Eleições no Partido Social Democrata

PSD

Inscritos    –  46.450 (Que miséria de partido)

Votantes   – 17.662   (Clientelismo e boys da jota)

Abstenção –  62%      (Ainda há gente válida no partido)

 

Votos em Passos Coelho   Em 2014   –  15.524 | Em  2012  –  17.499 | Em 2010   –  31.671

Votos contra ou nulos em 2014– 2.142

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Portugal visto por António Lobo Antunes

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida.

Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.

Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos.

Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estoico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.

O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.

O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver:
– Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
– Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
– Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo
que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores, que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de
enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas
passaremos semdificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente  indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito.

Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.

Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.

Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.

Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.

Agradeçam a Linha Branca.

Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar.

Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.

Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.

Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigues dos Santos vende e, enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa.

Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?

O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

António Lobo Antunes

A comunicação do regime

antonio2bfilipe     por António Filipe

      Publicado por Manifesto 74 em 23 Janeiro 2014

No léxico comunicacional dominante, o “regime” é um exclusivo dos países que quem manda nos media decidiu hostilizar.

A Coreia do Norte tem regime, mas a Coreia do Sul não tem. Na América Latina há um regime e meio. Cuba tem sempre um regime. A Venezuela tem dias: quando se trata de atacar a legitimidade do Governo de Nicolas Maduro, há o regime de Nicolas Maduro. Quando se trata de celebrar acordos comerciais com a Venezuela, já não há regime. No resto das Américas, ainda não há regimes, mas há países que, pelas orientações progressistas que prosseguem, ainda se arriscam a ter regime.

Em África, há um sector dos media que elege Angola como um dos poucos países africanos que tem regime. O regime de Eduardo dos Santos. Na CPLP, mais ninguém tem regime. E mesmo Angola, tem dias. O Zimbabwe de Mugabe passou por uns tempos em que tinha regime, mas tem andado esquecido. Deixou de ser uma prioridade mediática e perdeu o regime, até ver.

No Médio Oriente, só há dois regimes: o da Síria e o do Irão. Felizmente para o Katar, para o Bahrem, ou para a Arábia Saudita, que aí não há regimes. Como já não há regimes no Iraque ou na Líbia. Aí a situação conheceu uma grande mobilidade. Sadam e Kadafi viveram muitos anos no poder sem ter regime. Mas um belo dia passaram a ter regime e foram apeados pelas armas para que os respectivos países deixassem de ter regime. Hoje já não há regimes nesses países.

A China é um caso paradigmático. Quando se trata de noticiar condenáveis casos de corrupção muito semelhantes aos que ocorrem em países onde não há regime, dá-se mesmo um upgrade, e refere-se o regime comunista, em caixa alta e com símbolos coloridos em fundo, mas quando se trata de noticiar a venda da EDP ou dos seguros da Caixa a chineses, o regime subitamente eclipsa-se, e os chineses passam a ser unicamente chineses, ou seja, deixam de ter regime.

Na Europa, a Rússia voltou de há uns anos para cá a ter regime. Com o fim da URSS deixou de haver regime, mas como os oligarcas russos decidiram guardar para si os proventos da restauração capitalista, frustrando as expectativas dos oligarcas de outras paragens, voltaram a ter regime. Eles e todos os que se queiram dar bem como eles: Ucrânias, Biolorrússias e seja quem for. A Ucrânia está dividida: há os que lutam pelo regime e os que lutam para não ter regime. Ter ou não ter regime depende muito dos ciclos eleitorais. Já na antiga Jugoslávia, só a Sérvia tem direito a ter regime. E enquanto não reconhecer o Kosovo terá regime. Já o dito Kosovo, pode ser “governado” por traficantes a soldo, mas não tem regime.

Entre nós também não há regime. A democracia anda pelas ruas da amargura. O regime democrático definha às mãos da troika, dos governos, dos partidos e dos media que sustentam a criminosa política de empobrecimento e de traição nacional. Lutar por uma alternativa a este estado de coisas é um imperativo democrático e patriótico, ainda que nos arrisquemos a ter regime.

O DIA EM QUE ACABOU A CRISE…

image001Há dinheiro para a banca mas não há dinheiro para as colonoscopias nos hospitais…

 Trata-se de um artigo escrito e publicado em meados de 2013, mas que mantém toda a sua atualidade (ou terá mesmo mais), toda a sua perspicácia e toda a sua objetividade.
Não deixem de ler.

 O DIA EM QUE ACABOU A CRISE…

QUANDO TERMINAR A RECESSÃO TEREMOS PERDIDO 30 ANOS DE DIREITOS E SALÁRIOS.

Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou.

Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a atitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará à nossas vidas.

Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrossel da economia.
Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objetivos foram claros e contundentes

– Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários

Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o fator determinante do produto; quando tiverem feito ajoelhar todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, então a crise terá terminado.

Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, então terá acabado a crise.

Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (exceto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada setor), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e se tenham destruído todas as pontes de solidariedade.
Então anunciarão que a crise terminou.

Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto.
Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se.
Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra.

Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.

Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela.
O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa.

Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses.
Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: Um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e “voila”: A sua obra estará concluída.

Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.

 Nota: Concha Caballero é licenciada em Filologia Espanhola e professora de literatura num instituto público.

Abandonou a politica dececionada com a coligação eleitoral do seu partido.

Há anos que passou do exercício da politica ativa para analista e articulista, social e politica, de vários meios de comunicação, com destaque para o EL PAÍS.

É uma amante da literatura e firmemente humana com as questões sociais.

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O MELHOR POVO DO MUNDO

image001OS PORTUGUESES QUEREM-SE CALADINHOS E QUIETINHOS ENQUANTO SÃO ROUBADOS À DESCARADA !!!
SÃO O MELHOR POVO DO MUNDO…

A exemplo do Cristiano Ronaldo, os portugueses mereciam a mordaça de ouro!

Simulação
Austeridade tirou (quase) quatro ordenados à Função Pública

O aumento dos impostos, as deduções para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) e para a ADSE, além dos cortes nas remunerações, tiraram aos funcionários públicos quase quatro salários no ano passado, tendo em conta o total anual de rendimentos, noticia o Jornal de Negócios.

Economia

DR

08:39 – 17 de Janeiro de 2014 | Por Notícias Ao Minuto

Um funcionário público com o salário médio líquido de 1.000 euros perdeu, nos últimos três anos, quase 4.000 euros devido aos sucessivos cortes do Estado, de acordo com o que indica o Jornal de Negócios.

A pedido da mesma publicação, a PwC levou a cabo uma simulação, calculando o total ganho por um funcionário público entre o início de 2011 e o final do ano passado, e chegando ao valor de 40,5 mil euros. Ora, este valor sem o efeito das medidas de austeridade e sem as atualizações salariais ascenderia a 44,4 mil euros.

A diferença é, assim, de 3.848 euros, ou seja, quase quatro salários médios líquidos. Estes 3,7 salários perdidos pelos funcionários públicos são explicados pelos cortes na remuneração, pelos descontos para a CGA e para a ADSE, e ainda pelo aumento de impostos.

Para chegar à média salarial, considerou-se um ordenado bruto de 1.404 euros (em termos líquidos, pouco mais de 1.000 euros) que corresponderá ao valor médio da retribuição base da Função Pública no ano passado.

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Vivendo a realidade do direito à saúde

saude publicapor Antonio Lains Galamba | 15.01.2014

Uma dor nas costas (fruta da época!) levou-me a ligar ontem, pelas 20h, para o número Saúde 24. Estamos bem ensinados e entupir as urgências com males menores deve ser evitado. Atendido com extrema simpatia e profissionalismo foi sublinhado que seguiria fax para o centro de saúde da minha área de residência e que, logo pelas oito da manhã de hoje, seria para me apresentar – referindo o fax – e que teria a devida consulta.
Cinco minutos para as oito e a primeira bofetada! Uma coisa é vermos na televisão ou ouvirmos falar. Outra, bem diferente, é ver homens e mulheres, velhos, jovens, crianças de colo, ao frio, mal resguardados da chuva, com o peso da doença e da bruta condição que acarretamos, à espera da abertura do Centro de Saúde e, com sorte, de uma consulta! mais de cinquenta pessoas. Apenas uma dúzia de senhas (ouro?) para garantir a «vistoria» médica. para a maioria o regresso a casa, para voltar a tentar amanhã.Hoje foram às cinco? Amanhã chegarão mais cedo.
Lá dentro o desalento. Testa de ferro do Sistema Nacional de Saúde (do que dele resta além dos interesses dos privados) três funcionários esclarecem o melhor que podem da sua impossibilidade. Entre o choro de uma criança de colo (materializando a dor da mãe?) e o desalento dos olhos de um velho é-me dito:
– Não chegou nenhum fax.
Também já não é preciso. A dor nas costas foi engolida. Não tomei nenhum analgésico. Foi a realidade que me quebrou todos os ossos que me pudessem doer! Vendo a revolta calada dos meus iguais. Apenas olhos tristes como se tudo isto fosse inevitável!
Escrevi num livro estúpido a que ninguém liga! Mais seguiram o exemplo! Fiz um comício! Chorei o ABRIL que nos roubaram! A educação que os meus pais me ensinaram não permitiu concluir – perante aquela gente que merece respeito – com a frase que diria aos passos portas se os encontrasse.
Como diria Jorge Amado, que o Pedro Namora me ensinou:
– um dia a gente muda o destino dos pobres. Um dia a gente muda sim!

Império dos comentadores da TV

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«O império dos comentadores onde quem manda são os políticos» foi o título de um artigo publicado em 12.05.2013, no Público, que contém alguns números estonteantes.

Para começar este: «Se aos quatro canais generalistas se juntarem os canais de informação portugueses no cabo (RTP Informação, SIC Notícias e TVI24), é possível assistir a 69 horas de comentário político por semana. O equivalente a quase três dias completos em frente à televisão.» Que ninguém se queixe de falta de interesse das televisões pela política: mais do que isto só futebol!

Dos 97 comentadores com presença semanal na televisão, 60 são actuais ou ex-políticos. Sem espanto, em termos de número de comentadores, o primeiro lugar do pódio é ocupado pelo PSD, seguido pelo PS e pelo CDS. E embora o PCP tenha mais deputados na Assembleia da República do que o Bloco, este está quantitativamente melhor representado.

Mas os números de facto impressionantes, se verdadeiros, são alguns (poucos) que são divulgados quanto à maquia que estes senhores levam para casa. E se não me suscita qualquer aplauso o facto de José Sócrates ter querido falar pro bono na RTP, considero um verdadeiro escândalo que Marcelo Rebelo de Sousa ganhe 10.000 euros / mês (mais do que 20 salários mínimos por pouco mais de meia hora por semana a dizer umas lérias), Manuela Ferreira Leite metade disso e que Marques Mendes tenha preferido passar para a SIC por esta estação ter subido a parada da TVI que só lhe propunha 7.000. Claro que estamos a falar de estações privadas, em guerras de concorrência. Mas algo de muito estranho e esquizofrénico se passa num país quando o valor de mercado destes senhores é deste calibre. Estaremos em crise, mas comentá-la compensa e recompensa – e de que maneira!

AINDA HÁ MAIS

Os programas desportivos (trio de ataque, o dia seguinte, prolongamento, contra golpe, etc ) têm comentadores que defendem interesses instalados e não fazem análises honestas e isentas.

A maioria dos comentadores estrategicamente colocados são medíocres, intelectualmente desonestos e incompetentes.

Pasme-se auferem uma média de 1250 euros por programa de uma hora, ou seja, 5000 euros por mês.

No entanto a maioria destes opinadores, diariamente, com uma leve crítica defende este sistema e de que não existe alternativa; ou fazendo-se de grandes apolíticos metem todos os partidos políticos no mesmo saco, algo que o regime democrático do capital agradece. Pois aqueles que falam, falam… protestam, protestam… não causam estragos, os estragos só podem ser feitos com organização e em prol de um ideal colectivo, sendo que os ideais individuais são óptimos para distrair.

Esta distracção é muito útil, é muito útil o povo ser induzido de ideias e fazendo destas as suas ideias, mesmo sem as questionarem “intelectualmente”, nem sequer perceberem o que está em causa. Depois o povinho pega nos dizeres dos outros, e faz seus esses dizeres… querendo demonstrarem-se muito “sabedores”, sabedoria essa que mais não é do que palavras e ideias formadas para estupeficar o povinho e para que estes continuem a estupeficar o resto do povinho.

Depois muda-se as caras, e o povinho lá vai todo contente…

Veja-se o caso da UGT que andou a vender os direitos dos trabalhadores, mas muitos achavam que não… que estavam a defender os trabalhadores (nestes casos dá jeito o rosto do capital serem trabalhadores, sim que os patrões são trabalhadores). Quando já havia “gatos” a mais e a percentagem do povinho que já estava descrente aumentava drasticamente… lá se arranja outro secretário-geral, e que só por acaso parecia que nada tinham a haver com o que se tinha passado anteriormente.

Como agora acontece com o PSD e CDS falam como se tivessem nascido agora; e que aquele que destruiu a maioria do sector produtivo de Portugal (pescas, agricultura, industria,…) nada tivesse a haver com eles.

Nisto só se safa o Presidente da República que antes de ser eleito para PR tinha acabado de ser descongelado, e nunca teve oportunidade de ver como um tal Cavaco Silva deu cabo do que tínhamos, e entregou os lucros do nosso tecido produtivo aos trabalhadores capitalistas e agiotas.

Mas isto não interessa, o que o povinho precisa é de futebol, telenovelas e muitos opinadores para que estes possam-lhes poupar a massa cinzenta, sim que ver a realidade e pensar cansa, e muito… Somos tão felizes quando não vemos.

É preciso ter muita fé, e ouvir as palavras dos Bispos… pois esses é que sabem com controlar o rebanho.

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