O Tamanho das Pessoas…


Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento…


Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri .

É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor

Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande… é a sua sensibilidade, sem tamanho…

Willian Shakespeare

Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:

– Não roubarás!
– Devolva o lápis do coleguinha!
– Esse apontador não é seu, minha filha!
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:

– Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.
E eu vou dizer:
– Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão:
– É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal.

E eu direi:

– Não admito! Minha esperança é imortal!

E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final.

Ana Carolina

Este mundo é um mistério

Um grupo de extraterrestres visitou recentemente o nosso planeta. Eles queriam conhecer-nos, por pura curiosidade ou quem sabe com ocultas intenções.

Os extraterrestres começaram onde tinham que começar. Iniciaram sua exploração estudando o país que é o número um em tudo, número um até nas linhas telefónicas internacionais: o poder obedecido, o paraíso invejado, o modelo que o mundo inteiro imita. Começaram por aí, tentando entender o manda-mais para depois entender todos os demais.

Chegaram em tempo de eleições. Os cidadãos acabavam de votar e o prolongado acontecimento havia mantido todo o mundo em suspenso, como se se houvesse eleito o presidente do planeta.

A delegação extraterrestre foi recebida pelo presidente cessante. A entrevista foi no Salão Oval da Casa Branca, agora reservado exclusivamente aos visitantes do espaço sideral para evitar escândalos. O homem que estava a concluir o seu mandato respondeu, sorrindo, às perguntas.

Os extraterrestres queriam saber se no país vigorava um sistema de partido único, porque eles só haviam ouvido dois candidatos na televisão, e ambos diziam o mesmo.

Mas tinham, também outras inquietações:

Por que demoraram mais de um mês para contar os votos? Aceitariam os senhores a nossa ajuda para superar este atraso tecnológico?

Por que sempre vota apenas a metade da população adulta? Por que a outra metade nunca se dá a esse trabalho?

Por que ganha o que chega em segundo lugar? Por que perde o candidato que tem 328 696 votos de vantagem? Não é a democracia o governo da maioria?

E outro enigma os preocupava: Por que os outros países aceitam que este país os examine quanto à democracia, lhes dite normas e lhes fiscalize as eleições? Será porque este país os castiga quando não se portam como devem?

As respostas deixaram-nos ainda mais perplexos.

Mas continuaram a perguntar.

Aos geógrafos: Por que se chama América este país que é um dentre muitos do continente americano?

Aos dirigentes desportivos: Por que se chama Campeonato Mundial (“World Series”) o torneio nacional de beisebol?

Aos chefes militares: Por que o Ministério da Guerra se chama Secretaria da Defesa, num país que nunca foi bombardeado nem invadido por ninguém?

Aos sociólogos: Por que uma sociedade tão livre tem a maior quantidade de presos no mundo?

Aos psicólogos: “Por que uma sociedade tão sadia ingere a metade dos psicofármacos que o planeta fabrica?

Aos dietistas: “Por que tem a maior quantidade de obesos este país que dita o menu dos demais países?

Se os extraterrestres fossem simples terrestres, esta absurda bateria de perguntas teria acabado mal. No melhor dos casos, teriam batido com a porta nas suas caras. Toda tolerância tem limites. Mas eles continuaram a bisbilhotar, sem qualquer suspeita de impertinência, má educação ou azedume.

E perguntaram aos estrategistas da política externa: Se os senhores estão ameaçados por inimigos terroristas, como o Iraque, o Irão e a Líbia, porque votaram junto com o Iraque, o Irão e a Líbia contra a criação do Tribunal Penal Internacional, criado para castigar o terrorismo?

E também quiseram saber: Se os senhores têm aqui, muito perto, uma ilha onde estão à vista os horrores do inferno comunista, por que não organizam excursões ao invés de proibir as viagens?

E aos que firmaram o tratado de livre comércio: Se agora a fronteira com o México está aberta, por que morre mais de um trabalhador braçal por dia tentando atravessá-la?

E aos especialistas em direito trabalhista: Por que a MacDonald’s e a Wal-Mart proíbem os sindicatos aqui e em todos os países onde operam?

E aos economistas: “Por que, se a economia duplicou nos últimos vinte anos, a maioria dos trabalhadores ganha menos que antes e trabalha mais horas?

Ninguém negava resposta a estes seres estranhos, que continuavam com os seus disparates.

E perguntavam aos responsáveis pela saúde pública: Por que proíbem que as pessoas fumem, quando os automóveis e as fábricas fumam livremente?

E ao general que dirige a guerra contra as drogas: Por que os cárceres estão cheios de drogados e vazios de banqueiros lavadores de narcodólares?

E aos dirigentes do Fundo Monetário e do Banco Mundial: Se este país tem a dívida externa mais alta do planeta, e deve mais que todos os demais, por que os senhores não o obrigam nem a cortar as suas despesas públicas nem a eliminar os seus subsídios? Será para serem corteses com os vizinhos?

E aos politólogos: “Por que aqueles que aqui governam falam sempre de paz, enquanto este país vende a metade das armas de todas as guerras?

E aos especialistas em meio ambiente: Por que os que aqui governam falam sempre do futuro do mundo, enquanto este país gera a metade da poluição que está a acabar com o futuro do mundo?

Quanto mais explicações recebiam, menos entendiam. Pouco durou a expedição. Os extraterrestres começaram sua visita pela potência dominante, e aí terminaram. A normalidade do poder não estava ao alcance daqueles turistas.

Eduardo Galeano

Francisco Lopes candidato a Presidente da Republica

Infelizmente existem muitos “dizentes” que falam de tudo e contra tudo o que pode abanar a sua consciência… Têm medo de terem que reflectir sobre algo que vá gerar conflitos com a sua dita consciência, actual, e depois como é?

São estes “dizentes” que se vissem apresentada a candidatura do Rato Mickey (banda desenhada), iriam bater palmas e encherem páginas e páginas de elogios a essa candidatura.
Mas o que iria acontecer, o Rato Mickey até podia ganhar as eleições, pois todos o conhecem; Os jornais todos os dias iriam falar dele, as televisões fariam grandes reportagens e diriam este sim é um bom candidato, é um candidato de grande valor (deveriam estar a referir-se ao pormenor do desenho).
No entanto o que iria mudar depois das eleições?
Nada… continuaria a miséria intelectual e física que se encontra instalada neste sistema.
E durante o período eleitoral o que aconteceria?
Nada… falava-se no traço do desenho, nas orelhas, na cor…
Mas da realidade nada se falaria,
Não se discutiria os problemas que existem na nossa sociedade, na miséria, na fome, na falta de emprego, nos despedimentos ilegais (mesmo havendo um código de trabalho que lesa os direitos dos trabalhadores, que foi aprovado pelos apoiantes destes Ratos Mickey`s e que foi promulgado pelo actual e talvez candidato à Presidência da Republica);

Não se falava nas condições do sistema de saúde, da educação;
Não se falaria nos milhões gastos, pelo Estado, a financiar o sistema privado enquanto o sistema público é deixado a cair de “podre”…
Pois é… Mas não podemos, nem vamos fazer a vontade ao Rato Mickey e aos seus apoiantes, pois por muito que goste de banda desenhada, a minha consciência não deixa que eu adormeça, em vez de contribuir para o esclarecimento e denuncia de um sistema que está a obrigar a maioria a simplesmente sobreviver, em vez de viverem como têm direito;

Já para não falar dos que nem a sobreviverem tem direito… e morrem com fome e por falta de assistência médica, enquanto outros vêm a sua conta bancária a aumentar astronomicamente, e enviam milhões para offshore`s (paraísos fiscais).

Quanto ao meu candidato, Francisco Lopes, os ditos “dizentes” não se preocupem porque ele é candidato de consciência com os princípios da verdadeira esquerda.
Eles que não tenham medo porque ele não possui nenhuma doença contagiosa, pois que eu saiba o alertar, informar, e denunciar as atrocidades que se mantêm para que este sistema mantenha-se, não é doença;
E o ganhar consciência para a realidade, por parte das pessoas menos atentas, também não é doença…
Quanto à consciência pesada destes “dizentes” e dos seus donos, é que já tenho duvidas se é considerado doença… e de que foro…
Quanto a mim e a muitos mais… iremos ajudar o Francisco Lopes a fazer chegar a sua mensagem ao maior número possível de pessoas.
Essa mensagem será da realidade e da explicação do que motiva-nos a ser verdadeiramente de esquerda.