Estás melhor do que em 2011…???

a

 

b

 

c

 

d

 

e

 

f

 

g

 

Sou funcionário públicoe agora ganho menos 25% do que ganhava em 2011, dantes era um profissional considerado enquanto agora sinto vergonha de dizer em público que sou funcionário público, o governo transformou-me num dos profissionais mais mal remunerados do país e ainda por cima atirou toda a comunicação social contramim, de alguém útil à sociedade passei a ser um inútil e um chulo do país.

 

Sou pensionista, durante toda a vida descontei, nunca aceitei empregos com ordenados por fora e só pedi a reforma já tinha passado a data em que me podia reformar. Agora sou tratado como um inútil, um parasita do país, um fardo pesado para a geração mais nova a quem paguei as escolas, a modernização do país, as estradas e os hospitais. Agora consideram que não tenho qualquer direito à pensão e por isso cortam nela sempre que precisam de dinheiro para o BPN ou para financiar os colégios privados.//

Aqui Onde O Fascismo Já Amadureceu

 Ucrânia por uma jornalista polaca

2014-04-24

Por Urszula Borecki

Passei uma semana no Sudeste da Ucrânia, viajando de Odessa a Donetsk, e a primeira ideia que me acode, uma vez retornada a Varsóvia, é a de um murro no estômago. Como sempre acontece quando parto em serviço, programo trabalho, antevejo situações possíveis, planeio os meus itinerários. 

Pois nunca me enganei tanto em relação à realidade que imaginava ir encontrar. Não apenas porque sou, como somos todos, uma vítima da informação deturpada. O que vivi e registei está muito para lá disso: é um grito de alarme vindo da Ucrânia profunda e com destino a toda a Europa.

Todos os que somos originários ou vivemos no Leste da Europa, mesmo aqueles que não queiram reconhecê-lo ou admiti-lo, sabemos que depois da queda dos regimes de domínio soviético a selvajaria neoliberal e a hecatombe social que provocou acabaram por parir a retoma dos nacionalismos raivosos e vingativos, sublimados mas não extintos. Vamos registando fenómenos neste e naquele país, como ataques contra minorias, manifestações xenófobas cada vez mais violentas, ajustes de contas com a História, recuperação e mesmo glorificação de criminosos que colaboraram com Hitler, multiplicação de milícias de assalto, restauração do antisemitismo, de uma maneira ou de outra sintomas inquietantes de um mal por curar.

Porém, estava longe de imaginar que o fascismo tivesse já amadurecido da maneira que amadureceu na Ucrânia, a ponto de conseguir tomar as rédeas condutoras do poder.Daí a sensação de murro no estômago, porque nesta conclusão não existe qualquer ponta de exagero. Quanto um dos oposicionistas que encontrei em Odessa me disse, com ênfase, “não somos separatistas, somos antifascistas” fiquei com a a noção de uma realidade que anda escondida porque gente com muita responsabilidade neste mundo tudo faz para escondê-la. O medo, o terror que alastram no Sudeste da Ucrânia não tem nada a ver com falsas ameaças russas mas sim com o conhecimento, por parte de milhões de pessoas, de que é o fascismo, ainda que eleitoralmente minoritário, que manda em Kiev, nas regiões ocidentais, e que pretende fazê-lo em toda a Ucrânia. 

Durante esta semana de viagem ficaram muito claras para mim as razões dos resultados no referendo na Crimeia, principalmente o facto de muitos cidadãos ucranianos “puros”, que não cabem nas definições de “pró-russos”, terem votado pela integração na Rússia. Chamem-lhe voto de auto-defesa, se quiserem.

O actual governo ucraniano, nascido de um golpe de Estado – que não haja dúvidas quanto a isso – não é apenas ilegítimo, é controlado por dirigentes fascistas. Os seus membros podem até dizer que vão tolerar a língua russa e proporcionar igualdade de direitos a todos os ucranianos, mas o dia-a-dia demonstra a falsidade dessas promessas tácticas. O governo de Kiev quer o poder absoluto e pretende silenciar as oposições, mesmo que seja a tiro, sob pretextos vários, alguns deles velhos de um século como o da “ameaça russa”. O governo de Kiev actua cada vez mais sob o controlo das áreas militar e de segurança – as que foram tomadas em mão por dirigentes nazis que a si mesmos se definem como herdeiros do criminoso nazi Stepan Bandera.

O que as populações do Sudeste da Ucrânia fazem, sendo acusadas de tudo quanto há de pior desde Kiev a Washington ou Lisboa, é alertar o mundo para o amadurecimento do fascismo na Ucrânia. 

O que as chamadas democracias fazem, servindo-se das armas da NATO, é criar condições para que esse amadurecimento se estenda a muito mais países. Parece a história ao contrário; infelizmente é a história real.

Este texto vem publicado em:  http://jornalistassemfronteiras.com/noticias.php?noticiaid=33