As Armas e o Povo

Este filme retrata o período entre os dias 25 de Abril de 1974 e o Primeiro de Maio. Mostra o movimento militar e a agitação popular nas ruas, tendentes ao desmantelamento do «aparelho social e político do fascismo».
A história faz-nos recuar ao golpe do 28 de Maio de 1926, dando-nos a ver os movimentos que, desde então, contribuíram para que se tornasse possível a Revolução dos Cravos

As Armas e o Povo é um documentário português de longa-metragem, um filme colectivo realizado e produzido pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, que levaria à renovação do respectivo sindicato. São ilustrados os primeiros seis dias da Revolução dos Cravos.

O filme estreia no Teatro Rosa Damasceno, em Santarém, em Novembro de 1977.

Ficha técnica

Realização e produção: Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica
Realizadores:
José Fonseca e Costa
José de Sá Caetano
Eduardo Geada
António Escudeiro
Fernando Lopes
António de Macedo
Glauber Rocha
Alberto Seixas Santos
Artur Semedo
Fernando Matos Silva
João Matos Silva
Manuel Costa e Silva
Luís Galvão Teles
António da Cunha Teles
António Pedro Vasconcelos
Ricardo Costa (cineasta) (imagens do 25 de Abril)
direcção de produção
Henrique Espírito Santo
fotografia
Acácio de Almeida
Elso Roque
Moedas Miguel
Formato: 35 mm cor e p/b
Género: documentário histórico
Duração: 81′
Exteriores: Lisboa
Rodagem: 25 de Abril a 1 de Maio de 1974
Laboratório de imagem: Tobis Portuguesa
Laboratório de som: Valentim de Carvalho
Distribuição: Instituto Português de Cinema
Música
José Afonso e José Mário Branco

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As Armas e o Povo

Este filme retrata o período entre os dias 25 de Abril de 1974 e o Primeiro de Maio. Mostra o movimento militar e a agitação popular nas ruas, tendentes ao desmantelamento do «aparelho social e político do fascismo».
A história faz-nos recuar ao golpe do 28 de Maio de 1926, dando-nos a ver os movimentos que, desde então, contribuíram para que se tornasse possível a Revolução dos Cravos

As Armas e o Povo é um documentário português de longa-metragem, um filme colectivo realizado e produzido pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, que levaria à renovação do respectivo sindicato. São ilustrados os primeiros seis dias da Revolução dos Cravos.

O filme estreia no Teatro Rosa Damasceno, em Santarém, em Novembro de 1977.

Ficha técnica

Realização e produção: Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica
Realizadores:
José Fonseca e Costa
José de Sá Caetano
Eduardo Geada
António Escudeiro
Fernando Lopes
António de Macedo
Glauber Rocha
Alberto Seixas Santos
Artur Semedo
Fernando Matos Silva
João Matos Silva
Manuel Costa e Silva
Luís Galvão Teles
António da Cunha Teles
António Pedro Vasconcelos
Ricardo Costa (cineasta) (imagens do 25 de Abril)
direcção de produção
Henrique Espírito Santo
fotografia
Acácio de Almeida
Elso Roque
Moedas Miguel
Formato: 35 mm cor e p/b
Género: documentário histórico
Duração: 81′
Exteriores: Lisboa
Rodagem: 25 de Abril a 1 de Maio de 1974
Laboratório de imagem: Tobis Portuguesa
Laboratório de som: Valentim de Carvalho
Distribuição: Instituto Português de Cinema
Música
José Afonso e José Mário Branco

Ao que chegámos…

Prezada(o)s associada(o)s e amiga(o)s



Para v/ conhecimento junto enviamos, em anexo, cópia de Moção, aprovada por unanimidade na Assembleia-Geral extraordinária da Associação 25 de Abril, realizada no passado dia 15, sobre legislação que se encontra em projecto e que visa abrir a possibilidade dos responsáveis pelas representações diplomáticas portuguesas poderem decidir sobre a observação ou não do dia 25 de Abril como feriado nacional.

Mais informamos que o original da referida Moção foi, nesta data, remetido à Senhora Presidente da Assembleia da República e foi dado conhecimento do teor da mesma os líderes parlamentares.



Cordiais saudações

Vasco Lourenço


Os filhotes de salazar/caetano (3ª tiragem)

por Victor Nogueira a Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012 às 2:08 ·

A propósito de intervenções nas redes sociais, em blogs ou comentários de lleitores em jornais on-line
Mas que pobreza de argumentação. Com tal nível, os defensores de Salazar contra o 25 de Abril na sua universidade salazarista nem passariam do 1º semestre do 1º ano. Quanto muito seriam “licenciados” como polícias de giro e cacete. Daqueles que usavam fartos bigodes. E muitas vezes imponente barriga
Serão “analfabrutus” ou “inteligentes” os que defendem salazar ou a troika ? Há relação entre salazar e as troikas ?
__________
Como cogumelos depois da chuva aparecem os defensores de Salazar e do Paraíso. Transformado em  Inferno pela “traição” do 25 de Abril.” Mas será o 25 de Abril uma traição ao Portugal de Salazar/Caetano? Que Paraísoo havia antes do 25 de Abril ? Paraíso para quem ?
Sim, antes do 25 de Abril era o Paraíso. Havia uma elite de endinheirados ou  iluminados e uma corja de milhões de analfabetos. Ou analfabrutos. Tão analfabrutos que largando o Jardim das Delícias à beira-mar plantado emigravam aos milhares de milhares para procurarem lá fora o pão e o mel que aqui não vislumbravam para além da fome e da miséria e dos bucólicos tugúrios campestres ou encantadores bairros de lata. Aos milhares de milhares. E só os brutos viam e sentiam o trabalho de sol a sol nos campos do Alentejo. E os dias não pagos quando fazia mau tempo. Dias não pagos na agricultura. . Na construção civil e obras públicas. Na indústria das conservas de peixe. E nas horas extraordinárias à borla. E trabalhadores despedidos se adoeciam. Sem assistência na doença. Nem eles nem as famílias. Trabalhadores e suas famílias sem qualquer apoio no desemprego. E trabalho sem direito a férias para a esmagadora maioria.
Havia   as praças da jorna. Sucessores dos mercados de escravos. Antecessoras das empresas de trabalho temporário ! Tudo igual no essencial  – trabalho escravo. Trabalho assalariado. Trabalho precáriio. Tabalho à peça ou à hora. Um elo de ligação- desvalorização do trabalho e da liberdade que não seja a do expllorador ! Seja patrão, seja capitalista, seja empresário, empreendedor ou não !
E havia pedintes e crianças e aleijados – uma esmola “pelo amor de Deus”.Ou “pela sua rica saúde”. E pedintes e aleijados e crianças esmolando. Pelas ruas. Pelas esquinas. À porta das igrejas. E crianças trabalhando sem ir à escola. Vendendo jornais. Ou como marçanos levando as compras da mercearia às casas. E criadas de servir sem direitos e de que se serviam os patrões e seus filhotes. Despedidas – as desavergonhadas – se engravidavam. E os aprendizes – crianças – mão de obra barata.  E maridos que matavam impunemente as mulheres para “lavarem a honra”.  Machos lusitanos viris com amantes e ”espanholas” a quem montavam casa.
E mulheres dependentes da autoridade e arbítrio. do marido e das suas autorizações, do senhor todo poderoso. E apenas “curiosas” para assistirem aos partos. E para fazerem abortos. E filhos, muitos filhos, arrastando-se pela miséria. Ranhosos, Esfarrapados, Famintos. Enfezados.  E as mães tendo de ir trabalhar logo a seguir ao parto. Para não serem despedidas ! E as mulheres com salários inferiores aos dos homens. Porque salazar e os patrões as consideravam seres inferiores.  Era a Lei. Estava na Lei !
Porque será que as crianças nascidas depois  do 25 de Abril são mais altos que os nascidos anteriormente ? Talvez porque só depois do 25 de Abril passou a haver acompanhamento das mães durante a gravidez e partos assistidos nos hospitais públicos com acompanhamento médico às crianças e jovens. E possibilidade das populações darem melhor alimentação aos filhos. Incluindo leite e abandonando as “sopas de cavalo cansado”, isto é, pão e vinho,  que embruteciam logo desde a nascença em muitas aldeias e vilas e cidades de Portugal.  
E velhos que se enforcavam devido à miséria. Sem dinheiro. Sem saúde. Sem apoios sociais. E famílias a comerem o pai uma sardinha e os filhos côdeas de pão. E vinho, muito vinho e tabernas a cada esquina para “dar de comer a um milhão de portugueses”. E em muitas vilas e aldeias do Alentejo duas sociedades “recreativas” – a dos pobres e a dos ricos. E a pobreza envergonhada da pequena burguesia.
E os “criados” dos cafés e os motoristas de taxi e os engraxadores – velhos ou miúdos – vivendo apenas da gorjeta. Sem direitos. E os aprendizes de operário ou de costureira ou mesmo criadas de servir  – crianças – que muitos não eram remunerados pelos patrões.
E na verdade não havia tantos automóveis. O povo e os trabalhadores andavam de eléctrico ou de autocarro, cada vez mais amontoado como gado nos transportes colectivos. Ou de motorizada. Ou de bicicleta. Ou a pé. Meios  de transporte saudáveis, curtidos pelo sol, ou pelo frio, lavados pela chuva, refrescados pela brisa no rosto !
E aldeias e vilas e bairros de lata de norte a sul e no interior, sem água canalizada. Sem electricidade. Sem esgotos. E as casas  sem instalações sanitárias ou de banho. “Aliviando-se”  as pesoas ao ar livre. Atás duma moita ou das estevas. E as malvas a servirem de papel higiénico. E as ruas lamaçais. E uma bicia ou fonte para o povo.  De cantaro à cabeça ou à ilharga.
E a Ponte sobre o Tejo ! Ah! A Ponte sobre o Tejo que não era de Salazar construída com o desalojamento forçado e com indemnizações de miséria aos habitantes e proprietários de Alcântara. E os bairros de lata. E os mortos nas cheias de 1967 em Lisboa porque Salazar não permitiu que as populações fossem alertadas das chuvadas torrenciais que se avizinhavam. E os milhares de camponeses mortos em Janeiro de 1961 na Baixa do Cassanje, em Angola, numa área maior que Portugal, em greve contra o regime de monocultura da Cotonang, metralhados e regados com napalm pelas Forças Armadas Portuguesas E tantos e tantos massacres com as almas voando para o Paraíso se inocentes de que os jornais não falavam. Massacre da Baixa do Cassanje anterior aos massacres perpetrados pelos camponeses do Norte de Angola, enquadrados pela UPA com o apoio não da URSS mas dos EUA. Em 15 de Março de 1961
A mentira do Portugal do Minho a Timor, onde nas colónias e apesar de 5 séculos de ocupação a esmagadora maioria das populações não falava português nem tinha direitos de cidadania. Apressadamente reconhecidos apenas depois do início das revoltas na Guiné, Angola, Moçambique, S. Tomé e Princípe  … Isto é, depois de 1961. E  os brancos lá nascidos, durante muito tempo oficialmente considerados “brancos de 2ª.” Era o registo no Bilhete de Identidade. Colónias portuguesas cujos territórios em África só foram “ocupados” depois da Conferência de Berlim, em 1885. Após as campanhas militares de ocupação e “pacificação” contra a resistência dos africanos. Campanhas militares efetuadas no final da Monarquia e prosseguidas durante a I República ! Resistência dos povos africanos tão respeitável e  louvável como a que ao longo de séculos o povo português tem feito à ocupação ou tentativas de ocupação de Portugal pelo Reino de Castela ou fazem à invasão e ocupação pela Troika FMI-BCE-UE..
E cargas policiais e da GNR e a PIDE para os “desordeiros”  e “díscolos”. “Desordeiros” ou “díscolos” eram todos os que faziam greve. Ou reivindicavam melhores salários ! Ou melhores condições de vida e de trabalho ! Ou pediam trabalho. Ou que se manifestavam fora do enquadramento do Governo. Despedidos de imediato e não poucos presos e torturados. Ou – pelas forças de “segurança” –  impunemente assassinados.  Trabalhadores.  Assalariados rurais, Gente do Povo. Incluindo comunistas. Ou estudantes. Ou o genaral Humerto Delgado. Tudo “a bem da Nação”. “Tudo pela Nação e nada contra a Nação !  Eram  “(des)Governos de Salvação Nacional”
Gente tão bruta que precisava de ser vigiada para não se tresmalhar. Tão bruta que precisava de autorização para se manifestar.  Tão bruta que precisava de autorização para se associar.  Tão bruta que precisava de autorização para se reunir. Tão bruta que não podia votar para não escolher … mal. Isto é, para não mijar fora do penico. Outros pensavam e decidiam pelos analfabrutos. Gemte tão bruta, sempre vigiada no que escreviam ou diziam. Vigiada pelos pelos coronéis da censura prévia do lápis azul ou cercados  por dez mil olhos e cem mil orelhas em redor.  Salazar dizia e os livros da escola repetiam –  “Casa onde há fome  todos ralham e ninguém tem razão” ou “Se soubesses o que custa mandar toda a vida gostarias de obedecer”. Por isso só era reconhecido um Partido – o da União Nacional. Proibidos e perseguidos sobretudo o Partido Comunista Português e os sindicatos. Sindicatos “protegidos” pelo Governo e Patronato. Tudo em nome da submissão e do respeitinho. Submissão e respeitinho ao pai e chefe de família. Submissão e respeitinho ao professor e na escola. Submissão e respeitinho a “Sua Excelência” o “venerando” presidente da República, aos governantes e ao Governo. Submissão e respeitinho a “sua Excelência o senhor professor doutor” Salazar/Marcelo. E, sobretudo, submissão e respeitinho ao Patrão e ao Chefe e à Santa Madre Igreja. Tudo, repete-se, “a bem da Nação”.  “Tudo pela Nação e nada contra a Nação”  Eram  “(des)Governos de Salvação Nacional”
Analfabrutus e falhos de inteligência todos quantos tentaram derrubar Salazar ou Caetano ? O  Presidente da República, general Carmona, após a II Guerra Mundial. O almirante Quintão Meireles. O general Norton de Matos. O general Craveiro Lopes, Presidente da República. O General Humberto Delgado em 1958. O General Botelho Moniz depois do início da guerra colonial, em 1961. Coadjuvado pelo futuro general Costa Gomes. Os Generais Spínola e Costa Gomes. [ Afinal o único Presidente da República que não quis demitir Salazar após o termo da II Guerra Mundial foi  o “Venerando” corta-fitas Almirante Américo  Tomás. ] Muitos destes apoiados não pela URSS mas pelos EUA. E, sobretudo – aberta ou surdamente -contestavam o Paraíso a maioria do povo português e os trabalhadores, incluindo  os comunistas !
E as colónias que até 1961 se não podiam industrializar nem desenvolver para se proteger a indústria de Portugal, na Europa. E a guerra colonial. Cada vez com mais  refractários ou desertores. Entre os soldados e os oficiais. Analfabrutos que não percebiam porque haviam de morrer ou ficar inválidos e abandonados. Ou traumatizados pelo stress da guerra. E que, “sem inteligência”, zarpavam e zarpavam e zarpavam … de Portugal.
Sim não eram portugueses de rija cepa e pegas de cernelha ou a rabejar. Eram todos estrangeiros. Milhões de estrangeiros. Que analfabrutos não vislumbravam o Paraíso mas apenas a fome, a miséria, a doença, a falta de trabalho. Sim milhões de estrangeiros, milhões de estrangeiros na Pátria que os viu nascer. Pátria madrasta onde, analfabrutos, muitos sem a 4ª classe, apenas viam a fome, a miséria, a doença, a falta de trabalho.
Sem inteligência para vislumbrarem o Paraíso do dia-a-dia espelhado nos jornais e na televisão de Salazar/Caetano E lembrado pelos filhotes de Salazar/Caetano. Eles sim, Portugueses de alto gabarito ! Mas, ao contrário de Salazar/Caetano, pouco dados ao estudo. E à reflexão. E ao contraditório. Porque estudar e argumentar sem frases feitas ou bafos de café-taberna custa e cansa. Na razão inversa da inteligência.
























bidonville ou bairro de lata



guerra colonial portuguesa
carga policial sobre manifestantes na vila (operária) do Barreiro

25 de Abril em todos os lados, sempre…

No momento que se atravessa lembrei-me de postar as fotografias de três personagens (Soares/Spinola/Alegre), com uma legenda: cuidado, dois ainda estão no activo.

Mas após a comemoração do 25 de Abril não será melhor postar recordando um homem que continua connosco? 

Ei-lo, o que nunca nos enganou: 

Recordando

“O golpe de Estado termina e a revolução ainda não começou: os meses que seguem  são uma pausa. Mas antes, principalmente em Lisboa e no Porto, o povo vai finalmente dar-se conta de que desta vez alguma coisa mudou, e o 1° de Maio de 1974 é uma impressionante e comovedora manifestação de alívio; os cravos vermelhos, o novo símbolo, presentes em toda a parte, mesmo no cano das armas; é o momento em que a fraternidade parece possível. Dias antes, a chegada de Mário Soares a Lisboa tinha sido comovente e triunfal, uma enorme multidão esperava-o em lágrimas, sorrindo, e aos brados de vitória.. Logo a seguir Álvaro Cunhal, para os não comunistas um desconhecido, o homem que vinha dos longos anos de prisão – catorze no total e oito em encerramento solitário – que escapara em 1961 da prisão de Peniche e cuja vida, desde então, tinha sido um mistério.

Álvaro Cunhal desembarca no aeroporto e os portugueses têm dificuldade em acreditar no que vêem: a foice e o martelo são o pano de fundo. A recepção é triunfal também, mas mais sóbria, os punhos erguidos mostram uma determinação disciplinada, contida, só algumas vozes se embargam quando milhares entoam o que tinha sido o hino da clandestinidade comunista:

“Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz.
Avante, camarada avante,
O sol brilhará p’ra todos nós”.

Um detalhe não escapa àqueles que, atentamente, seguem os acontecimentos: os militares, que não esperaram Soares, vão esperar Cunhal. Sobre um carro blindado, acompanhado por soldados que erguem o punho, rodeado de uma multidão que, pela primeira vez em mais de cinquenta anos pode confessar livremente o credo comunista, o secretário-geral do PCP entra em Lisboa.

Um slogan anda em todas as bocas: “O povo unido, jamais será vencido!”Mas o povo, a falar verdade, ainda mal sabe o que se passa, e por enquanto não se encontra unido a ninguém, nem a coisa nenhuma. Às vilas da província, às aldeias, mal chegam ecos do que se passou em Lisboa. Os emigrantes, num reflexo de defesa – mudança é sempre insegurança – suspendem as remessas de dinheiro e ordenam às família que levantem quanto dinheiro têm no banco, “pois dizem que os comunistas nos vão tirar tudo”.

É a triste ignorância dos pobres, a qual se mede ainda melhor quando se sabe que durante meses, de aldeia para aldeia, corre e é tomado a sério, o boato de que o governo dos comunistas irá confiscar as panelas de pressão.”
—————-
in “Portugal, a Flor e a Foice” – inédito; edição neerlandesa: “Portugal, de Bloem en de Sikkel” – Arbeiderspers, Amsterdam, Novembro 1975.

A IGNORÂNCIA E A AMBIÇÃO É UMA CONDICIONANTE DA EVOLUÇÃO SOCIAL E ECONÓMICA?

Uns por ignorância, falta de consciência, estupidez, por terem abdicado da sua faculdade de raciocinar…, outros, pelo interesse de continuarem a encher os seus bolsos (alguns que não têm enchido os seus bolsos, mas têm apostado na vassalagem com o objectivo de um dia poderem lucrar, com essa mesma vassalagem);

Dizem e escrevem “pensamentos” e “chavões” contra tudo o que pode perturbar o sistema que nos está imposto, estas linhas são um pequeno exemplo:

“E deixarmos de viver no passado?! Deviamos de ter vergonha de passados 37 anos termos um país miserável! O país em que as pessoas não têm confiança!
Deixemo-nos de manifestações e começemos a trabalhar juntos para um país melhor!”

O que querem quando afirmam algo que só possui substancia para a manutenção da pobreza e das desigualdades sociais e económicas existentes no nosso País?

Mas não temos andado a trabalhar?

O problema é que o “fruto” do nosso trabalho não tem sido aplicado na melhoria da situação social e económica do País. Mas sim para encher os bolsos a meia dúzia de famílias, enquanto milhões têm vivido com grandes necessidades e fome.

Quem tem apoiado este tipo de políticas, são aqueles que tudo davam para não haver manifestações, onde demonstramos o nosso desagrado pelas políticas existentes, e vontade na mudança destas políticas.

Quanto ao 25 de Abril, convém lembrar que o 25 de Abril não existiu para que os filhos e sobrinhos das famílias que no regime fascista enchiam a barriga, à custa da miséria de outros, mantenham-se a encher os bolsos e a barriga
à custa de quem trabalha, enquanto os trabalhadores estão na miséria.

Eu sei que se calhar preferia continuar a ouvir a comunicação social, que pertence aos filhos e sobrinhos das ditas famílias, a dizer que é inevitável, que os trabalhadores são uns malandros e não trabalha, etc… e que tudo andasse na Paz do Anjos, enquanto os trabalhadores são massacrados, no seu dia a dia…

Mas tenho pena…

Todos os trabalhadores que vivem o seu dia-a-dia a serem alvos de injustiças, mas que ainda não ganharam consciência da sua condição e de que existe um caminho diferente, podem ver através das manifestações de que não estão sozinhos, e que existe muito mais para além do que a comunicação social passa, no sentido de doutrinarem o Povo Português… apontando o caminho da escravatura, como o caminho certo e único.