Segurança Social – Isto está tudo ligado

Ministro quer ADSE sem impostos

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, defendeu ontem, em entrevista ao Expresso, a manutenção da ADSE mas sem transferências do Orçamento do Estado, justificando que só é justo ter um sistema de Saúde diferente para funcionários públicos se forem estes a contribuir. A ADSE não deve contar, “como até agora, [com] transferência do Orçamento do Estado, dos impostos de outros portugueses”, afirmou.

Público 30/06/2013

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Quanto pior, melhor para as seguradoras (também já têm seguros para complementar as prestações da ADSE)

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ADSE | UM PEQUENO ESCLARECIMENTO A TODOS OS IGNORANTES (OU PSEUDO IGNORANTES) DESTE PAÍS…

“Ora bem, para responder à pergunta como te sentes hoje Alexandra, começo por dizer que me sinto f…da vida (o que começa a ser hábito).

De facto, argumentos não faltam, todos os dias um diferente, que é para a malta não enjoar!!

Assim, vamos ao argumento do dia, a já famosa, quanto mais não seja pela sua natureza absolutamente estúpida, discussão acerca da extinção, ou não, da ADSE.

Do que tenho ouvido, e tenho de facto ouvido de tudo um pouco, e daqueles comentários que não merecem sequer resposta, não posso, contudo, deixar de responder alguma coisa, na esperança, com certeza vã, de esclarecer algumas mentes confusas (hoje estou dada a eufemismos), que, para além de não saberem do que falam (mas ainda assim o fazem), tentam, sem sucesso dos seus argumentos, esconder aquilo que realmente são, ou seja, mesquinhos, invejosos, maldizentes, mas, acima de tudo, ignorantes!

E como deveria falar quem do que fala sabe, dei-me ao trabalho de pesquisar e perguntar a quem de facto sabe, antes de escrever este relambório.

Posto isto cá vai:

Ouvi (várias vezes) que o desgraçado do trabalhador privado desconta 11% do seu salário para o SNS enquanto o afortunado (fdp) funcionário publico desconta uns míseros 1.5% para a ADSE, usufruindo assim, por muito menos, de todo um conjunto de regalias na área da saúde que não estão ao dispor do trabalhador privado, sujeito às contingências (desastrosas) do SNS.Bom, nunca a expressão “misturar alhos com bugalhos” fez tanto sentido!!

Assim sendo, vamos ao esclarecimento:

O trabalhador privado desconta 11% do seu salário para o Instituto de Gestão Financeiro da Segurança Social, dos quais, 10% são para o Fundo Nacional de Pensões (a reformazinha que todos querem) e 1% para o Fundo de Garantia Salarial e para o Fundo de Desemprego. E assim se explica a razão pela qual a entidade patronal só desconta 10%, uma vez que não tem direito a fundo de desemprego.

O (fdp) funcionário público desconta 1.5% para a ADSE, um subsistema de saúde sem fins lucrativos, e 11% para a Caixa Geral de Aposentações (lá está, a reformazinha que todos querem) *Contas feitas, o (fdp) funcionário público desconta 12.5% do seu salário, face aos 11% do trabalhador privado.*Mas, para sermos justos neste esclarecimento, vamos retirar da discussão o desconto para a ADSE e ficamos assim com descontos equiparados para os mesmos fins, ou seja, 11% para a reformazinha que todos querem.

E o SNS (também conhecido por Sistema Nacional de Saúde), onde fica no meio disto?
Pois bem, o SNS é financiado através do Orçamento Geral do Estado, que, como todos sabem, ou deveriam saber, é GRANDEMENTE financiado pelos impostos dos portugueses, que por acaso, mas apenas por mera coincidência, são também (para não dizer quase todos), dos (fdp) funcionários públicos.

Chegamos assim à conclusão que o (fdp) funcionário público não só desconta para ter um subsistema de saúde que lhe permita alguma qualidade na área da saúde, como também paga para que aqueles que não tendo ADSE, ou qualquer outro do género, tenham um SNS.
Ainda ontem ouvi no fórum da TSF um trabalhador privado falar do alto da sua indignação que se levantava as 4 da manha para ir para o centro de saúde para ter direito a uma consulta, que morava no centro da capital(!!!!, isto fazia parte da indignação, porque dizia o sr., não morava atrás do sol posto, mas sim na capital da nação, sim porque até se aceita que quem mora atrás do sol posto se levante às 4 da manhã para ir ao centro de saúde, o que se torna absolutamente inaceitável é que tal aconteça aos residentes no centro da capital da nação), e que não tinha médico de família atribuído, e mais uma carrada de desgraças, tudo porque na sua qualidade de trabalhador privado, e depois de descontar 11% do seu salário, não tinha ADSE ou qualquer outra regalia que lhe permitisse deslocar-se a outro local que não ao centro de saúde e, forçosamente, usufruir dos bons ofícios do SNS.

Bom, a questão dos descontos estará por esta altura, espero eu, devidamente esclarecida, mas ainda assim, para que não se alegue mais tarde uma profunda ignorância na matéria, os trabalhadores privados não descontam para o SNS, pelo menos diretamente. Indiretamente, TODOS os portugueses financiam o SNS através dos seus impostos. E aí caro sr e outros ignorantes do género, é só fazer as contas e ver, no final da matemática, quem mais contribui afinal para o SNS.

Encerrado este assunto, apraz-me ainda um outro comentário, a título de resposta ao sr em causa e a todos os ignorantes do género, acabem com a ADSE e todos os sub sistemas de saúde e vão ver a fila aumentar!!! E como a grande maioria dos (fdp) dos funcionários públicos residirá nos grandes centros urbanos e não atrás do sol posto, o melhor será começar a pôr o despertador para as 2 da manhã.

A sorte será que alguns dos (fdp) dos funcionários públicos optarão por fazer seguros de saúde privados e assim substituir a ADSE (associação sem fins lucrativos, diretamente vinculada ao Estado) por outro qualquer subsistema chamado MEDIS ou outro qualquer (associação com fins lucrativos, diretamente ligada às seguradoras e aos bancos), contribuindo assim, sem dúvida, para o aumento da riqueza…de alguns (basicamente, dos mesmos de sempre).

Quanto ao SNS, esse permanecerá como sempre, precário e abandonado à sua má sorte, com a diferença de que passará a ter mais utentes, que engrossarão as fileiras dos desesperados das listas de espera desesperada.

E pronto, para os que estoicamente resistiram até ao fim, espero ter ajudado.”

POR ALEXANDRA FERNANDES