VAMOS BRINCAR ÀS PENSÕES

reformados-7703

Pensões: O melhor mesmo é falecer?

Um secretário de Estado anuncia que as pensões vão estar indexadas ao crescimento económico e à demografia. O primeiro-ministro diz que é especulação. A Comissão Europeia aclara, num relatório, que o Governo se comprometeu com essa solução. Anatomia de uma jogada

Sara Rodrigues

26 de Abril de 2014

1 – Bola ao centro

Em setembro, o Governo aprovou a lei que previa a convergência entre as pensões da Caixa Geral de Aposentações (setor público) e as da Segurança Social (privado). O diploma estipulava um corte de 10% nas pensões da CGA superiores a 600 euros.

Hélder Rosalino, então secretário de Estado da Administração Pública, disse que “estas medidas abrangem cerca de dois terços dos pensionistas do Estado, representando cerca de 350 mil pessoas”, com um “impacto orçamental direto de €720 milhões”.

2 – Chuto para canto

O diploma chegou ao Palácio de Belém e Cavaco Silva enviou-o para fiscalização preventiva no Tribunal Constitucional.

O Presidente da República já tinha avisado que considerava a convergência das pensões como “a criação de um novo imposto extraordinário sobre o rendimento dos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações”.

3 – Guarda-redes alivia

Os juízes do Palácio Ratton chumbam, por unanimidade, a lei da convergência de pensões.

De forma a suprir a verba em falta, o Governo resolveu o problema baixando para mil euros (era de €1 350) o montante a partir do qual as pensões são afetadas pela Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES).

Desta vez, Cavaco Silva não pediu clarificações ao TC, mas os deputados da oposição sim. Aguarda–se a decisão dos juízes.

4 – Rasteira à entrada da área

Há três semanas, o secretário e Estado da Administração Pública, José Leite Martins, chamou jornalistas de vários órgãos de comunicação social para um briefing. A “fonte das finanças”, como ficou conhecido, revelou que as pensões seriam indexadas ao crescimento económico e à demografia. As reformas passariam a ser variáveis, todos os anos.

5 – Livre direto e cartão amarelo

De visita oficial a Moçambique, o primeiro–ministro apressou-se a afirmar que era tudo “especulação”, pois não havia tomado qualquer “decisão”. E apelou a “todos os membros do Governo para que contribuam para um debate sereno” acerca do assunto. A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, também estava fora, em Washington, no dia em que a notícia fez a manchete de vários jornais.

6 – Barreira posiciona-se

Marques Guedes, ministro da Presidência, saltou em defesa do Governo, acusando os jornalistas de “manipulação da informação” e “interpretação exagerada”.

Paulo Portas, em debate na Assembleia da República, referiu que “foi um erro” não explicou se estava a falar do briefing ou das informações veiculadas por Leite Martins porque “não conheço qualquer documento” e, sem ele, “o Governo não pode ter feito qualquer avaliação política, muito menos tomado qualquer decisão política”.

7 – Remate ao poste

Faltava ouvir Leite Martins, a “fonte das Finanças”. O que veio a acontecer na Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República. Mas o secretário de Estado quis encerrar a questão utilizando uma expressão em latim: “Roma locuta, causa fi nita” (“Roma falou, o assunto está resolvido.”) Roma é, aqui, Passos Coelho, e Leite Martins explicou ser “um membro do Governo alinhado com a posição do primeiro-ministro”.

8 – Árbitro manda repetir

Mas existia, sim, um documento, revelado no domingo, 13: as pensões devem passar, já em 2015, a depender de fatores económicos e indicadores demográfi cos. É o que diz o relatório da Comissão Europeia que fecha a 11.ª avaliação da troika sobre os compromissos de Portugal. Este documento é de 19 de março. O briefi ng da “fonte das Finanças” foi a 26. Passos e Portas dizem agora, em uníssono: “Não há novidades sobre o assunto”. Autogolo?

Ler mais: http://visao.sapo.pt/pensoes-o-melhor-mesmo-e-falecer=f778008#ixzz2zzZyQCyG

//

//

Anúncios

VOTO GANHADOR

voto ganhador

LEMBRETE 5961 – A
Três milhões de reformados
São mais que suficientes,
P’ra derrotar os malvados,
Que os querem indigentes!…

LEMBRETE 7437 – A
Reformados, perseguidos,
Unam-se nas eleições!…
Votem contra os partidos,
Que vos roubam as pensões!…

LEMBRETE 7438
Se os três milhões votarem,
Contra o roubo perpetrado,
É a forma de derrotarem
Os cabrões, que os têm chulado!…

LEMBRETE 7441
Eles só serão eleitos
Se os reformados quiserem!…
Se estão insatisfeitos,
Mostrem, então, que os não querem!…

LEMBRETE 7439
Tomando uma opção,
Com o voto concertado,
Ganharão a eleição
E o Passos está tramado!…

LEMBRETE 7442
Com os três milhões de votos,
Decidem-se as eleições
E derrotam-se os devotos
Desta corja de aldrabões!…

LEMBRETE 7440
Que toquem a reunir,
Em todas as eleições,
Para que possam punir
Este bando de ladrões!…

LEMBRETE 5962 – A
Se votarem contra aqueles
Que muito os têm roubado,
São três milhões contra eles
E o Poder é-lhes tirado!…

capuchinho

//

Cenas de Senadores

Opinião

Cenas de senadores

Paulo Morais, professor universitário

Senadores. Os políticos assim designados e aparentemente os mais credíveis são em geral os mais perigosos. Estão com um pé na política e outro nos negócios. Traficam influências.

António Vitorino, o todo-poderoso ex-comissário europeu, é o mandatário do PS às eleições europeias. O seu principal adversário, Paulo Rangel, é seu sócio na sociedade de advogados Cuatrecasas, Gonçalves Pereira. Vitorino rejubila: seja qual for o resultado, quem ganhará nas europeias é a sua sociedade de advogados e os seus negócios.

Outro socialista, Luís Amado, participa na organização da próxima cimeira da CPLP, onde se decidirá a admissão à organização da Guiné Equatorial; cujo presidente, o ditador Obiang, será acionista de referência do Banif, banco a que preside Amado. Pela mão deste, o capital de Obiang no Banif constitui a jóia de entrada da Guiné Equatorial na CPLP.

Em todos os partidos do arco do poder há senadores. Os social-democrátas Ferreira do Amaral e Valente de Oliveira estão agora ao serviço das empresas que detêm as parcerias público-privadas rodoviárias. As mesmas PPP que eles ajudaram a criar, enquanto ministros das obras públicas, desde aponte Vasco da Gama às famosas ex- SCUT.

Ostentam também o estatuto de senador os mais famosos advogados/políticos lusitanos. Participam em programas de ‘opinião; em rádios e televisões, em defesa dos interesses que servem. Lobo Xavier analisará o orçamento de estado, em função da influência que este tenha nos negócios do BPI, de que é administrador; ou das consequências nas PPP, já que também administra o grupo Mota-Engil.
jO advogado socialista Vera Jardim está na mesma lógica, pois preside ao BBVA e a sua sociedade de advogados é a que mais fatura com os concessionários das PPP.

Os senadores estão ao serviço do capital, qualquer que seja a sua origem. Proença de Carvalho emite as opiniões que interessem ao presidente angolano Eduardo dos Santos.

Eduardo Catroga e Rui Vilar prestam vassalagem, no setor elétrico, aos chineses.

A marca comum destes senadores é uma falsa seriedade, que aparentam com ar circunspecto. Mas atenção: ser sério não é ser sisudo. Ser sério é ser honesto.

Correio da Manhã 2014.04.12

Os Alemães não produzem quatro vezes mais do que os Portugueses

No eixo das abcissas, encontra-se a produtividade dos países da OCDE em 2012, medida em Produto Interno Bruto (dólares americanos a preços correntes) por hora de trabalho realizado.

No eixo das ordenadas, encontra-se o salário médio dos países da OCDE em 2012, medido em paridade de poder de compra (dólares americanos a preços constantes de 2012) por hora de trabalho realizado.

Na sequência das declarações de Belmiro de Azevedo, o gráfico mostra que, em 2012, o salário médio na Alemanha era de $30,24/h, enquanto o salário médio em Portugal era $13,66/h; e que a produtividade alemã era de $58,30/h, enquanto a produtividade portuguesa era de $34,00/h. Em média, os Alemães produziam por hora 1,7 vezes mais e ganhavam por hora 2,2 vezes mais do que os Portugueses. Destes dados resulta que, para estarem, proporcionalmente, ao nível salarial dos Alemães, os Portugueses deveriam ganhar, em média, mais 29%, sem precisarem de aumentar a sua produtividade.

Os dados utilizados na construção deste gráfico provêm da base da OCDE.

GMSMC

2014031300

Quem ganha com a fusão da REFER com as Estradas de Portugal?

image001O governo avançou com a informação indicativa de que a fusão da REFER com as Estradas de Portugal, vai ser uma realidade a breve prazo.

Este anúncio não tem sido acompanhado de nenhuma informação concreta sobre os ganhos que o País terá e, no concreto, as implicações que isso terá no sistema ferroviário, que tem particularidades que não são comuns com outras empresas.

Esta é uma medida que terá um forte impacto na REFER empresa gestora das infraestruturas ferroviárias e que tem, também, o controlo da circulação ferroviária.

Hoje a REFER é um vasto conjunto de empresas, pelo que se coloca, desde logo, a questão de saber se isso implica, por sua vez, a privatização das mesmas – REFER Telecom; REFER Património; REFER Engenering?..

Por outro lado, sendo o controlo de circulação ferroviária, algo que é uma função muito específica da REFER, como isso se enquadra no âmbito da fusão? Ou vai ser aproveitada a oportunidade para proceder à sua privatização?

Desde 1992 que se assiste a um processo de pulverização da CP, com o argumento, por parte dos governos, que é o melhor para o sistema ferroviário e, foi nesse processo que teve a origem a REFER. No entanto agora vem este governo, sem justificar como e porquê, avançar para um processo de concentração de empresas diversas, argumentando que isso é o melhor.

Ora, isto acontece, porque acima de tudo o governo não age na base dos interesses nacionais, mas sim na base dos interesses das empresas e grupos económicos que o suportam e apoiam.

O Sindicato da FECTRANS no sector, o SNTSF, vai promover no dia 15 de Abril, pelas 10h, na sede do Clube Ferroviário, em Santa Apolónia – Lisboa, uma reunião de dirigentes e delegados sindicais, para a qual convidou todas as restantes estruturas representativas dos trabalhadores da REFER – Sindicatos e Comissão e Sub-Comissões de Trabalhadores – para em conjunto se analisar a resposta dos trabalhadores a uma medida que, terá um forte impacto na sua vida.

Entretanto o Sindicato solicitou uma reunião à Administração da REFER para discutir esta matéria.

FECTRANSFederação de Sindicatos de Transportes e Comunicações * CGTP-IN