Cumplicidades da Igreja na destruição da identidade social

«Só a fortuna da Igreja acumula mais dinheiro que o das maiores empresas do mundo e, certamente, possui muito mais do que a grande maioria dos países do planeta. Provavelmente, com o dinheiro que controla, poder-se-ia até acabar com boa parte ou mesmo com a fome em todo o mundo. Mas os papas jamais permitirão que essas verbas sejam doadas a outros porque, no fim de contas, elas são essenciais ao Vaticano para manter o seu próprio estatuto…» (Alex Rodrigues,“O lado oculto da Igreja”).

«As parcerias com as IPSS são fundamentais. Porque o Estado não pode abdicar de muitas das suas responsabilidades, mas para as garantir, tem de se saber libertar daquelas que outros prestam de forma mais eficiente. Foi criado para as IPSS um Plano de Emergência com um orçamento de 630 milhões de euros que maximizam as capacidades instaladas em lares e creches católicos e garantem aos seus utentes duas refeições diárias completas, por pessoa» (Mota Soares, ministro da Segurança Social, 27.4.2013, num colóquio do Banco Millenium BCP).

«À primeira vista, a mercadoria parece uma coisa simples, trivial e evidente; porém, analisando-a, vê-se como é complicada, dotada de subtilezas metafísicas e de discussões teológicas» (Karl Marx, “O Capital”, capítulo I, livro 4).

Fala-se em crise capitalistae logo se sugere que não há dinheiro. Nada é mais falso do que tal afirmação. Os bancos atravessam alegremente as suas alegadas dificuldades principescamente pagas pelo Estado e pelos fundos europeus. Tal como acontece com os lucros dos grandes grupos financeiros.

Ganham os ricos, perdem os pobres. Enoja olhar nas estatísticas como aumentam os níveis de degradação da vida do povo. Como se desmoronam a economia, o ensino, o Sistema Nacional de Saúde e a Segurança Social. Mas não é só de crise financeiraque se trata. É, também, de subversão. Os alvos visados são os direitos e liberdades dos cidadãos. O figurino a impor é o da Nova Ordem Mundial.

Não nos venham dizer que os nazismos são arcas encoiradas do passado. O nazi-fascismo existe e galopa no sentido da tomada do Poder.

A nível hierárquico, o Vaticano conhece esta situação melhor do que ninguém. Sabe que as troikassão agentes do crime social e não as denuncia nem combate. E não é que tenha ilusões acerca da monstruosa mentira que invoca a falta de dinheiro para tentar justificar o desemprego, a miséria ou a falta dos bens essenciais às multidões dos pobres e socialmente débeis. Um dos cúmulos do ridículo é admitir-se, sequer, que os papas são politicamente ingénuos ou ignorantes. Não pode nem deve esquecer-se que foram os recentes pontífices católicos que apoiaram a criação de um governo único mundial e de uma central bancária unificada, enquanto constroem em todo o mundo, sob a capa hipócrita da Caridade, do Ecumenismo e da Justiça Social, uma malha gigantesca de partilha com os monopólios de uma tirania universal.

O alto clero bem sabe que o que se passa em Portugal espelha o que acontece no resto da Europa. Em tempo de vacas gordas, os neocapitalistas apoiaram a especulação, ainda que à custa do desmantelamento da economia, mesmo que privada. Só se apelava ao consumismo e à aquisição do supérfluo em prejuízo do essencial. A sociedade, com graves culpas para uma Igreja corrupta que se envolveu numa teia de escândalos, passou a absolver sistematicamente os crimes cometidos pelos poderosos. O que importa é possuir dinheiro sem se olhar a normas ou a tabus. É este o verdadeiro sentido da Teologia da Prosperidade ou da Nova Era que se confunde com a Nova Ordem do grande capital.

Através da troika, o capitalismo mundial emprestou a Portugal, a juros altíssimos e em 2011, 78 mil milhões de euros dos quais, segundo os termos do contrato, 12 mil milhões ficaram desde logo cativos para recapitalização dos bancosprivados. Estacláusula, acumulada com os valores esmagadores (7%) dos juros a pagar aos credores agiotas de quem o País se tornou devedor, determinou depois os cortescriminosos que não cessam de esmagar os trabalhadores e o povo português. Sacrifícios que passam ao lado da banca,das maiores fortunas, dos accionistas dos grandes grupos empresariais e da Igreja, esta protegida como está pelos jogos silenciosos das isenções, dos subsídios, das parcerias, das fundações e, acima de tudo, pelo muro intransponível que a Concordata garante aos seus negócios subterrâneos.

Edição Nº 2083
http://www.avante.pt – Jornal «Avante!»

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