esforço popular para pagar a dívida externa (cada português “deve” mais de 2.400 euros), baixa de salários e menos impostos para os ricos. Tudo isto dando-se ares de restaurar o crédito e converter os Estados em locais ideiais para os negócios.
As consequências foram desastrosas para a maioria da população. De acto, os anos 80 ficaram conhecidos na America do Sul como uma década perdida. Os Estados afectados pelos resgates viram reduzidos todos os seus indicadores de desenvolvimento humano, esperança de vida, percentagens de pobreza, alfabetização, habitação, etc. Na Grécia, depois de três anos de resgates a esperança de vida regrediu cinco anos desde o primeiro resgate e um terço da população vive abaixo do limiar de pobreza. 
Aqui começamos a ver como depois dos cortes na Saúde começa a diminuir, pela primeira vez em 35 anos, a esperança de vida. Cada resgate piorou a situação económica geral enquanto a riqueza se tem concentrado cada vez em menos mãos. As receitas da União Europeia seguidas fielmente pelo neocon Rajoy em Espanha apenas confirmam o agravamento da situação económica e, mais grave, a vida das pessoas.
Um aspecto chave a analisar são as resistências criadas nos países que sofreram os “resgates”. Na Grécia já houve 19 greves gerais, o que permitiu, por exemplo, que existam durante alguns períodos centros de saúde auto-gestionados pelos trabalhadores que atendem gratuitamente a população. E também o bloqueio que impossibilitou o governo grego de privatizar serviços públicos para conseguir angariar 50.000 milhões. 
Na América Latina, desde o caracazo venezuelano de 1989 – qualificado como a primeira revolta urbana contra os “planos de ajuste estrutural” – inaugurou-se uma década de resistências, como a vitoriosa Comuna de Cochabamba na Bolívia contra a privatização da água (incluindo a das chuvas). 
Os exemplos de maior êxito deram-se em países que mediante revoltas populares conseguiram derrotar os governos que obedeciam a “memorandos de entendimento”, como a Argentina em 2001, e cujos exemplos mais avançados levaram ao poder governos sociais-democratas revolucionários no Equador e na Venezuela – os quais estão a inverter muitas das consequências dos resgates.
 
É porém importante assinalar que estes governos apenas rompem a hegemonia dos grandes partidos tradicionais devido aos enormes processos de lutas populares, os quais actualmente enfrentam graves e insolúveis contradições ao intentar conjugar justiça social e capitalismo”

INJECTAR MILHARES DE MILHÕES NA BANCA QUE ESBANJOU LUCROS FABULOSOS


Na verdade não se vê sinais de se inverter a situação económica em nos encontramos, e os senhores do poder e do capital continuam a brincar com o Zé Pagode, até um dia….


A “Crise Soberana”, os lucros pornográficos dos banqueiros e a colaboração cúmplice dos políticos. Porque não os matamos a todos e acabamos com isto de vez?


Em Dezembro de 1963 começou na cidade alemã de Frankfurt o chamado Julgamento de Auschwitz. Vinte e dois homens das SS do campo de concentração de Auschwitz foram julgados por cumplicidade ou homicídio. Durante o julgamento, na sequência dos horrores descritos por testemunhas sobreviventes, uma senhora que assistia ao julgamento teve o seguinte desabafo que todo o tribunal ouviu:



– Porque não os matam a todos [os réus] e acabam com isto!



Vem isto a propósito dos 78 mil milhões de euros que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional vão emprestar a Portugal a juros agiotas (vão ser pagos durante 13 anos a uma taxa igual ou superior a 6% = 4% de juros + 2% de spreads= 6%).



Destes 78 mil milhões de euros, 12 mil milhões de euros vão servir para a recapitalização dos bancos e, dos 66 mil milhões restantes, o Estado oferece, “acomoda”, 35 mil milhões de euros em garantias à Banca para que esta possa emitir dívida para se “financiar”… Ou seja, o Estado vai oferecer de mão beijada à Banca 47 mil milhões de euros à custa dos contribuintes.

Os restantes 31 milhões de euros vão servir para pagar os juros dos empréstimos aos bancos pelas obras faraónicas e inúteis com que os serviçais políticos (a soldo da Banca) endividaram o país.



Presidentes dos Bancos Nacionais, respectivamente:

BCP – CGD – BPI – TOTTA – BES



Políticos a soldo:

Sócrates, Teixeira dos Santos, Passos Coelho, Vítor Gaspar e Paulo Portas



**************************************



E assim, os contribuintes portugueses vão injectar directamente 47 mil milhões de euros numa Banca que, como os números comprovam, atravessa “enormes dificuldades”:



Banco Espírito Santo

Lucros em 2006 = 420 milhões de euros

Lucros em 2007 = 607 milhões de euros

Lucros em 2008 = 402,3 milhões de euros

Lucros em 2009 = 522 milhões de euros

Lucros em 2010 = 510,5 milhões de euros

Banco Millennium bcp



Lucros em 2006 = 780 milhões de euros

Lucros em 2007 = 563 milhões de euros

Lucros em 2008 = 201,2 milhões de euros

Lucros em 2009 = 225 milhões de euros

Lucros em 2010 = 301,6 milhões de euros

BPI – Banco Português de Investimento

Lucros em 2006 = 308,8 milhões de euros

Lucros em 2007 = 355 milhões de euros

Lucros em 2008 = 150,3 milhões de euros

Lucros em 2009 = 175 milhões de euros

Lucros em 2010 = 184,8 milhões de euros

Banco Santander Totta

Lucros em 2006 = 425 milhões de euros

Lucros em 2007 = 510 milhões de euros

Lucros em 2008 = 517,7 milhões de euros

Lucros em 2009 = 523 milhões de euros

Lucros em 2010 = 434,7 milhões de euros



Em suma



Como é que ficámos a dever tanto dinheiro aos bancos portugueses e estrangeiros?


A resposta é simples: o Banco Central Europeu empresta dinheiro aos bancos mas não pode, estatutariamente, emprestar dinheiro aos Estados e, assim, os Governos são obrigados a negociar com os bancos (nacionais e internacionais) para se poderem financiar.



Visto que os bancos privados se financiam junto do BCE a taxas de juro de cerca de 1% e exigem juros muito superiores para comprarem dívida dos países (Portugal tem andado a a endividar-se a taxas de juro de 6, 7, 8, 9 e 10%), resulta que a banca privada, incluindo a nacional, tem feito fortunas a comprar dinheiro barato na UE e a vender caro cá.


E quem é que paga este enriquecimento da banca privada? Essa resposta é ainda mais simples: somos todos nós. É através dos impostos, dos cortes nos salários e nas pensões, que vamos
pagando aquilo que os bancos vão ganhando.



Como explicou linearmente o jornalista Fernando Madrinha no Jornal Expresso de 1/9/2007:



«Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. […] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais.»



O crime destes políticos venais a soldo de agiotas assassinos, ao destruir um país e enviando milhões de pessoas para a miséria – um crime de altíssima traição – deve ser imperativa e rapidamente punido com a morte. E terá de ser o povo a executar a sentença, já que o sistema que deveria tratar disso está podre de alto a baixo.


De alguém, que não sei quem

Moodys

Esta e outras só existem, porque pagam-lhes para existirem. Só dos bolsos dos contribuintes Portugueses sairam milhões para pagarem a este tipo de empresas. Logo quem devia ser responsabilizados são todos os que contribuem para a existência de algo, que já se sabia os interesses que serviam desde a sua criação. O problema é que até agora serviu-lhes os intentos, de repente os fazedores de opinião começaram a dizer mal, do que antigamente diziam bem… O Cavaco Silva foi um entre muitos.


Mas quando esta Agência diz que não é com a politica da troika que o Pais vai conseguir sair da crise tem razão… e é esta razão que estes fazedores de opinião e politiqueiros querem disfarçar.


A politica da troika só vai servir para, ainda mais, roubar salários e direitos aos trabalhadores, e engordar os banqueiros e amigos; assim como o sistema implementado e idealizado por estes.


Desculpem lá, mas já sabemos os interesses que estas Agências têm… mas que agora saiu-lhes uma verdade da boca, isso saiu.


E verdades destas os Cavacos e outros vassalos dos agiotas não querem. Se esta agência tivesse afirmado que tinhaam que reduzir os salários, o valor das reformas, aumentar as taxas e impostos aos trabalhadores;


Privatizar tudo de forma a que quem queira comprar, e não tem dinheiro (estes compradores nunca têm), peça emprestimos ao banco para o banco pedir ao outro, etc… e depois emprestar ao interessado. Posteriormente será quem precisa destes serviços privatizados, que vão pagar os juros destes emprestimos e os lucros do comprador, através do pagamento destes serviços essenciais a quem trabalha; Nomeadamente os transortes públicos, a Àgua, os serviços de correios…


Aumentar o IVA, e deste modo aumentar os bens e serviços que os trabalhadores necessitam, nomeadamente aumentar o valor dos transportes públicos em mais de 15%…


Se a Agência dissesse que era preciso reduzir no pagamento da segurança social, e IRS pago pelos patrões… e que era preciso acabar com os serviços de saúde públios, as escolas públicas, etc…;


Assim como a manuenção da “isençao” dos impostos sobre os imóveis que estas empresas possuem, nomeadamente o sector financeiro, nem que para isso fosse preciso aumentar os impostos que o trabalhadores pagam pela sua “barraquinha”;


Apoiarem as isenções, que se mantêm actualmente, das mais mais valias realizadas pelos agiotas


Ai sim, estava bem e ainda aumentavam-lhes as avenças…


Ainda se queixam, quando cada vez que aumentam os juros da divida pública quem ganha e bem com isso são os compradores desta divida, nomeadamente o sector financeiro… sim que os banqueiros lucram com a desgraça dos outros.


Agora dizerem mal dos bancos deles é que não… ainda por cima estão a usufruir de garantias bancárias pagas pelo estado, com o dinheiro dos nossos imposto. Assim como uma grande fatia do empréstimo da troika vai direitinho para os bancos.


Mas trabalhadores não fiquem tristes, porque os juros desses financiamentos vão ser pagos com os nossos imposto…


Quem votou na troika com pena dos banqueiros, não fique triste… eles recebem e nós pagamos as despesas.

São os lucros e não os salários!


No dia seguinte ao chumbo pelo PS, PSD e CDS da proposta do PCP na Assembleia da República que visava a tributação dos dividendos dos grupos económicos, cuja distribuição estes decidiram antecipar de 2011 para 2010 – roubando assim umas centenas de milhões de euros ao Estado –, surgiu com grande estrondo nos principais meios de comunicação social a notícia de que, nos Açores, os salários dos trabalhadores da administração pública regional não seriam alvo de cortes.

As reacções foram as que se esperavam. Na tentativa de fazer esquecer a vergonhosa recusa da proposta do PCP sobre a taxação dos dividendos e de recentrar o debate ideológico no corte nos salários, sucederam-se declarações durante toda a semana.

Desde logo do próprio Presidente da República (e também candidato), que tinha ficado calado perante a golpada dada pelos grupos económicos com a antecipação da distribuição dos dividendos mas que, em relação aos cortes salariais, até a Constituição da República decidiu invocar para exigir a penalização de todos os trabalhadores. Uma declaração, aliás, coerente com uma vida de ataque aos salários quer como primeiro-ministro, quer como Presidente.

Manuel Alegre, também ele candidato à PR, no seu contorcionismo habitual, nuns dias criticou a decisão dos Açores, noutros considerou-a legítima. Enfim, o costume de quem quer andar à chuva sem se molhar.

E no meio desta erupção mediática, onde medram cálculos e oportunismos vários, registe-se ainda a dupla face de BE e CDS. Quem ouviu a deputada do CDS condenar o Governo por permitir a «excepção» aos cortes nos salários não imaginaria que o seu partido se tinha afinal abstido em relação a esta proposta nos Açores. E quem viu os deputados do BE a votar contra esta decisão na Assembleia Legislativa Regional nunca imaginaria que dias depois Francisco Louçã haveria de a defender com tamanha convicção.

Enfim, sobra o claro posicionamento de classe e a respectiva coerência de argumentos do PCP. Que não só esteve contra o corte nos salários como propôs e votou a favor de um apoio compensatório aos funcionários públicos nos Açores. E que não só denunciou a inaceitável manobra dos grupos económicos de fuga o fisco como apresentou uma proposta concreta para impedir tal golpada. Pois sabemos que é nos lucros escandalosos dos grupos económicos e não nos salários que se encontram as razões de tantas injustiças

Vasco Cardoso