A ESCRAVATURA CADA VEZ ESTÁ MAIS BARATA…

Estamos sempre em crise e o antídoto para acabar com a crise é sempre do mesmo, o ingrediente principal é reduzir os direitos de quem trabalha.
Começam por retirar direitos a quem entra na profissão, depois vêm os outros por “atacado”, pois eles sabem que é mais fácil atacar os mais frágeis, partindo do principio que os outros não se importam…
Durante estes anos, de uma forma ou de outra, esta estratégia tem resultado, pois quem pode desequilibrar os pratos da balança, muitas vezes, esconde a cabeça na areia.
Mas isto tem que acabar e tem tendência para acabar; Aqueles que tinham alguns direitos têm visto, através da experiência, que são roubados frequentemente e que só através da solidariedade é que nos podemos defender, contra a usurpação dos poucos direitos que temos, em benefício daqueles que já muito possuem e que cada vez acumula mais.
Todos já sabemos que querem dar cabo de tudo o que de publico existe, em beneficio de negócios lucrativos.
A saúde é um caso alarmante, têm semi-privatizado (para privatizarem posteriormente) os serviços de saúde, com a desculpa que o Estado poupa dinheiro, mas é mentira…
Basta comparar os subsídios, e outras verbas dadas pelo estado, para os hospitais de gestão privada, e comparar com o que estes mesmos hospitais custavam anteriormente ao estado, quando eram completamente públicos.
Mas voltando aos direitos, o patrão (Estado, ou privado) têm sempre a resolução para diminuir despesas, essa solução é sempre retirar aos trabalhadores; Não existe interesse em diminuir os lucros ou os subsídios que o estado atribui aos que nada produzem, como as empresas em que os empresários limitam-se a receber os lucros, pois têm subsídios e terrenos para instalar as empresas, descontos na segurança social (à conta das nossas reformas), etc… e quando as empresas dão menos lucro, é vê-los a fechar, não se importando com os seus “colaboradores”, pois a conta do banco é que interessa.
Mas isto não acontece com todas as empresas, pois até para se ser patrão é preciso ter uns bons padrinhos…
É necessário dar valor a quem trabalha, é quem trabalha que constrói os serviços e as empresas, pois sem trabalhadores não existem empresas que produzam, só existem empresas que especulem.
Os enfermeiros são pessoas que muito trabalham, e muito ajudam, e que estão presentes nos piores momentos. Mas para alguém ter condições de outros ajudarem, também precisam ter condições para viver.
Basta de politicas de roubar direitos, dêem valor a quem o tem…
Querem cortar na despesa e aumentar na receita?
Basta irem pedir a quem mais tem, e existem muitos por ai… e deixarem de dar a quem tem…
(Não estou a falar dos subsídios de emprego e outros equivalentes, pois essa discussão não serve mais do que para distrair do essencial. Ponham a inspecção a funcionar, criem mais postos de trabalho… mas ai seria contra produtivo para aqueles que exploram quem trabalha).

ANTIGAMENTE O PATRÃO TINHA ESCRAVOS E PRECISAVA DE TER SEZALAS, ALIMENTAR OS ESCRAVOS E EM CASO DE DOENÇA NÃO PODIAM CONTAR COM ELE…

AGORA O PATRÃO TEM ESCRAVOS E NÃO PRECISA DE SEZALAS, BASTA DAR UM SUBSIDIO, O SUFICIENTE PARA O TRABALHADOR NÃO MORRER À FOME E PODER VOLTAR NO OUTRO DIA PARA TRABALHAR. SE O ESCRAVO ADOEÇER, VEM OUTRO SUBSTITUIR… E PODE IR MORRER BEM LONGE…

A ESCRAVATURA CADA VEZ ESTÁ MAIS BARATA…

É PRECISO LUTAR… PELOS NOSSOS DIREITOS…

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EUA suspendem retirada de feridos graves do Haiti


O Exército norte-americano suspendeu hoje os voos de retirada de feridos graves haitianos, à espera de uma decisão sobre quem paga os seus cuidados médicos.


“Temporariamente suspendemos os voos de evacuação dos haitianos, mas temos meios de os retomar”, disse o capitão Kevin Aandahl, porta-voz da Transcom, unidade de gestão dos transportes do Pentágono, num comunicado enviado à France Presse.

“Aparentemente, alguns Estados (norte-americanos) recusam-se a aceitar no seu território pacientes haitianos que precisam de cuidados pós-operatórios, e nós não podemos transportar se não nos deixam aterrar”, prossegue no mesmo texto.

Alguns Estados, como a Florida, declinam o encargo dos custos dos cuidados prestados aos haitianos feridos na sequência do sismo de 12 de janeiro.

O governador da Florida, Charlie Crist, pediu já oficialmente ao Governo Federal que participe nos custos dos cuidados prestados aos haitianos.

EMPRESAS PUBLICAS

O problema da CP não é a CP, nem os seus trabalhadores; o problema da CP, e da maioria das empresas públicas, são as nomeações, as nomeações de pessoas que nada percebem do negócio, mas percebem de como multiplicar “tachos” para outros como eles.

A CP foi dividida em muitas empresas, todas tiveram direito a um conselho de administração, em todas criaram-se lugares de fantochada… no entanto quanto aos trabalhadores que trabalham e que produzem, nada é mudado, perdão, nada é mudado para melhor…
Tudo isto é feito com um propósito, dar cabo do que de bom existe, para posteriormente haver desculpas para entregar algo tão útil e necessário às mãos dos mercenários do capital.
Mas desiludam-se, pois os mercenários do capital só ficam com o que dá lucro, querem lá saber das pessoas, logo o que dá prejuízo mantêm-se nas mãos de todos nós, para pagarmos é claro.
A despesa a seguir vai aumentar, pois os mercenários do capital gostam muito do privado… mas só existe privado porque o estado paga para os privados terem lucros, logo a despesa aumenta… ainda mais.

A travessia da ponte 25 de Abril é feita pela Fertagus, empresa privada.

Quando foi aberto concurso para esta travessia a CP foi “proibida” de concorrer pelo governo, em funções naquela altura, tendo a fertagus concorrido e ganho, é claro.
Os fazedores de opinião lá vão dizer, que assim se vê uma empresa, a fertagus, que dá lucro e presta um serviço que se estivesse no estado dava prejuízo, e consequentemente o estado teria despesa.

Pois é, mas o que os fazedores de opinião normalmente não dizem, é a verdade toda; Não dizem que a fertagus tem o km mais caro da Europa, o passe caríssimo… mas podem fazer isto tudo e ter muitos lucros, pois quase a totalidade das despesas é a Refer que tem com a manutenção, e ainda têm um contrato com o estado de que se não atingirem um numero determinado de clientes, o estado indemniza a fertagus…

Assim até eu sou bom empresário…
Fico sempre com os lucros, e quando há prejuízo o estado paga, para eu não ter prejuízo e para eu ter lucros…
Quem tiver curiosidade vá investigar quem era o responsável do governo que proporcionou esta mina, e a quem?

Investiguem que verão…

Senhores da guerra

No decurso de uma série de acções da associação Iraq Veterans Against War (IVAW – Ex-combatentes no Iraque contra a guerra), operação intitulada “Winter Soldiers” (Soldados de Inverno), o cabo Mike Prysner conta a sua experiência no Iraque e explica como tomou consciência da natureza da guerra que o mandaram fazer.
Este vídeo foi amplamente divulgado nos EUA, entre outros pelo site do realizador Michael Moore http://www.michaelmoore.com e pelo site alternativo Common Dreams http://www.commondreams.org).
Ao longo dos anos os EUA infiltraram-se, e infiltram-se, em todos os Países em que poderão obter lucro, lucro que tem que ser obtido a qualquer custo. O petróleo, os mercados, o domínio de determinado povo, é sempre um objectivo para alcançar ganhos financeiro.
Mas não é os EUA como estado que ganham, quem ganha são meia dúzia de banqueiros e fabricantes de armas. O povo americano que possui a sua consciência atrofiada devido à doutrina emanada pelos “homens do poder” e ao controlo do pensamento que é exercido nos EUA, assim como pelo mundo fora, através dos órgãos de comunicação social e agências noticiosas, com o fim de fazer acreditar que quando “qualquer grupo” não se submete à doutrina emanada pelos senhores todos poderosos, e bastando a palavra dos senhores da guerra, esses grupos são terroristas e é preciso aniquila-los.
Mas nada disto é novo, pois Nelson Mandela durante muitos anos esteve na lista dos terroristas.

Entrevista com Henry Boisrolin, do Comité Democrático Haitiano Povo do Haiti resiste à ocupação

Com o mais baixo rendimento per capita do mundo, o Haiti, invadido pelos EUA, é hoje um país ocupado sob comando militar do Brasil por cedência de Lula ao imperialismo norte-americano. Fora da agenda da central de desinformação mediática, o Haiti resiste, como se pode ver nesta entrevista com Henry Boirolin, do Comité Haitiano do Povo do Haiti.
Carlos Aznárez* – 12.01.10

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  • Entrevista com Henry Boisrolin, do Comité Democrático Haitiano Povo do Haiti resiste à ocupação

    Com o mais baixo rendimento per capita do mundo, o Haiti, invadido pelos EUA, é hoje um país ocupado sob comando militar do Brasil por cedência de Lula ao imperialismo norte-americano.
    Fora da agenda da central de desinformação mediática, o Haiti resiste, como se pode ver nesta entrevista com Henry Boirolin, do Comité Haitiano do Povo do Haiti.
    Carlos Aznárez* – 12.01.10

    Em entrevista ao Resumen Latinoamericano, o dirigente do Comité Democrático Haitiano, Henry Boisrolin, denuncia a ocupação militar que seu país sofre na actualidade, situação da qual são cúmplices vários países da América Latina.

    Carlos Aznarez (CA): – Qual é a situação do Haiti na actualidade?
    Henry Boisrolin (HB): – O Haiti se encontra sob ocupação, mas a grande imprensa internacional apresenta este fato como se fosse “ajuda humanitária”. Inclusive, o nome da missão da ONU diz que é “para a estabilização do Haiti”. Há uma combinação de 40 países integrantes desta Missão e desgraçadamente temos tropas latino-americanas dentro do país. Como se sabe, o comando militar encontra-se sob a liderança do Brasil. Isto é algo que nós rejeitamos, porque entendemos que é uma violação à nossa soberania e dignidade como povo.

    A resistência provém de distintos sectores da população, mas ultimamente são estudantes universitários, aos quais se somam alguns do ensino médio, que ganharam as ruas para exigir a retirada das tropas e a promulgação de uma lei sobre o salário mínimo votada pelo Parlamento. O que ocorre é que o governo de Preval não o aceita, sob o pretexto de que se o Haiti já tem 70% de sua população activa desempregada, promulgar uma lei que signifique aumentar de 1,70 dólares para 4 ou 5 dólares o salário mínimo por dia, “vai provocar uma avalanche de demissões e agravará ainda mais a situação dos trabalhadores”. Para os estudantes, esta resposta é uma nova falácia do governo, e propuseram acções de resistência, ocupando várias Faculdades.

    CA: – Como reagiu o governo de Preval?
    HB: – Reprimindo os estudantes. Houve várias mortes, dezenas de detidos, professores perseguidos, lançaram bombas de gás lacrimogéneo e balas de chumbo nos manifestantes. A Missão das Nações Unidas foi acompanhar a polícia haitiana em toda esta tarefa repressiva. Isso é o que queremos denunciar e ao mesmo tempo pedir solidariedade para que os governos latino-americanos entendam que essa não é a via, que o Haiti não precisa de tropas militares. O que nós precisamos é o tipo de ajuda que dão Cuba e Venezuela, esse é o modelo válido de apoio, de humanidade, de respeito à nossa independência e soberania.

    CA: – Vamos nos deter neste último tema. As tropas das Nações Unidas dizem que eles vão para cumprir tarefas humanitárias. Pelo menos é isso que dizem as chancelarias dos países que estão implicados nesta manobra, como a Argentina, Uruguai, Brasil e outros. Inclusive, alguns partidos progressistas se encarregaram de explicar que “era melhor que viessem as tropas latino-americanas do que o Haiti permanecer invadido pelos Estados Unidos”. O que opina dessas colocações?
    HB: – Antes de mais nada, é preciso desmentir algo: não houve nenhuma autoridade legítima do meu país que tenha pedido tal intervenção, isso é uma mentira. Em 2004, ano do Bicentenário de nossa independência, havia um presidente legítimo que era Jean-Bertrand Aristide. Havia distúrbios no país, e com essa desculpa veio um comando militar norte-americano que o sequestrou. Puseram-no num avião e o mandaram ao exílio na República Centro-Africana. Agora esta na África do Sul. Algo muito parecido ao que fizeram agora com o presidente Zelaya. Não são casos isolados e deixam precedentes que ameaçam a segurança e a democracia no resto dos países latino-americanos.

    Assim é a história, ninguém pediu tal intervenção. Eles impuseram um governo de fato que organizou as eleições e aí Preval ganhou, legitimando o golpe, igual à tentativa actual em Honduras. Sim, é verdade que o presidente Preval, que ganhou as eleições, solicitou a manutenção da Missão da Minustah, mas originalmente não houve nenhuma autoridade haitiana que tenha pedido isso. Haveria que ir ao Haiti e andar pelas ruas de seus bairros mais populares para compreender a rejeição do povo à presença das tropas de ocupação.

    CA: – Como agem essas tropas invasoras?
    HB: – O accionar das tropas das nações Unidas é algo que indigna qualquer ser humano com um pouquinho de sensibilidade. Em um país onde 70% de sua população activa não tem trabalho, onde temos uma taxa de mortalidade infantil superior a 80 por mil e uma taxa de analfabetismo no campo, que supera 70% e nas cidades 50%, ou onde se tem uma expectativa de vida que não supera os 50 anos. Estamos falando de um país com suas estruturas económicas destruídas, onde 60% do orçamento haitiano provém da ajuda internacional e das remessas que enviam os haitianos que trabalham fora. Por tudo isso, dizer que tem que ir com tanques, aviões e helicópteros para resolver isso, é totalmente falso e cruel.

    O que fizeram estes “salvadores”? Estupraram as meninas e mulheres haitianas, bateram e torturaram nossos jovens. Não somos nós que dizemos isso, foi uma investigação da própria ONU que confirmou esses fatos, e a única coisa que foi feita, foi pegar alguns soldados e mandá-los para casa, porque segundo o Convénio da Resolução 545, que permitiu a entrada das tropas no dia 1º de Junho de 2004, o Haiti não tem direito de julgar nenhum militar estrangeiro, por mais que tenha cometido crimes de lesa-humanidade. Mais submissão que isso não pode existir.

    CA: – Ou seja, violações de direitos humanos realizados dentro de uma “legalidade” imposta, que garante mais impunidade…
    HB: – Exacto. Mas há outro tema que quero abordar e que às vezes fica postergado porque nos aprofundamos mais em estudar a realidade política ou económica de um país. Refiro-me à dignidade humana, o valor da relação e os sentimentos humanos, o contacto entre os povos. Ou seja, uma história em comum. O Haiti, depois de se tornar independente, foi muito solidário com muitos povos latino-americanos. Ajudou Miranda, Bolívar, em duas oportunidades, com fuzis, com dinheiro e outras coisas, mas fundamentalmente com voluntários. Centenas de haitianos morreram pela independência da Venezuela e de outros países. Por isso dizemos que receber este tratamento actual é uma afronta à história. Nosso povo não cometeu nenhum crime, salvo pedir maior justiça. E sofremos um comportamento mercenário, porque muitos destes invasores vêm pelo dinheiro pago, ganham milhares de dólares sem gastar absolutamente nada. Em seis ou sete meses que estão no Haiti, voltam a seus respectivos países com uma boa quantidade de dinheiro em mãos, coisa que não podem ter em seus lugares de origem.

    Então, aproveitando uma situação de debilidade, de falta de capacidade do movimento popular haitiano para reverter esta situação, vêm e te avassalam.

    Tem que ver, por exemplo, em Porto Príncipe, em alguns dos bairros mais calmos, como durante a noite (porque não há praticamente vida noturna no Haiti, não há luz, nem serviços que se possam encontrar em outros países) se vê um contínuo desfile de carros das nações Unidas, em frente aos melhores bares e restaurantes, gastando muitos dólares, e lá fora o povo dormindo nas ruas.

    CA: – É realmente ofensivo e indignante…
    HB: – Isto pede uma reflexão, porque escutamos alguns governos, quando passam furações ou sucedem outros acontecimentos climáticos, dizer que as tropas estão ali precisamente para nos ajudar em maus momentos. Mas isso não é o determinante, nem nada disso. A ocupação do Haiti é um novo esquema para dobrar a rebelião popular num país onde as classes dominantes não têm possibilidade alguma de ganhar as eleições de forma limpa. Então, é preciso impor, pela força das armas uma estratégia de dominação. Esse é o verdadeiro papel dos ocupantes. E para os que dizem que “melhor essas tropas do que as dos Estados Unidos”, nós dizemos que é justamente o contrário. De outra forma teríamos tido o inimigo de frente, de maneira mais clara. Em vez disso, ver irmãos latino-americanos enviados por governos que teriam que apresentar outro tipo de comportamento diante do drama haitiano, é muito duro. Eu estive em bairros populares muito castigados por estas tropas e escutei o que diz o coração dessa gente. A indignação com que contam como bombardeiam durante a madrugada para capturar supostos bandidos destes bairros. Ou quando soldados entram aos montes e chutam as portas, arrastando para fora aterrorizados moradores. Por isso, não há lugar para mais mentiras: trata-se de uma ocupação clara da República do Haiti, e à medida que esta situação segue, haverá mais resistência.

    * Carlos Aznarez, jornalista argentino é director de Resumen Latinoamericano

  • Este texto foi publicado em http://odiario.info
  • Teoria da relatividade no Ocidente…

    Théorie occidentale de la relativité …

    Petit dessin envoyé par un médecin du SMG (Syndicat de la Médecine Générale) pour illustrer les commentaires de certains…:

    Pequeno desenho enviado por um Médico do Sind.dos Médicos de Medicina Geral, para ilustrar certos comentários.

    90 personnes attrapent la grippe H1N1 et tout le monde veut porter un masque.

    90 pessoas apanham o virus da Gripe H1N1 e todos querem usar uma máscara.

    5 millions de personnes ont le SIDA et personne ne veut porter de capote !!!

    5 Milhões de Pessoas têm SIDA e ninguém quer usar preservativo.

    1000 personnes meurent de la grippe A dans un pays riche, c’est une pandémie, des millions meurent du paludisme en Afrique, c’est leur problème…

    1000 pessoas morrem com a gripe A num País rico e é declarada uma Pandemia; milhões morrem de paludismo em África, e o problema é delas…

    Louvor por 4 dias de trabalho…


    O problema do nosso pais é isto mesmo, é “contratarem” trabalhadores que são uns verdadeiros fenómenos.

    Enquanto para uns só existe trabalho, pessimamente remunerado, para outros o trabalho é ter mérito e mais valias num “piscar de olhos”, com o trampolim de quem usa os meios de todos nós em prol de meia dúzia; Enquanto retiram direitos aos trabalhadores, com o falsos argumentos, dão “fortunas” a quem nada faz, a não ser…

    Esta Srª conseguiu ganhar um louvor em quatro dias, “de árduo trabalho”, sendo que deve ter gasto um dia a arrumar a secretária, um dia a requerer os seus privilégios, um dia a debitar teorias e o último dia a arrumar a secretária.

    Todos nós temos a certeza de que esta Srª contribuiu, e em muito, para o sucesso do serviço…

    E para quem diz que o Sr. Primeiro-ministro não faz nada por quem trabalha, ai está o desmentido… pois tenho a certeza que reconheceu mérito a esta Srª logo no primeiro dia de trabalho, atribuiu-lhe o louvor no segundo dia… a burocracia é que demorou dois dias a redigir o louvor.

    Bem haja… assim chegaremos lá…

    Carta a meus filhos

    Sobre os fuzilamentos de Goya



    Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.

    É possível, porque tudo é possível, que ele seja

    aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,

    onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém

    de nada haver que não seja simples e natural.

    Um mundo em que tudo seja permitido,

    conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,

    o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.

    E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto

    o que vos interesse para viver. Tudo é possível,

    ainda quando lutemos, como devemos lutar,

    por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,

    ou mais que qualquer delas uma fiel

    dedicação à honra de estar vivo.

    Um dia sabereis que mais que a humanidade

    não tem conta o número dos que pensaram assim,

    amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,

    de insólito, de livre, de diferente,

    e foram sacrificados, torturados, espancados,

    e entregues hipocritamente â secular justiça,

    para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»

    Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,

    a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas

    à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,

    foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,

    e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,

    ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.

    Às vezes, por serem de uma raça, outras

    por serem de urna classe, expiaram todos

    os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência

    de haver cometido. Mas também aconteceu

    e acontece que não foram mortos.

    Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,

    aniquilando mansamente, delicadamente,

    por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.

    Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,

    foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha

    há mais de um século e que por violenta e injusta

    ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,

    que tinha um coração muito grande, cheio de fúria

    e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.

    Apenas um episódio, um episódio breve,

    nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)

    de ferro e de suor e sangue e algum sémen

    a caminho do mundo que vos sonho.

    Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém

    vale mais que uma vida ou a alegria de té-la.

    É isto o que mais importa – essa alegria.

    Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto

    não é senão essa alegria que vem

    de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém

    está menos vivo ou sofre ou morre

    para que um só de vós resista um pouco mais

    à morte que é de todos e virá.

    Que tudo isto sabereis serenamente,

    sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,

    e sobretudo sem desapego ou indiferença,

    ardentemente espero. Tanto sangue,

    tanta dor, tanta angústia, um dia

    – mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –

    não hão-de ser em vão. Confesso que

    multas vezes, pensando no horror de tantos séculos

    de opressão e crueldade, hesito por momentos

    e uma amargura me submerge inconsolável.

    Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,

    quem ressuscita esses milhões, quem restitui

    não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?

    Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes

    aquele instante que não viveram, aquele objecto

    que não fruíram, aquele gesto

    de amor, que fariam «amanhã».

    E. por isso, o mesmo mundo que criemos

    nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa

    que não é nossa, que nos é cedida

    para a guardarmos respeitosamente

    em memória do sangue que nos corre nas veias,

    da nossa carne que foi outra, do amor que

    outros não amaram porque lho roubaram.

    Jorge de Sena